as palavras, quando musicadas, tomam uma outra dimensão. transcendem. nietszche já disse algo neste sentido. e escreveu assim falou (ou falava) zaratustra. um livro filosófico e musical. a música me lembra ladeiras. descidas nos subterrâneos da consciência. as palavras escorregam aos acordes dos instrumentos musicais. palavra ganha uma ressonância ímpar. quando ouço lamento sertanejo, de gilberto gil, tenho vontade de acompanhá-lo na mesma hora. ninguém escreveu caatinga de uma maneira tão deliciosa de pronunciar.
"por ser de lá do sertão, lá do serrado, lá do interior, do mato, da caatinga, do roçado. eu quase não saio, eu quase não tenho amigo...". por mais determinismo geográfico que esta letra traga, é uma bela melodia. e, ademais, fala muito sobre minha própria personalidade.
mas não lamento nem um pouco por quase não falar, não saber de nada...
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
antes que o ano termine...
não quero mais escrever besteira.
não quero mais fazer besteira.
não quero mais ser uma besteira ululante.
não quero mais escrever a palavra besteira ou qualquer coisa do gênero.
não quero mais ter de explicar porque não faço o que nunca tive vontade de fazer.
não quero mais ser o mesmo sendo sempre o que nunca poderia ter sido.
não quero ter de não querer para dizer o quanto não gosto do que não quero.
não quero não querer o que quero.
por isso quero.
não quero.
querendo...
PS: estas coisas aí em cima não são nem nunca quiseram ser versos. são parágrafos. e só...
não quero mais fazer besteira.
não quero mais ser uma besteira ululante.
não quero mais escrever a palavra besteira ou qualquer coisa do gênero.
não quero mais ter de explicar porque não faço o que nunca tive vontade de fazer.
não quero mais ser o mesmo sendo sempre o que nunca poderia ter sido.
não quero ter de não querer para dizer o quanto não gosto do que não quero.
não quero não querer o que quero.
por isso quero.
não quero.
querendo...
PS: estas coisas aí em cima não são nem nunca quiseram ser versos. são parágrafos. e só...
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
antes que o mês de outubro termine...
estava assim, já me preparando para ir em casa almoçar quando me lembrei que tenho um blog. resolvi ler as últimas linhas escritas. e digamos que me senti à vontade para finalizar este mês dizendo algo de mim.
benz... ontem à noite, antes de pegar no sono com um livro de skinner aberto, estive pensando em retomar meus diários dos momentos. já que tenho tido pouco contato com a internet, a idéia seria escrever mesmo numa folha de papel. mas não sei. não me decidi ainda e não sei se irei me decidir. estou assim assim, como diria aquela poeta... como é o nome dela mesmo? aquela que se jogou do apartamento dos pais, na rua toneleros... ana cristina césar... ana c. anascer.
vez por outra, escrevo uns versos que recitarei nos próximos saraus. mas, definitivamente, a poesia tem se divorciado de mim cotidianamente. que fim trágico! as necessidades emergenciais atropelam tudo. estou naquela fase em que o melhor é deixar para amanhã. ou depois de amanhã?
estou dormindo muito e vivendo pouco. com tendências a viver jogado pelos cantos, como um cão morto. outro dia vi uma cena que mexeu com meu estômago burguês. um mendigo carregando pra cima e pra baixo um cachorro morto. impossível não mergulhar no ser animal que há em mim.
enquanto isto, eu desfilo nos corredores da vida com minha mochila a tiracolo, meu copo de água limpa, transparente e gelada, meus versos escritos sobre a mesa da lanchonete, à vista das meninas bonitinhas que se vêem nas passarelas da petrolina fashion week. chega de tanta letargia!
de tanta hipocrisia, de tanta falação, oração, canção... meu coração parece o rosto sem vida daquele homem. ou daquele cão?
benz... ontem à noite, antes de pegar no sono com um livro de skinner aberto, estive pensando em retomar meus diários dos momentos. já que tenho tido pouco contato com a internet, a idéia seria escrever mesmo numa folha de papel. mas não sei. não me decidi ainda e não sei se irei me decidir. estou assim assim, como diria aquela poeta... como é o nome dela mesmo? aquela que se jogou do apartamento dos pais, na rua toneleros... ana cristina césar... ana c. anascer.
vez por outra, escrevo uns versos que recitarei nos próximos saraus. mas, definitivamente, a poesia tem se divorciado de mim cotidianamente. que fim trágico! as necessidades emergenciais atropelam tudo. estou naquela fase em que o melhor é deixar para amanhã. ou depois de amanhã?
estou dormindo muito e vivendo pouco. com tendências a viver jogado pelos cantos, como um cão morto. outro dia vi uma cena que mexeu com meu estômago burguês. um mendigo carregando pra cima e pra baixo um cachorro morto. impossível não mergulhar no ser animal que há em mim.
enquanto isto, eu desfilo nos corredores da vida com minha mochila a tiracolo, meu copo de água limpa, transparente e gelada, meus versos escritos sobre a mesa da lanchonete, à vista das meninas bonitinhas que se vêem nas passarelas da petrolina fashion week. chega de tanta letargia!
de tanta hipocrisia, de tanta falação, oração, canção... meu coração parece o rosto sem vida daquele homem. ou daquele cão?
terça-feira, 16 de setembro de 2008
ficou cada vez mais difícil escrever por aqui...
e em outros lugares também. resolvi parar um pouco de verborragiar e passei a contemplar muito mais. agora estou lendo com uma freqüência irreconhecível. voltei a ler poesia, veja só... a tanto tempo que não pegava drummond antes de dormir, a tanto tempo que não cochilava com o livro aberto sobre o peito e acordava de manhã cedo com a luz do quarto acesa, o olho pesado, o pesadelo...
passei a me preocupar mais também. com a entrega dos trabalhos, a prova de genética, de análise experimental, o relatório do projeto de pesquisa, os slides, o pôster. não o de che. este eu deixei guardado. verdade seja dita: ainda não tive nem tempo de abri a bandeira de minha cidade na perede de meu quarto. agora querem que eu discurse no último comício de meu pai. e eu não sou (nem nunca fui) o homem dos discursos, das palavras jogadas ao vento, da elevação de voz, do peso frio do microfone. mais um desafio.
mais uma preocupação. como faço para escrever o que deve ser escrito? uma frase é uma sucessão de palavras ou de sentimentos? como sangrar em cada frase e, mesmo assim, não se ferir? como explicar o que penso sem me tornar explicativo? lá no fundo, tudo está dito, posto que tudo é silêncio. dentro de cada ser humano mora um poema, mas nem todo mundo é poeta. poesia é a contemplação da ressonância interior...
passei a me preocupar mais também. com a entrega dos trabalhos, a prova de genética, de análise experimental, o relatório do projeto de pesquisa, os slides, o pôster. não o de che. este eu deixei guardado. verdade seja dita: ainda não tive nem tempo de abri a bandeira de minha cidade na perede de meu quarto. agora querem que eu discurse no último comício de meu pai. e eu não sou (nem nunca fui) o homem dos discursos, das palavras jogadas ao vento, da elevação de voz, do peso frio do microfone. mais um desafio.
mais uma preocupação. como faço para escrever o que deve ser escrito? uma frase é uma sucessão de palavras ou de sentimentos? como sangrar em cada frase e, mesmo assim, não se ferir? como explicar o que penso sem me tornar explicativo? lá no fundo, tudo está dito, posto que tudo é silêncio. dentro de cada ser humano mora um poema, mas nem todo mundo é poeta. poesia é a contemplação da ressonância interior...
terça-feira, 2 de setembro de 2008
um ponto fixo...
eu tenho tanta coisa pra fazer que consigo me dar ao luxo de não fazer nada. ficar paralisado, olhando para um ponto fixamente até voltar a fazer o que eu, eita!, ainda nem tinha começado a fazer. um me pede um favorzinho de um lado, outra pede para eu quebrar o galho (não com estas palavras) de outro. tem apresentação de projeto de pesquisa, atividade de aula, relatório, resumo... se eu me lembrar de tudo termino ficando pirado, quer dizer, parado num ponto fixo, completamente paralisado. como este ponto aqui.
aí vem os fios, o cheiro na mão, as lembranças dispersas, a falta de concentração. já vi que não consigo me fixar na leitura antes de dormir. o sono logo desce e me leva à lona, com um nocaute técnico. não dá tempo nem de jogar a toalha no chão. ando me escondendo de tudo isto e de mais um pouco. sou ana o. saindo de cena ante uma situação traumática.
todas as coisas agora parecem carecer de uma continuidade. deixo para corrigir depois, meus erros imperdoáveis. ficam aí sangrando como um peito aberto por unhas afiadas. amanhã é dia de ultrassonografia, de leitura na penumbra da clínica, olhos disputando a atenção com a tv globinho, atendente sem pressa, médica atrasada, paciente querendo fular a fila, torcendo para eu desistir. não vou. sou brasileiro, e isto não significa lá muita coisa, ainda mais sem grana e sem gana.
quem desiste não pára, já dizia um zé ninguém...
aí vem os fios, o cheiro na mão, as lembranças dispersas, a falta de concentração. já vi que não consigo me fixar na leitura antes de dormir. o sono logo desce e me leva à lona, com um nocaute técnico. não dá tempo nem de jogar a toalha no chão. ando me escondendo de tudo isto e de mais um pouco. sou ana o. saindo de cena ante uma situação traumática.
todas as coisas agora parecem carecer de uma continuidade. deixo para corrigir depois, meus erros imperdoáveis. ficam aí sangrando como um peito aberto por unhas afiadas. amanhã é dia de ultrassonografia, de leitura na penumbra da clínica, olhos disputando a atenção com a tv globinho, atendente sem pressa, médica atrasada, paciente querendo fular a fila, torcendo para eu desistir. não vou. sou brasileiro, e isto não significa lá muita coisa, ainda mais sem grana e sem gana.
quem desiste não pára, já dizia um zé ninguém...
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
a vida é um jogo...
me olhando no espelho do banheiro descobri que a vida é um jogo... olhando para estes olhos vermelhos de sono, este meu estado deplorável, sem camisa, sem presente, descobri, de repente, que a vida é um jogo... passando as mãos em meus cabelos sebosos, entre a divisão e os fios mais grossos, descobri, sem remorso, que a vida é um jogo... como foi que eu passei 21 anos sem saber?
eu virando a noite aqui, na sala do projeto de pesquisa. rodeado de coisas pra fazer, de textos para por os pingos nos is, de histórias para inventar, de ilusões. levantei para não ficar sentado, e logo em seguida descobri uma vontade de mijar. fui ao banheiro, mas antes da privada tem o espelho, a sedução narcísica, este olhar auto-contemplativo. eu tinha de admirar minha ação corajosa, meus olhos vermelhos, meu peito à mostra, meus cabelos despenteados. eu tinha de descobri que, minha nossa!, a vida é um jogo...
já imbuído desta verdade última, mijei vagarosamente em cima de outro mijo ou de alguma coisa que me fez lembrar que alguém, antes de mim, mijou ali. para não acordar as assombrações, resolvi não puxar a corda da descarga. saí do banheiro decidido a compartilhar com todo mundo esta minha descoberta individual, que a vida, pode crer cara!, é um jogo... é um jogo reticente, mas não deixa de ser. a vida se diverte demais com a gente. a vida ri da nossa insuficiência, insistência, inoperância e tantas outras palavras que compartilhem significados afins. a vida ri, principalmente, de si. a vida se ri.
a gente deveria aprender alguma coisa da vida. dá tempo? hum... deixe-me ver: amanhã de manhã tenho reunião. sim, nesta sala em que estou varando a madrugada. à tarde tenho aula. à noite tem um festival. estou aguardando uma resposta para saber se posso ou não participar de um encontro de uma galera que quer fazer um grupo de teatro. à tarde, imprevisível. depende desta resposta anterior, mas também seria bom eu ir à tarde acompanhar as atrações de um festival que, oficialmente, começa à noite. sim, à noite tem o festival. e no outro dia tem sarau.
cadê o tempo mesmo? o tempo de aprender alguma coisa na vida meu velho... parece que a gente só aprende a lidar, a encarar e a superar a vida. ou seja, a gente só aprende a morrer. todo dia temos a oportunidade de escolher entre mais um ou menos um dia. todo dia temos a oportunidade de dormir na mesma cama ou de virar a noite rindo, da vida que aprendemos a viver (ou a jogar?). vou repetir pela última vez: pensando bem, não vou repetir mais não. vou terminar de fazer as coisas que ainda estão me aguardando.
uma professora me disse que eu ando escrevendo muito gerúndio. que absurdo!
eu virando a noite aqui, na sala do projeto de pesquisa. rodeado de coisas pra fazer, de textos para por os pingos nos is, de histórias para inventar, de ilusões. levantei para não ficar sentado, e logo em seguida descobri uma vontade de mijar. fui ao banheiro, mas antes da privada tem o espelho, a sedução narcísica, este olhar auto-contemplativo. eu tinha de admirar minha ação corajosa, meus olhos vermelhos, meu peito à mostra, meus cabelos despenteados. eu tinha de descobri que, minha nossa!, a vida é um jogo...
já imbuído desta verdade última, mijei vagarosamente em cima de outro mijo ou de alguma coisa que me fez lembrar que alguém, antes de mim, mijou ali. para não acordar as assombrações, resolvi não puxar a corda da descarga. saí do banheiro decidido a compartilhar com todo mundo esta minha descoberta individual, que a vida, pode crer cara!, é um jogo... é um jogo reticente, mas não deixa de ser. a vida se diverte demais com a gente. a vida ri da nossa insuficiência, insistência, inoperância e tantas outras palavras que compartilhem significados afins. a vida ri, principalmente, de si. a vida se ri.
a gente deveria aprender alguma coisa da vida. dá tempo? hum... deixe-me ver: amanhã de manhã tenho reunião. sim, nesta sala em que estou varando a madrugada. à tarde tenho aula. à noite tem um festival. estou aguardando uma resposta para saber se posso ou não participar de um encontro de uma galera que quer fazer um grupo de teatro. à tarde, imprevisível. depende desta resposta anterior, mas também seria bom eu ir à tarde acompanhar as atrações de um festival que, oficialmente, começa à noite. sim, à noite tem o festival. e no outro dia tem sarau.
cadê o tempo mesmo? o tempo de aprender alguma coisa na vida meu velho... parece que a gente só aprende a lidar, a encarar e a superar a vida. ou seja, a gente só aprende a morrer. todo dia temos a oportunidade de escolher entre mais um ou menos um dia. todo dia temos a oportunidade de dormir na mesma cama ou de virar a noite rindo, da vida que aprendemos a viver (ou a jogar?). vou repetir pela última vez: pensando bem, não vou repetir mais não. vou terminar de fazer as coisas que ainda estão me aguardando.
uma professora me disse que eu ando escrevendo muito gerúndio. que absurdo!
terça-feira, 19 de agosto de 2008
antes que eu me mude
está nos dicionários: mudar significa pôr em outro lugar, deslocar, dar outra direção, transferir-se para outro lugar, tornar-se diferente do que era e por aí vai...
vou me mudar. um anseio antigo, que foi esfriando por uma característica peculiar de nossa espécie: a adaptação. fui me habituando a caminhar durante mais de uma hora da universidade pra cá. fui me habituando a chegar sempre depois das dez, cansado de tudo. depois arrumei uma bicicleta. depois fui me ocupando de coisas mais próximas. depois fui ficando mais em casa. e agora vou me mudar.
mudar significa também ter disposição de organizar tudo para depois desorganizar e organizar de novo em outro lugar. carregar peso. sacrificar horas do dia para uma tarefa ingrata e tediosa.
por aqui passei um ano. e não tenho de quem me despedir. só dizer ao vizinho da frente que não vou mais precisar da internet compartilhada. 20 contos por mês. 20 contos também é a diferença deste aluguel para o próximo. tudo arranjado às pressas. parece que amanhã a mudança se inicia. é um saco, sem dúvida alguma. mas necessário. já estava na hora de eu me afastar um pouco destas coisas que me ficaram tão próximas desde a mudança.
a vida é assim: aproxima e distancia. muitas vezes até aproxima o distante e distancia o próximo. exempli gratia: internet...
vou me mudar. um anseio antigo, que foi esfriando por uma característica peculiar de nossa espécie: a adaptação. fui me habituando a caminhar durante mais de uma hora da universidade pra cá. fui me habituando a chegar sempre depois das dez, cansado de tudo. depois arrumei uma bicicleta. depois fui me ocupando de coisas mais próximas. depois fui ficando mais em casa. e agora vou me mudar.
mudar significa também ter disposição de organizar tudo para depois desorganizar e organizar de novo em outro lugar. carregar peso. sacrificar horas do dia para uma tarefa ingrata e tediosa.
por aqui passei um ano. e não tenho de quem me despedir. só dizer ao vizinho da frente que não vou mais precisar da internet compartilhada. 20 contos por mês. 20 contos também é a diferença deste aluguel para o próximo. tudo arranjado às pressas. parece que amanhã a mudança se inicia. é um saco, sem dúvida alguma. mas necessário. já estava na hora de eu me afastar um pouco destas coisas que me ficaram tão próximas desde a mudança.
a vida é assim: aproxima e distancia. muitas vezes até aproxima o distante e distancia o próximo. exempli gratia: internet...
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
um anseio...
e esta necessidade de escrever, que não sinto... o que faço com ela mesmo? tudo seria bem mais tranquilo se eu fosse mais tranquilo.
vida, me mate mas não morra... o que é mais difícil? somar ou subtrair? a saliva, a coceira, a janela aberta, o vento, a esperança existe? estive pensando sobre isto enquanto a bicileta me levava na descida de uma inclinação... ouvi a música de um candidato que dizia ser a "nova esperança". aprendi a desprezar esta palavra. ela se banalizou. se gastou também. coitada...
o que me interessa agora são as possibilidades. a esperança é uma palavra prisioneira. quem muito espera sempre alcança? prefiro o anseio. o que eu anseio?
hum... digamos que, por ora, terminar este texto. dá um fim a esta necessidade de escrever, que não sinto...
vida, me mate mas não morra... o que é mais difícil? somar ou subtrair? a saliva, a coceira, a janela aberta, o vento, a esperança existe? estive pensando sobre isto enquanto a bicileta me levava na descida de uma inclinação... ouvi a música de um candidato que dizia ser a "nova esperança". aprendi a desprezar esta palavra. ela se banalizou. se gastou também. coitada...
o que me interessa agora são as possibilidades. a esperança é uma palavra prisioneira. quem muito espera sempre alcança? prefiro o anseio. o que eu anseio?
hum... digamos que, por ora, terminar este texto. dá um fim a esta necessidade de escrever, que não sinto...
domingo, 17 de agosto de 2008
notas sobre meu peito...
a literatura. ah, literatura... anh, literatura? nenhuma pretensão. só escrevo porque não sei desenhar, nem jogar futebol, xadrez ou qualquer jogo de azar, não sei dançar, ficar nu, interpretar... representar. sim. prefiro viver de representações. a palavra impossível. escreve, apaga, copia, cola, depois salva... publicar postagem, escrever bobagem, palavrear bestagem. o verbo impossível. o provérbio antigo. a sina. dorivar. doricar. dolorir. e ir. quem sabe para algum lugar. quem sabe pra bahia corrente... antes da morte tem a vida viu? não se esqueça disto nunca carlinho. não se esqueça de viver meu filho. tudo é muito passageiro. alegria então... saber lidar com a vida tem mais relação com a maneira como lidamos com a dor. viver dói? hum, tô com um dodói no peito. e coça, coça, coça... papel higiênico. pus. ultrasonografia. vou ficar com saudade desta coisa em meu peito, quando a médica me curar. preciso cuidar de alguma coisa. e, se cuido de mim, me torno mais meu amigo. nunca antes me olhei tanto. nunca antes me preocupei tanto comigo. nunca antes senti tanta necessidade de ficar comigo mesmo. representando a vida... adiando a morte.
sábado, 16 de agosto de 2008
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
viagens novas e baianas
salvando... do quê? sei lá... e continuo escrevendo. os salvamentos são automáticos, como a mudança de música na lista de reprodução. os novos baianos seguem cantando e eu sigo imaginando como a vida seria muito mais tranquila se a música nunca fosse interrompida...
por uma aula chata qualquer, por uma conversa de antanho, por uma reunião de como ter paciência... "estamos na linguagem do alunte/palavra nova que dispensa explicação/pra lá muito pra lá de alucinação...". se todo mundo entendesse isto seria tão legal...
mas não. nem eu entendo direito estas coisas meio utópicas. vivo a dureza da vida também. de tal maneira que não acompanho a luz solar. ela é que me acompanha. já percebi: só quem vive mesmo são os astros celestes. nós, aqui nesta terra limitada, apenas sobrevivemos. presos a representações.
sabe de uma: be-o-bó-le-a-la, bola/ te-é-té-le-a-la, tela/ a-te-é-té-le-a-la, a te lá...
salvando...
por uma aula chata qualquer, por uma conversa de antanho, por uma reunião de como ter paciência... "estamos na linguagem do alunte/palavra nova que dispensa explicação/pra lá muito pra lá de alucinação...". se todo mundo entendesse isto seria tão legal...
mas não. nem eu entendo direito estas coisas meio utópicas. vivo a dureza da vida também. de tal maneira que não acompanho a luz solar. ela é que me acompanha. já percebi: só quem vive mesmo são os astros celestes. nós, aqui nesta terra limitada, apenas sobrevivemos. presos a representações.
sabe de uma: be-o-bó-le-a-la, bola/ te-é-té-le-a-la, tela/ a-te-é-té-le-a-la, a te lá...
salvando...
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
só pra rimar...
rosa morreu, de vida
em sua faixa exclusiva
bem no meio da avenida
que não se chama são joão
sua face pálida, encolhida
sua voz doce nem se abria
ao holofote que incidia
no corte fundo de seu coração
minutos antes, comovida
chorou lágrimas atrevidas
tinha sido promovida
por seu nobre patrão
tempos depois, recém-nascida
descobriu certo enigma
seu nome era margarida
e sua vida solidão
em sua faixa exclusiva
bem no meio da avenida
que não se chama são joão
sua face pálida, encolhida
sua voz doce nem se abria
ao holofote que incidia
no corte fundo de seu coração
minutos antes, comovida
chorou lágrimas atrevidas
tinha sido promovida
por seu nobre patrão
tempos depois, recém-nascida
descobriu certo enigma
seu nome era margarida
e sua vida solidão
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
pela janela...
ter de relacionar dados, fabricar análises, compor colchas de retalhos interpretativos... dei agora para desenhar como nunca, exercitando minha paciência inflaível. figuras que nunca irei denominar, posto que me dizem muito pouco sobre as coisas existentes. vez por outra, rabisco versos no canto da folha. só para me curar um pouco do tédio. só para não ter de ficar interpretando o mundo pela janela. por falar em janela...
aprendi a desenhar nuvens
quando no meio de uma aula de fenomenologia
o professsor erguia a voz às paredes e dizia coisas que eu nunca vou entender
angústia, ente, o nada, dasein, heidegger, o ser...
e o branco das nuvens sempre desafiava o azul celeste pela janela fumê
e eu desafiava o mundo rabiscando na contra-capa de sobre a morte e o morrer...
e eu não escrevi isto no meio de uma aula não... foi no meio de uma reunião.
aprendi a desenhar nuvens
quando no meio de uma aula de fenomenologia
o professsor erguia a voz às paredes e dizia coisas que eu nunca vou entender
angústia, ente, o nada, dasein, heidegger, o ser...
e o branco das nuvens sempre desafiava o azul celeste pela janela fumê
e eu desafiava o mundo rabiscando na contra-capa de sobre a morte e o morrer...
e eu não escrevi isto no meio de uma aula não... foi no meio de uma reunião.
terça-feira, 12 de agosto de 2008
sobreopensamento
meu texto em duas versões. de um lado, me reconheço pouco. do outro, sou eu mesmo. as tais mediações. mas isto não me preoucupa tanto quanto a possibilidade de fazer aquilo que eu não tenho entusiasmo algum. um relatório à espera das derradeiras palavras, entre a salvação e o desterro. fico no meio, procurando um canto.
se eu tivesse uma voz legal e um violão que despejasse notas, talvez agora estivesse preocupado com uma música. mas não, só tenho dedos buliçosos e um pensamento flutuante. mais um festival (ou seria menos um festival?).
o que me preocupa agora é uma coceira sem fim. a obrigação de gastar palavras, preencher lacunas, fechar porteiras.
administrar é como navegar, já disse alguém.
a bateria acabou no meio de uma mensagem. e eu tinha carregado o celular na noite anterior. o celular vai findando, o mês já se aproxima de seus meados, o ano agora já está mais pra lá do que pra cá e daqui a pouco estarei no teatro de novo. comprei 10 ingressos em duas semanas de festival. preciso disto, de saber que alguma alma paira além dos pensamentos...
se eu tivesse uma voz legal e um violão que despejasse notas, talvez agora estivesse preocupado com uma música. mas não, só tenho dedos buliçosos e um pensamento flutuante. mais um festival (ou seria menos um festival?).
o que me preocupa agora é uma coceira sem fim. a obrigação de gastar palavras, preencher lacunas, fechar porteiras.
administrar é como navegar, já disse alguém.
a bateria acabou no meio de uma mensagem. e eu tinha carregado o celular na noite anterior. o celular vai findando, o mês já se aproxima de seus meados, o ano agora já está mais pra lá do que pra cá e daqui a pouco estarei no teatro de novo. comprei 10 ingressos em duas semanas de festival. preciso disto, de saber que alguma alma paira além dos pensamentos...
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
na noite...
comendo farelo de biscoito. paralisado nas coisas mais óbvias do mundo. entre a dispersão e o recolhimento, percorro alguns metros de bicicleta na noite. até sentar confortavelmente num banco acolchoado e apreciar uma comédia. divido sorrisos. eu sou parte disto que chamam platéia. desta coisa inexata que responde aos estímulos de um texto, figurino, iluminação, maquiagem... (o gás escapa e mata aos poucos um poeta).
na platéia também estou travestido de um personagem. sou o cara que ri, olha pros lados, cruza as pernas, guarda coisas na mochila, olha pro relógio no meio de uma fala e, ao final, se levanta para aplaudir a peça. algumas pessoas me seguem (ou eu sigo elas?).
sempre me deparo com rostos mais do que conhecidos. faces que dia-a-dia se repetem no mesmo espaço. já não as encaro mais, posto que tudo está dito previamente. somos cúmplices de viver assim.
liberto a bicicleta de uma árvore e caio na noite óbvia de ruas sem maquiagem.
na platéia também estou travestido de um personagem. sou o cara que ri, olha pros lados, cruza as pernas, guarda coisas na mochila, olha pro relógio no meio de uma fala e, ao final, se levanta para aplaudir a peça. algumas pessoas me seguem (ou eu sigo elas?).
sempre me deparo com rostos mais do que conhecidos. faces que dia-a-dia se repetem no mesmo espaço. já não as encaro mais, posto que tudo está dito previamente. somos cúmplices de viver assim.
liberto a bicicleta de uma árvore e caio na noite óbvia de ruas sem maquiagem.
domingo, 10 de agosto de 2008
continuando a conversa anterior...
depois que reli o texto escrito logo depois de me decepcionar com mais uma peça de teatro, lembrei que no longínquo (e tão perto) ano de 2003 eu escrevi um texto inspirado numa entrevista de Barbara Heliodora sobre o teatro brasileiro atual (no caso, de 2003). segue o texto...
é nesta ingenuidade que queres cortar o tempo?
estes fingidores te vestem de amarelo com bolinhas vermelhas e você ri
te oferecem a navalha do lado oposto ao que não fere e você acredita que é uma brincadeira
transformam sua vida medíocre numa comédia vagabunda e tudo é engraçado ao seu redor
dizem impropérios verbais e ouvem suas gargalhadas com aplausos ao final do espetáculo
como se tudo fosse uma maravilha...
e você não fosse o palhaço!
texto mais atual, impossível...
kkk
estes fingidores te vestem de amarelo com bolinhas vermelhas e você ri
te oferecem a navalha do lado oposto ao que não fere e você acredita que é uma brincadeira
transformam sua vida medíocre numa comédia vagabunda e tudo é engraçado ao seu redor
dizem impropérios verbais e ouvem suas gargalhadas com aplausos ao final do espetáculo
como se tudo fosse uma maravilha...
e você não fosse o palhaço!
texto mais atual, impossível...
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
algumas palavras de olhos fechados
pálpebras pesadas. vou tecendo pensamentos enquanto a madrugada se aproxima. cheguei ao teatro atrasado (já virou rotina...) e suado. entrei. procurei um lugar próximo ao palco. sentei. a peça se arrastou narrando a decadência de um palhaço de uma maneira tão decadente, que só a decadência mesmo para justificar...
o apelo ao lado sexual, os palavrões, as músicas, tudo assinalava a decadência de um palhaço decadente. aproveitei a última penumbra para sair do teatro às pressas. não bati palmas, muito menos levantei para aplaudir de pé. a peça não me tocou. por sinal, se não fossem os poemas de Rilke teria sido uma decadência completa.
o sono se apossou de mim...
o apelo ao lado sexual, os palavrões, as músicas, tudo assinalava a decadência de um palhaço decadente. aproveitei a última penumbra para sair do teatro às pressas. não bati palmas, muito menos levantei para aplaudir de pé. a peça não me tocou. por sinal, se não fossem os poemas de Rilke teria sido uma decadência completa.
o sono se apossou de mim...
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
palavras e silêncio
fui a um show chamado palavras. muito mais à procura do silêncio do que de outra coisa. por ser um recital show poético sabia que iria encontrar em algum momento o silêncio que encontrei quando cheguei ao teatro. na penumbra, vozes ansiosas esperavam o início do espetáculo. um vídeo foi exibido logo na abertura, como se fosse um prólogo. a questão central, como não poderia deixar de ser, era exatamente a palavra. especulações em torno da palavra, poderia ser o título do áudio-visual.
o vídeo terminou e a luz desceu no lado esquerdo do palco, onde uma banda já estava à espera dos olhares para prolongar ainda mais o prólogo. o microfone hesitou, como se o silêncio dissesse: deixe-me falar também... a música foi interrompida e alguém apertou (ou puxou) alguma coisa no microfone, fazendo-o funcionar. nunca vi um prólogo tão prolongado...
a estrela principal veio de traz do palco, com suas lanterninhas percorrendo os rostos de silêncio da platéia. a noite sempre pede uma palavra recitada, um gesto, uma embriaguez qualquer. o poeta saiu distribuindo doses cavalares de palavras, às vezes muito mais cuspidas do que faladas. muito mais encenadas do que inteligíveis. mas, de qualquer maneira, audíveis à aurículas mais insensíveis. quem, ao chegar em casa, não cuspiu, comeu...
e ficou entalado com tanta verborragia, muito mais de um poeta barroco do que de um discípulo do concretismo. se teve tanto gesto encenado, por que então não teve um poema gestual? à revelia disto, sobraram diálogos forçados. alguém que grita de traz, da frente, do lado... tentativas infrutíferas de não ir para lugar algum.
e fomos. as lanterninhas passearam pela platéia o tempo todo e terminaram na cabeça do líder peformático da noite. mas foi tarde demais: o silêncio já tinha saído pela tangente e nem mesmo escutou os aplausos.
o vídeo terminou e a luz desceu no lado esquerdo do palco, onde uma banda já estava à espera dos olhares para prolongar ainda mais o prólogo. o microfone hesitou, como se o silêncio dissesse: deixe-me falar também... a música foi interrompida e alguém apertou (ou puxou) alguma coisa no microfone, fazendo-o funcionar. nunca vi um prólogo tão prolongado...
a estrela principal veio de traz do palco, com suas lanterninhas percorrendo os rostos de silêncio da platéia. a noite sempre pede uma palavra recitada, um gesto, uma embriaguez qualquer. o poeta saiu distribuindo doses cavalares de palavras, às vezes muito mais cuspidas do que faladas. muito mais encenadas do que inteligíveis. mas, de qualquer maneira, audíveis à aurículas mais insensíveis. quem, ao chegar em casa, não cuspiu, comeu...
e ficou entalado com tanta verborragia, muito mais de um poeta barroco do que de um discípulo do concretismo. se teve tanto gesto encenado, por que então não teve um poema gestual? à revelia disto, sobraram diálogos forçados. alguém que grita de traz, da frente, do lado... tentativas infrutíferas de não ir para lugar algum.
e fomos. as lanterninhas passearam pela platéia o tempo todo e terminaram na cabeça do líder peformático da noite. mas foi tarde demais: o silêncio já tinha saído pela tangente e nem mesmo escutou os aplausos.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
o tempo do cansaço...
quanto mais trabalho eu tenho mais trabalho surge. e a falta de tempo é flagrante. há tanta coisa para fazer, e só 24 horas. não dá pra focar numa coisa só, afinal de contas, a abertura de novas possibilidades é uma característica marcante no ser humano. o jeito é eleger algumas prioridades e acompanhar as demais com uma distância presente ou uma presença distante. a internet é tão dispersiva que a vida vai se dispersando aos poucos também. antes eu estava falando de trabalho e agora já estou em dispersão, procurando uma ponte para fugir deste assunto e embarcar noutro.
um relatório pra terminar, um questionário para responder, um texto escrito às pressas, um braço, uma perna e várias extremidades. a pálpebra pesada, o sono, o riso, a vontade. hoje cheguei meia hora atrasado ao teatro, e ainda entrei. a peça foi engraçada, e só. não dá para fixar uma mensagem específica, mas dá para sair mais leve do teatro e encarar a labuta amanhã de uma maneira diferente. cada peça está a serviço de alguma coisa, como cada empresa também persegue algo.
pedi para enviarem um texto para meu e-mail com o questionário. enviaram o questionario respondido para eu modificar de acordo com meu etilo de escrita e entregar à professora. não sei. o tempo está pedindo isto. estou atolado de coisas...
um relatório pra terminar, um questionário para responder, um texto escrito às pressas, um braço, uma perna e várias extremidades. a pálpebra pesada, o sono, o riso, a vontade. hoje cheguei meia hora atrasado ao teatro, e ainda entrei. a peça foi engraçada, e só. não dá para fixar uma mensagem específica, mas dá para sair mais leve do teatro e encarar a labuta amanhã de uma maneira diferente. cada peça está a serviço de alguma coisa, como cada empresa também persegue algo.
pedi para enviarem um texto para meu e-mail com o questionário. enviaram o questionario respondido para eu modificar de acordo com meu etilo de escrita e entregar à professora. não sei. o tempo está pedindo isto. estou atolado de coisas...
terça-feira, 5 de agosto de 2008
meia-noite em meu peito...
00:00. de hoje ou de amanhã? prefiro o agora, e saio meio cambaleante desta embriaguez cotidiana. angustiado com o que não foi, com o que passa e com o que passará. eu, passarinho que nunca aprendi a voar. mas é tão fácil, dirão. abra os braços e imagine as nuvens. mergulhos superficiais em tudo. nem um segundo tolo pra desperdiçar. adeus ócio criativo, adeus pensamentos em suspensão, adeus pôr-do-sol... já amanheço na escuridão. completamente incapaz de enxergar qualquer coisa que fuja do script. esqueci que dia tenho de ir ao médico. o peito não pára de coçar, de salivar, de sangrar, de endurecer, me excitar... é meu único prazer nestas noites diuturnas. tem sido cada vez mais difícil viver, por isso nem me atrevo a voar...
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
só lembrando...
olhos cansados. já sem ânimo de escrever qualquer coisa que seja neste espaço. tinha terminado de fazer uma reflexão propositiva sobre o teatro quando me perguntaram: "a internet tá pegando aí?". balancei a cabeça afirmativamente, e por um momento temi que o sinal tivesse caído. fui selecionar o texto para copiá-lo no word antes de clicar no "publicar postagem" e, por uma razão que eu absolutamente desconheço, o texto sumiu. o jeito foi mudar de endereço eletrônico, esquecer um pouco e, agora, já com os olhos cansados e o ânimo em falta voltar para dizer que continuo convicto das idéias que escrevi aqui horas atrás. mesmo que a tela tenha voltado a seu estado original, como se dissesse: "deixa disso camarada. pára de escrever besteira...".
continuarei escrevendo.
continuarei escrevendo.
domingo, 3 de agosto de 2008
uns versos que insistem em passar...
deitado na rede no meio da tarde de um domingo. livro aberto entre as mãos à apreciação de olhos sonolentos. do outro lado da sacada do apartamento, muita vida, muitos goles de morte repentina. viro a página do livro e rabisco versos, mais cinzentos do que o cinza do cinza da cinza do cinza da cinza do cinza... mais uma vez, desculpem o atrevimento...
violão, notas, vozes...
buzina de automóvel. passarinho entre folhas da mangueira do vizinho...
pregador, cueca, corda...
elementos de semiologia. um texto aguarda palavras para ter fim...
porta aberta, lâmpada queimada, boca seca...
domingo. o sono vem e vai nos passos arrastados da menina travessa...
que atravessa a rua com uma respiração ofegante
depois grita, sorri e chora
e eu com uma vontade imensa...
de mergulhar nas nuvens.
violão, notas, vozes...
buzina de automóvel. passarinho entre folhas da mangueira do vizinho...
pregador, cueca, corda...
elementos de semiologia. um texto aguarda palavras para ter fim...
porta aberta, lâmpada queimada, boca seca...
domingo. o sono vem e vai nos passos arrastados da menina travessa...
que atravessa a rua com uma respiração ofegante
depois grita, sorri e chora
e eu com uma vontade imensa...
de mergulhar nas nuvens.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
uns versos que passam...
ontem escrevi uns versinhos e até pensei em transcrever para este espaço, mas cheguei cansadíssimo e me joguei na rede. depois fui tateando até o banheiro e, por fim, desabei na cama. tais versos são de uma origem desconhecida, daqueles pensamentos que no meio de uma aula tediosa pedem licença e entram. a única pretensão destes versos é passar. simplesmente....
sento na janela de minha consciência
e espero que alguém se supreenda
com a queda de uma pétala
com o céu cinzento
com o vento
que passa...
-passa tudo que você tem aí... rápido!
e vai passando...
sento na janela de minha consciência
e espero que alguém se supreenda
com a queda de uma pétala
com o céu cinzento
com o vento
que passa...
-passa tudo que você tem aí... rápido!
e vai passando...
quarta-feira, 30 de julho de 2008
notas sobre o meu estado atual de dispersão
ainda estou disperso. livros espalhados na mesa, garrafa de água para amenizar a tosse seca, caneta, celular, discos, apostilas que não conseguem progredir porque eu (tenho de repetir) ainda estou disperso.
cheguei com fôlego, esbanjando saúde apesar de não ter saúde para esbanjar, decidido a me dedicar mais a algumas coisas e me desprender de outras. mas o dia-a-dia vai se encarregando de colocar os pingos nos is e daqui a pouco estarei na mesma. conformado e disperso.
procurando uma outra casa pra morar. mais próximo de tudo que hoje me parece distante. só não parei pra pensar ainda que o contrário também é verdadeiro: ficarei mais longe de tudo que me parece próximo atualmente. seria tudo mais simples se eu me conformasse nessa de ficar mais um tempo por aqui, mas não dá. já pensei demais para agora recuar.
pensei muito em iniciar a leitura de cem anos de solidão. hoje recebi o livro de uma colega com um atraso de três anos. ainda teve quem tentasse me atravessar, mas eu logo disse que estava interessado em ler e pronto. o livro agora está sobre a mesa, em meio à garrafa de água para amenizar a tosse seca, a caneta, o celular, os discos, as apostilas que não conseguem progredir porque eu (tenho de repetir, de novo...) ainda estou disperso.
e minha dispersão só vai passar (eu sinto) quando eu fizer alguma coisa com ela: quem sabe se eu resolvesse abrir o livro e iniciar a leitura desta obra-prima da literatura mundial, três anos depois...
cheguei com fôlego, esbanjando saúde apesar de não ter saúde para esbanjar, decidido a me dedicar mais a algumas coisas e me desprender de outras. mas o dia-a-dia vai se encarregando de colocar os pingos nos is e daqui a pouco estarei na mesma. conformado e disperso.
procurando uma outra casa pra morar. mais próximo de tudo que hoje me parece distante. só não parei pra pensar ainda que o contrário também é verdadeiro: ficarei mais longe de tudo que me parece próximo atualmente. seria tudo mais simples se eu me conformasse nessa de ficar mais um tempo por aqui, mas não dá. já pensei demais para agora recuar.
pensei muito em iniciar a leitura de cem anos de solidão. hoje recebi o livro de uma colega com um atraso de três anos. ainda teve quem tentasse me atravessar, mas eu logo disse que estava interessado em ler e pronto. o livro agora está sobre a mesa, em meio à garrafa de água para amenizar a tosse seca, a caneta, o celular, os discos, as apostilas que não conseguem progredir porque eu (tenho de repetir, de novo...) ainda estou disperso.
e minha dispersão só vai passar (eu sinto) quando eu fizer alguma coisa com ela: quem sabe se eu resolvesse abrir o livro e iniciar a leitura desta obra-prima da literatura mundial, três anos depois...
terça-feira, 29 de julho de 2008
reticências para um ser reticente...
... já estava cansado de ir e vir pela mesma rua, procurando inutilmente um número que nunca encontraria inscrito na parede de uma das casas/comércio dali: 1007. toda pessoa que eu encotrava na rua com ares de entregador ou morador antigo era uma esperança...
... eu aéreo no encontro. entrei num lugar escrito XEROX que eu até agora não sei se era um armarinho, uma loja ou uma copiadora. o que eu sei é que um computador sempre estava disponível para quem quisesesse acessar com intenção de gastar 50 centavos por cada folha impressa. eu entrava no lugar, sentava no banco que ficava em frente ao computador, observava a mulher de olhar cansado atrás do balcão e pedia um pen drive prometendo imprimir algumas folhas. depois de percorrer as mensagens que mais me interessavam, eu então selecionava a página e entregava à mulher que abriu um sorriso tímido quando descobriu que eu sou baiano. queria ter conversado mais com ela, mas...
... marquei para quinta-feira. felizmente não fechei horário. da mensagem que recebi em poucos minutos duas combinações de números eram fortes: 12 e 1007. 12h ou meio-dia se referia ao horário em que ela chegava à sede do site. 1007 era o número do lugar, que eu nunca iria encontrar. até o momento em que resolvi ir em busca de uma casa de informática, de preferência tipo aquela em que eu tinha me servido para entrar em contato com a pessoa que agora eu não conseguia encontrar. já numa outra rua entrei numa lan house decidido a resolver logo a pendenga. a tarde já estava caindo e eu teria de voltar logo para a universidade. quanto você vai utilizar?, perguntou-me a recepcionista. uns 20 minutos, respondi. cada dez minutos é um real. como assim? será que eu ouvi bem? quer dizer que estou na lan house mais cara do meu pobre país? o desespero é sempre muito desesperador. sentei em frente ao computador decidido a resolver logo tudo e finalmente encontrar o tal endereço. tive a ligeira impressão que só eu e a recepcionista éramos brasileiros ali. ainda ouvi um som longínquo de conversa alemã. mas logo me detive na mensagem. o computador era lento, pelo menos pelo preço, e meu dinheiro era (é) pouco. tudo isto me fez ir direto ao ponto. vi que ela estava online e parti logo para o bombardeio de mensagens intantâneas. não tive resposta. então abri a mensagem para ler novamente e finalmente vi que o número correto era 45. o 1007 era o número da sala. já!, disse a recepcionista. não tinha nem dado 10 minutos. quanto foi?, perguntei. 1 real, respondeu. entreguei e saí quase correndo. rapidamente encontrei o endereço e subi dez andares para finalmente conhecer a sede do site...
... é, você é sempre muito reticente, me disse a pessoa que eu tanto procurava. adorei a frase, sobretudo pelo caráter instantâneo e espontâneo. eu tinha acabado de conhecer aquela que eu só sabia existir por meio de textos e mensagens espalhados pelo ciberespaço. sim, mas pergunte aí, eu adoro este feedback, me disse ela. e eu alí sem saber o que perguntar. além de reticente, tímido. a conversa foi se arrastando, como a noite, com algumas frases do tipo: esta vista é inspiradora. o thiago saiu agorinha. conta aí alguma novidade...
... e eu preocupado em chegar cedo para uma atividade que nem aconteceu...
voltei. mais reticente do que nunca.
... eu aéreo no encontro. entrei num lugar escrito XEROX que eu até agora não sei se era um armarinho, uma loja ou uma copiadora. o que eu sei é que um computador sempre estava disponível para quem quisesesse acessar com intenção de gastar 50 centavos por cada folha impressa. eu entrava no lugar, sentava no banco que ficava em frente ao computador, observava a mulher de olhar cansado atrás do balcão e pedia um pen drive prometendo imprimir algumas folhas. depois de percorrer as mensagens que mais me interessavam, eu então selecionava a página e entregava à mulher que abriu um sorriso tímido quando descobriu que eu sou baiano. queria ter conversado mais com ela, mas...
... marquei para quinta-feira. felizmente não fechei horário. da mensagem que recebi em poucos minutos duas combinações de números eram fortes: 12 e 1007. 12h ou meio-dia se referia ao horário em que ela chegava à sede do site. 1007 era o número do lugar, que eu nunca iria encontrar. até o momento em que resolvi ir em busca de uma casa de informática, de preferência tipo aquela em que eu tinha me servido para entrar em contato com a pessoa que agora eu não conseguia encontrar. já numa outra rua entrei numa lan house decidido a resolver logo a pendenga. a tarde já estava caindo e eu teria de voltar logo para a universidade. quanto você vai utilizar?, perguntou-me a recepcionista. uns 20 minutos, respondi. cada dez minutos é um real. como assim? será que eu ouvi bem? quer dizer que estou na lan house mais cara do meu pobre país? o desespero é sempre muito desesperador. sentei em frente ao computador decidido a resolver logo tudo e finalmente encontrar o tal endereço. tive a ligeira impressão que só eu e a recepcionista éramos brasileiros ali. ainda ouvi um som longínquo de conversa alemã. mas logo me detive na mensagem. o computador era lento, pelo menos pelo preço, e meu dinheiro era (é) pouco. tudo isto me fez ir direto ao ponto. vi que ela estava online e parti logo para o bombardeio de mensagens intantâneas. não tive resposta. então abri a mensagem para ler novamente e finalmente vi que o número correto era 45. o 1007 era o número da sala. já!, disse a recepcionista. não tinha nem dado 10 minutos. quanto foi?, perguntei. 1 real, respondeu. entreguei e saí quase correndo. rapidamente encontrei o endereço e subi dez andares para finalmente conhecer a sede do site...
... é, você é sempre muito reticente, me disse a pessoa que eu tanto procurava. adorei a frase, sobretudo pelo caráter instantâneo e espontâneo. eu tinha acabado de conhecer aquela que eu só sabia existir por meio de textos e mensagens espalhados pelo ciberespaço. sim, mas pergunte aí, eu adoro este feedback, me disse ela. e eu alí sem saber o que perguntar. além de reticente, tímido. a conversa foi se arrastando, como a noite, com algumas frases do tipo: esta vista é inspiradora. o thiago saiu agorinha. conta aí alguma novidade...
... e eu preocupado em chegar cedo para uma atividade que nem aconteceu...
voltei. mais reticente do que nunca.
quinta-feira, 17 de julho de 2008
o lavrador
volto hoje para informar que partirei sem previsão de voltar, pelo menos para esta página. tantos dias que não escrevo aqui... que só as reticências mesmo para rimarem com existências numa hora desta. está difícil carregar o fardo desta existência maluca. fico pasmo com as loucuras que faço com meu tempo, meu precioso tempo, que corre, sem pressa, de chegar...
não gostaria de encher estas páginas com versos. respeito profundamente a tradição poética. será por isso que não me aventuro tanto pelas veredas da poesia? creio que não... escrever não é tão racional quanto se imagina. às vezes é impulso, simplesmente. você toca e, num instante, um monte de telhados preenchem a página em branco.
mas não foi para fazer telhados que resolvi escrever esta noite. vim aqui transcrever uns versos intimamente relacionados ao nome deste blog: sobre o peso da existência I: o lavrador. dedico este samba de uma nota só a jorge de lima e seu poema do nadador...
meu coração é pesado.
como um fardo de lenha no ombro de um lavrador...
e, nas chegadas, não há como descarregar o peso da viagem sobre o chão da varanda
e, nas auroras, não dá tempo de recolher os galhos mais grossos e levá-los para o terreiro
e, meio-dia, faz-se tudo que é vida em mim um imenso borralho
e, nos alvoreceres, falta vento para acender os ramos com o gás do candeeiro
e, nas noites de frio, impossível se aquecer na fogueira do fardo
e nas madrugadas de medo, cadê minha paz em volta da luz?
me abraço ao travesseiro até arder as pontas dos dedos calejados
e, preso em mim mesmo, me sufoco nas cinzas do fardo...
eu também lavro: a dor
lavra, lavrador.
não gostaria de encher estas páginas com versos. respeito profundamente a tradição poética. será por isso que não me aventuro tanto pelas veredas da poesia? creio que não... escrever não é tão racional quanto se imagina. às vezes é impulso, simplesmente. você toca e, num instante, um monte de telhados preenchem a página em branco.
mas não foi para fazer telhados que resolvi escrever esta noite. vim aqui transcrever uns versos intimamente relacionados ao nome deste blog: sobre o peso da existência I: o lavrador. dedico este samba de uma nota só a jorge de lima e seu poema do nadador...
meu coração é pesado.
como um fardo de lenha no ombro de um lavrador...
e, nas chegadas, não há como descarregar o peso da viagem sobre o chão da varanda
e, nas auroras, não dá tempo de recolher os galhos mais grossos e levá-los para o terreiro
e, meio-dia, faz-se tudo que é vida em mim um imenso borralho
e, nos alvoreceres, falta vento para acender os ramos com o gás do candeeiro
e, nas noites de frio, impossível se aquecer na fogueira do fardo
e nas madrugadas de medo, cadê minha paz em volta da luz?
me abraço ao travesseiro até arder as pontas dos dedos calejados
e, preso em mim mesmo, me sufoco nas cinzas do fardo...
eu também lavro: a dor
lavra, lavrador.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
se todos os dias fossem iguais a você....
ontem cheguei em casa perto de meia-noite depois de ter tentado fazer algo de diferente nesta noite fria. acendi a luz da sala, liguei o computador, vasculhei uns espaços virtuais, pensei em tomar banho (a vontade passou tão rápido...) e antes de escrever algo neste blog (já com a janela aberta e tudo mais) resolvi entrar no quarto.
a cama toda arreganhada era um convite. deitei de costas, sem me preocupar com despertador, afinal de contas, eu ainda iria voltar para a frente desta tela quadrada a fim de escrever qualquer coisa que o momento pedisse. acordei hoje de manhã assustado com as horas, já que tinha um compromisso às 9, e saí de casa sem comer nada. ainda tive de esperar quase uma hora para a reunião começar.
são estas coisas que às vezes me fazem questionar o tempo. tinha uma consulta marcada para hoje à tarde, de tal maneira que desmarquei a edição de um vídeo. minha aula começa às 14h. a idéia era que eu chegasse neste horário para ter envergadura moral de argumentar minha saída para ir ao médico sem levar falta. na reunião, recebi um telefonema da recepcionista do hospital, dizendo que a consulta tinha sido remanejada para sábado de manhã. melhor, pensei. só assim daria para eu assistir aula e, ao invés de argumentar que ía ao médico, tentaria convencer a professora da importância da edição.
a reunião se arrastou até perto de uma e meia da tarde. ainda me distrai um pouco com a internet. saí de casa duas e meia e cheguei à aula perto de quatro horas. na sala, 4 colegas conversavam. hoje não vai ter aula, uma delas me disse. fui à ilha de edição, mesmo já tendo desmarcado tal compromisso. o computador estava fazendo umas gravações, que se arrastariam por um bom tempo. faz o seguinte: a gente começa a edição amanhã, certo?, disse o editor me acenando com o polegar apontado pra cima. por via das dúvidas, acenei também. afinal, amanhã tudo pode acontecer.
fiquei a tarde inteira sem fazer nada que fizesse valer a continuação deste relato. agora eu só quero que o despertador me acorde amanhã...
a cama toda arreganhada era um convite. deitei de costas, sem me preocupar com despertador, afinal de contas, eu ainda iria voltar para a frente desta tela quadrada a fim de escrever qualquer coisa que o momento pedisse. acordei hoje de manhã assustado com as horas, já que tinha um compromisso às 9, e saí de casa sem comer nada. ainda tive de esperar quase uma hora para a reunião começar.
são estas coisas que às vezes me fazem questionar o tempo. tinha uma consulta marcada para hoje à tarde, de tal maneira que desmarquei a edição de um vídeo. minha aula começa às 14h. a idéia era que eu chegasse neste horário para ter envergadura moral de argumentar minha saída para ir ao médico sem levar falta. na reunião, recebi um telefonema da recepcionista do hospital, dizendo que a consulta tinha sido remanejada para sábado de manhã. melhor, pensei. só assim daria para eu assistir aula e, ao invés de argumentar que ía ao médico, tentaria convencer a professora da importância da edição.
a reunião se arrastou até perto de uma e meia da tarde. ainda me distrai um pouco com a internet. saí de casa duas e meia e cheguei à aula perto de quatro horas. na sala, 4 colegas conversavam. hoje não vai ter aula, uma delas me disse. fui à ilha de edição, mesmo já tendo desmarcado tal compromisso. o computador estava fazendo umas gravações, que se arrastariam por um bom tempo. faz o seguinte: a gente começa a edição amanhã, certo?, disse o editor me acenando com o polegar apontado pra cima. por via das dúvidas, acenei também. afinal, amanhã tudo pode acontecer.
fiquei a tarde inteira sem fazer nada que fizesse valer a continuação deste relato. agora eu só quero que o despertador me acorde amanhã...
segunda-feira, 7 de julho de 2008
ao som de nara leão...
hoje não vou dormir em casa. o que, para mim, não é lá grande novidade. não sou de maneira alguma apegado a minha cama, minha mesa, meu lençol, minha rede, meus pesadelos... como amanhã tenho compromisso às 9 por aqui perto, resolvi ficar logo. mas dois amigos tiveram de insistir um pouco para eu me convencer de que estava fazendo algo sensato.
fomos comer pastéis, beber suco, cerveja, refrigerante, conversar sem pressa sobre assuntos banais: curso de inglês, bem que no Brasil poderíamos falar espanhol, crises sentimentais alheios e tudo que passava na janela de nossa consciência durante o percurso. voltamos ao sabor do vento frio que sopra nestes dias raros.
antes de dormir, passei por aqui para abri minha caixa de entrada. agora me lembrei que falta eu enviar uma mensagem lembrando a galera da gravação de um programa de rádio amanhã. mas faço isto daqui a pouco, por enquanto prefiro dizer que não gosto de deitar deixando mensagens à procura de respostas. tenho me agoniado com estas coisas que as pessoas a muito tempo se acostumaram a se agoniar.
hoje quero dormir mais tranquilo. fui deitar na rede depois das 4h da manhã e acordei assustado às 8 e meia. todo atrasado para um compromisso. entrei no chuveiro com medo de tomar um choque térmico, me vesti com as primeiras roupas que encontrei, não tomei café e ainda saí de casa telefonando para informar que chegaria no mínimo 10 minutos atrasado. não sei como, mas ainda consegui chegar alguns segundos cedo.
são as coisas da vida. os dias teimam em se fechar da maneira mais harmoniosa possível e isto é muito bom, afinal de contas, daqui a pouco quero estar na tranqulidade dos sonhos frutrados ontem, que eu só me lembro porque antes de escrever este texto li o título do que escrevi ontem. e meu peito não pára de coçar...
fomos comer pastéis, beber suco, cerveja, refrigerante, conversar sem pressa sobre assuntos banais: curso de inglês, bem que no Brasil poderíamos falar espanhol, crises sentimentais alheios e tudo que passava na janela de nossa consciência durante o percurso. voltamos ao sabor do vento frio que sopra nestes dias raros.
antes de dormir, passei por aqui para abri minha caixa de entrada. agora me lembrei que falta eu enviar uma mensagem lembrando a galera da gravação de um programa de rádio amanhã. mas faço isto daqui a pouco, por enquanto prefiro dizer que não gosto de deitar deixando mensagens à procura de respostas. tenho me agoniado com estas coisas que as pessoas a muito tempo se acostumaram a se agoniar.
hoje quero dormir mais tranquilo. fui deitar na rede depois das 4h da manhã e acordei assustado às 8 e meia. todo atrasado para um compromisso. entrei no chuveiro com medo de tomar um choque térmico, me vesti com as primeiras roupas que encontrei, não tomei café e ainda saí de casa telefonando para informar que chegaria no mínimo 10 minutos atrasado. não sei como, mas ainda consegui chegar alguns segundos cedo.
são as coisas da vida. os dias teimam em se fechar da maneira mais harmoniosa possível e isto é muito bom, afinal de contas, daqui a pouco quero estar na tranqulidade dos sonhos frutrados ontem, que eu só me lembro porque antes de escrever este texto li o título do que escrevi ontem. e meu peito não pára de coçar...
domingo, 6 de julho de 2008
uma tentativa frustrada de dormir sonhando...
fui correr ou telefonar? os dois. ou melhor, fui correr para telefonar. mas não desci correndo. só apressei o passo na hora de atravessar a rua. rua escura esta que passa na frente deste condomínio de um prédio só. joguei o lixo no vaso vazio e segui.
momentos antes, fiz alguns exercícios básicos no quarto, só para aquecer os músculos. já estava cansado de ficar sentado e deitado. a vontade de correr veio junto com a vontade de tomar um banho, o primeiro do dia, e de telefonar para uma velha amiga.
adentrei o parque quase vazio, aqueci o corpo num ventinho frio e raro e saí correndo com o celular/cronômetro na mão. dei a primeira volta no parque colocando o coração pela boca, apesar do ritmo lento de corrida, e cheguei ao ponto exato em que saí aos 6 minutos e 20 e poucos segundo. continuei correndo. com o tempo, fui me adaptando ao ritmo e já conseguia respirar com mais tranquilidade. na segunda volta, o cronômetro marcou 13 minutos. percebi que o suor secava ao sabor do vento frio e me dava um ar gélido. mas decidi fechar os 20 minutos de corrida. tempo marcado pelo cronômetro no momento em que cheguei ao ponto de onde sair três voltas depois.
na última volta, fui caminhando. só assim para recuperar totalmente o fôlego e finalmente telefonar para a velha amiga. quando cheguei ao orelhão já estava decido a telefonar antes para uma entrevistada, no intuito de confirmar a entrevista de amanhã. terminei telefonando para o filho dela, um cara que faria um show dia 11 (ele me disse que mudou para o dia 15), a fim de que ele enviasse o release do show para mim. fiz os telefonemas numa rapidez muito próxima de uma ansiedade. tanto tempo que eu não falo com essa amiga...
boa noite, disse eu, com um sotaque bem característico. boa noite, respondeu de lá minha amiga. é juliana?, perguntei. peraí, respondeu. ou ela foi falar com alguém ou foi fechar a porta da casa, pensei. oi luís!, voltou. sorri. oi juliana, estava aqui correndo e resolvi parar, disse meio sem jeito, já pensando num gancho para iniciar a conversa. mas ela foi logo ao ponto. dá pra você ligar outro horário, é que estou de saída. e eu murchei, como uma bola de soprar murcha quando escapa de nossos dedos no momento exato em que estamos terminando de enchê-la. que horas eu ligo?, perguntei. hum, hoje eu não vou voltar pra casa..., disse ela. então eu ligo outro dia, disse todo desanimado. tá certo, beleza então, tchau..., ela disse, com a mesma entonação de uma porta fechando, aos poucos, ao sopro, de um vento, frio...
e eu nem perguntei se estava tudo bem com ela e ela nem perguntou se podia mesmo desligar o telefone e adiar uma conversa de meses. nem me lembro a última vez que conversei com ela. e duvido muito que ela se lembre. antes conversávamos todos os dias na flor da manhã. eu dormia pra sonhar com ela e acordava para admirá-la, no passo, no riso, nos óculos, na língua molhando os lábios, no cheiro, na luz, no silêncio e no vai-e-vem dos recadinhos no meio da aula.
agora não sei quando tudo convergirá para um telefonema. e duvido muito que ela saiba. entre nós, fica o silêncio matutino de sempre soprando ventos frios.
momentos antes, fiz alguns exercícios básicos no quarto, só para aquecer os músculos. já estava cansado de ficar sentado e deitado. a vontade de correr veio junto com a vontade de tomar um banho, o primeiro do dia, e de telefonar para uma velha amiga.
adentrei o parque quase vazio, aqueci o corpo num ventinho frio e raro e saí correndo com o celular/cronômetro na mão. dei a primeira volta no parque colocando o coração pela boca, apesar do ritmo lento de corrida, e cheguei ao ponto exato em que saí aos 6 minutos e 20 e poucos segundo. continuei correndo. com o tempo, fui me adaptando ao ritmo e já conseguia respirar com mais tranquilidade. na segunda volta, o cronômetro marcou 13 minutos. percebi que o suor secava ao sabor do vento frio e me dava um ar gélido. mas decidi fechar os 20 minutos de corrida. tempo marcado pelo cronômetro no momento em que cheguei ao ponto de onde sair três voltas depois.
na última volta, fui caminhando. só assim para recuperar totalmente o fôlego e finalmente telefonar para a velha amiga. quando cheguei ao orelhão já estava decido a telefonar antes para uma entrevistada, no intuito de confirmar a entrevista de amanhã. terminei telefonando para o filho dela, um cara que faria um show dia 11 (ele me disse que mudou para o dia 15), a fim de que ele enviasse o release do show para mim. fiz os telefonemas numa rapidez muito próxima de uma ansiedade. tanto tempo que eu não falo com essa amiga...
boa noite, disse eu, com um sotaque bem característico. boa noite, respondeu de lá minha amiga. é juliana?, perguntei. peraí, respondeu. ou ela foi falar com alguém ou foi fechar a porta da casa, pensei. oi luís!, voltou. sorri. oi juliana, estava aqui correndo e resolvi parar, disse meio sem jeito, já pensando num gancho para iniciar a conversa. mas ela foi logo ao ponto. dá pra você ligar outro horário, é que estou de saída. e eu murchei, como uma bola de soprar murcha quando escapa de nossos dedos no momento exato em que estamos terminando de enchê-la. que horas eu ligo?, perguntei. hum, hoje eu não vou voltar pra casa..., disse ela. então eu ligo outro dia, disse todo desanimado. tá certo, beleza então, tchau..., ela disse, com a mesma entonação de uma porta fechando, aos poucos, ao sopro, de um vento, frio...
e eu nem perguntei se estava tudo bem com ela e ela nem perguntou se podia mesmo desligar o telefone e adiar uma conversa de meses. nem me lembro a última vez que conversei com ela. e duvido muito que ela se lembre. antes conversávamos todos os dias na flor da manhã. eu dormia pra sonhar com ela e acordava para admirá-la, no passo, no riso, nos óculos, na língua molhando os lábios, no cheiro, na luz, no silêncio e no vai-e-vem dos recadinhos no meio da aula.
agora não sei quando tudo convergirá para um telefonema. e duvido muito que ela saiba. entre nós, fica o silêncio matutino de sempre soprando ventos frios.
sábado, 5 de julho de 2008
eu e as muriçocas
ontem não dormir em casa. verdade seja dita: esta noite praticamente não dormir. fui alvejado por muriçocas sedentas de sangue. não adiantava se cobrir, se remexer, levantar... elas estavam impávidas em todas as partes. estas muriçocas que agora me circulam nem me mobilizam, dada a agressão que eu sofri nesta madrugada.
de manhã, ainda fui acordado cedo por uma pessoa que dormiu de mosqueteiro. eu não merecia isto. seria o caso até de dispensar o café para ficar um pouco mais na cama, aproveitando o sono da manhã, quando as muriçocas já estão acomodadas e satisfeitas de vararem a madrugada sugando o sangue alheio. muriçocas são como morcegos.
até hoje não entendi direito por que morcegos e muriçocas não atuam durante o dia. especulo que, como são seres vivos que se acham reis e rainhas da cocada preta, não gostam de receber a luz da estrela suprema. preferem aproveitar a escuridão do satélite. eu quero mais é que eles se danem...
desde que me reconheço como sou, tenho de lidar com muriçocas. aprendi a ter paciência, a ser compreensivo, a matar, a coçar, a balançar as pernas freneticamente e tantas outras coisas por conta de meua anos de convivência com tais mosquitos. por sinal, tem gente que confunde muriçoca com mosquito. os dicionários adoram inverter, como se fosse a mesma coisa. para mim há uma diferença bem básica: muriçoca quer sangue, mosquito simplesmente incomodar.
mosquito é pirracento. muriçoca só pirraça porque é inevitável. mas na verdade elas querem mesmo é o sangue. é sugar o sangue até estourarem na palma de uma mão assassina. aprendi técnicas de tortura matando muriçocas. primeiro puxa as patas, de uma em uma, e aí vai deixando sem possibilidade de voar. depois larga no chão mesmo, para morrer na sola do pé ou de algum calçado.
já vi que veneno é sempre paliativo. no outro dia, outras virão. cada vez mais decididas, fortalecidas, sedentas. entram sem permissão, encostam sem carinho, invadem e depois abandonam, desprendidas de tudo. como se, no final, tudo realmente se resolvesse.
aprendi a pensar pro-fun-da-men-te depois que conheci as muriçocas.
de manhã, ainda fui acordado cedo por uma pessoa que dormiu de mosqueteiro. eu não merecia isto. seria o caso até de dispensar o café para ficar um pouco mais na cama, aproveitando o sono da manhã, quando as muriçocas já estão acomodadas e satisfeitas de vararem a madrugada sugando o sangue alheio. muriçocas são como morcegos.
até hoje não entendi direito por que morcegos e muriçocas não atuam durante o dia. especulo que, como são seres vivos que se acham reis e rainhas da cocada preta, não gostam de receber a luz da estrela suprema. preferem aproveitar a escuridão do satélite. eu quero mais é que eles se danem...
desde que me reconheço como sou, tenho de lidar com muriçocas. aprendi a ter paciência, a ser compreensivo, a matar, a coçar, a balançar as pernas freneticamente e tantas outras coisas por conta de meua anos de convivência com tais mosquitos. por sinal, tem gente que confunde muriçoca com mosquito. os dicionários adoram inverter, como se fosse a mesma coisa. para mim há uma diferença bem básica: muriçoca quer sangue, mosquito simplesmente incomodar.
mosquito é pirracento. muriçoca só pirraça porque é inevitável. mas na verdade elas querem mesmo é o sangue. é sugar o sangue até estourarem na palma de uma mão assassina. aprendi técnicas de tortura matando muriçocas. primeiro puxa as patas, de uma em uma, e aí vai deixando sem possibilidade de voar. depois larga no chão mesmo, para morrer na sola do pé ou de algum calçado.
já vi que veneno é sempre paliativo. no outro dia, outras virão. cada vez mais decididas, fortalecidas, sedentas. entram sem permissão, encostam sem carinho, invadem e depois abandonam, desprendidas de tudo. como se, no final, tudo realmente se resolvesse.
aprendi a pensar pro-fun-da-men-te depois que conheci as muriçocas.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
o dia em que fui atropelado por uma moto...
agora, tentando me lembrar as cenas da moto entrando na lateral da bicicleta e me jogando num lugar incerto, só consigo ouvir um grito seco misturado com o som estridente de ferros se encontrando. foi o grito da morte no meio da rua.
eu saí de casa sem pressa. pouco depois das duas horas da tarde. a idéia era que três horas eu tocasse a campainha da casa de minha professora. uma colega quase clamou minha presença neste encontro. antes de abri o portão, certifiquei-me de que a câmera fotográfica estava em minha bolsa.
é que no meio do caminho há uma ponte. há uma ponte no meio do caminho. e pessoas trabalhando na duplicação desta ponte. e eu sou meio fissurado em fotografar estas coisas assim que as pessoas nem costumam olhar: homens trabalhando, um buraco no banheiro da barca, alguém dormindo na calçada depois do almoço e por aí vai.
e por ali eu fui indo. subi as escadas de concreto carregando a bicicleta e o peso de um sol acolhedor. logo vi uma cena que daria uma boa fotografia. mas preferi seguir adiante. tinha algumas pessoas pintando a balaustrada que dificulta (mas nem tanto assim) as pessoas que desejam se jogar da ponte. saquei minha máquina e tirei umas fotos. segui...
na altura do arco, dei um tempo. trabalhadores pintavam lá em cima. fiquei fotografando até chegar à conclusão de que poderia ser indelicado com minha colega e minha professora. então peguei a carona de um bicicleteiro. ele foi abrindo caminhos. para não carregar a bicicleta, resolvi só descer na rampa.
com pouco tempo estava solto na rua, atravessando na faixa a primeira sinaleira. como se fosse um pedestre de bicicleta. passei rápido por um congestionamento provocado pela ausência de lugar para estacionar na rua. e segui pedalando até chegar na encruzilhada, onde cinco sinais diferentes tentam ordenar o trânsito.
não sei ao certo se eu cheguei a parar minha bicicleta. mas observei que um sinal do outro lado da faixa de motoristas estava fechado. o mais próximo da faixa. tanto assim que uma pequena fila de carros se posicionava à espera da luz verde, que acesa logo ao lado (são duas faixas diferentes num mesmo lado) apontava trinta e poucos segundos. foi a última coisa que vi quando pedalei para o terno (e eterno) encontro com uma moto, que vinha reta e decidida a seguir pela avenida.
nem sei onde o lado esquerdo do meu rosto bateu. se foi na moto, no capacete, no chão, na bicicleta. não sei também se eu cheguei a cair de se esparramar no chão como um pacote de arroz. acho que sim. mas devo ter levantado tão rápido que nem percebi. só vi o rapaz da moto contrariado com minha displicência e levantando do asfalto para não atrapalhar o tráfego. pegou a moto e se encostou no meio fio. peguei minha bicicleta e fiquei indeciso, se ía embora de qualquer jeito ou se me encostava ao meio fio para tentar um diálogo com o rapaz. optei meio trêmulo de vergonha pela segunda opção.
em volta, todo mundo estava preocupado em saber se eu estava bem. sim, tentei explicar. como assim? tentaram me dizer. você não teve nada? quem vê de fora tem outra perspectiva. algumas pessoas acharam que foi um acidente digno de samu. mas eu levantei tão determinado a resolver a pendenga logo e me safar daquela situação constrangedora que só fizeram me mostrar um espelho. venha vê seu rosto, parece que tem uma veia próximo a seu olho...
encostei a bicicleta no meio fio e entrei numa loja de bijoteria, suponho. só amanhã para saber o que se vende lá. realmente, tem um hematoma crescendo em meu rosto. vá para a emergência do semec, alguém disse. fiquei surpreso e receoso ao mesmo tempo. já tive coisa pior e me tratei em casa mesmo, com gelo e gelou. dei meu telefone ao rapaz, que até agora não sei o nome. mais tarde ele me encontraria na universidade já portando o orçamento do conserto da moto: 121 reais e eu daria a ele, para adiantar, os 37 reais que residiam em minha bolsa.
fui pedalando para o semec. o sol queimando meu rosto só fazia aumentar minha angústia, que misturada à dor dava uma vontade de voltar pra casa. aqui nós não tiramos raio x, você tem de ir para a pró-matre ou para a santa clara, mas é melhor a pró-matre. lá fui eu para a pró-matre. já cheguei pedindo um raio x. o médico imediatamente atendeu meu pedido e me encaminhou. passei por umas cinco mãos (até injeção tomei) antes de retornar à cadeira onde o médico atende todos os pacientes com suas letras de médico. você não teve nenhuma fratura. só um trauma mesmo.
realmente, estou traumatizado com motos e luzes verdes.
eu saí de casa sem pressa. pouco depois das duas horas da tarde. a idéia era que três horas eu tocasse a campainha da casa de minha professora. uma colega quase clamou minha presença neste encontro. antes de abri o portão, certifiquei-me de que a câmera fotográfica estava em minha bolsa.
é que no meio do caminho há uma ponte. há uma ponte no meio do caminho. e pessoas trabalhando na duplicação desta ponte. e eu sou meio fissurado em fotografar estas coisas assim que as pessoas nem costumam olhar: homens trabalhando, um buraco no banheiro da barca, alguém dormindo na calçada depois do almoço e por aí vai.
e por ali eu fui indo. subi as escadas de concreto carregando a bicicleta e o peso de um sol acolhedor. logo vi uma cena que daria uma boa fotografia. mas preferi seguir adiante. tinha algumas pessoas pintando a balaustrada que dificulta (mas nem tanto assim) as pessoas que desejam se jogar da ponte. saquei minha máquina e tirei umas fotos. segui...
na altura do arco, dei um tempo. trabalhadores pintavam lá em cima. fiquei fotografando até chegar à conclusão de que poderia ser indelicado com minha colega e minha professora. então peguei a carona de um bicicleteiro. ele foi abrindo caminhos. para não carregar a bicicleta, resolvi só descer na rampa.
com pouco tempo estava solto na rua, atravessando na faixa a primeira sinaleira. como se fosse um pedestre de bicicleta. passei rápido por um congestionamento provocado pela ausência de lugar para estacionar na rua. e segui pedalando até chegar na encruzilhada, onde cinco sinais diferentes tentam ordenar o trânsito.
não sei ao certo se eu cheguei a parar minha bicicleta. mas observei que um sinal do outro lado da faixa de motoristas estava fechado. o mais próximo da faixa. tanto assim que uma pequena fila de carros se posicionava à espera da luz verde, que acesa logo ao lado (são duas faixas diferentes num mesmo lado) apontava trinta e poucos segundos. foi a última coisa que vi quando pedalei para o terno (e eterno) encontro com uma moto, que vinha reta e decidida a seguir pela avenida.
nem sei onde o lado esquerdo do meu rosto bateu. se foi na moto, no capacete, no chão, na bicicleta. não sei também se eu cheguei a cair de se esparramar no chão como um pacote de arroz. acho que sim. mas devo ter levantado tão rápido que nem percebi. só vi o rapaz da moto contrariado com minha displicência e levantando do asfalto para não atrapalhar o tráfego. pegou a moto e se encostou no meio fio. peguei minha bicicleta e fiquei indeciso, se ía embora de qualquer jeito ou se me encostava ao meio fio para tentar um diálogo com o rapaz. optei meio trêmulo de vergonha pela segunda opção.
em volta, todo mundo estava preocupado em saber se eu estava bem. sim, tentei explicar. como assim? tentaram me dizer. você não teve nada? quem vê de fora tem outra perspectiva. algumas pessoas acharam que foi um acidente digno de samu. mas eu levantei tão determinado a resolver a pendenga logo e me safar daquela situação constrangedora que só fizeram me mostrar um espelho. venha vê seu rosto, parece que tem uma veia próximo a seu olho...
encostei a bicicleta no meio fio e entrei numa loja de bijoteria, suponho. só amanhã para saber o que se vende lá. realmente, tem um hematoma crescendo em meu rosto. vá para a emergência do semec, alguém disse. fiquei surpreso e receoso ao mesmo tempo. já tive coisa pior e me tratei em casa mesmo, com gelo e gelou. dei meu telefone ao rapaz, que até agora não sei o nome. mais tarde ele me encontraria na universidade já portando o orçamento do conserto da moto: 121 reais e eu daria a ele, para adiantar, os 37 reais que residiam em minha bolsa.
fui pedalando para o semec. o sol queimando meu rosto só fazia aumentar minha angústia, que misturada à dor dava uma vontade de voltar pra casa. aqui nós não tiramos raio x, você tem de ir para a pró-matre ou para a santa clara, mas é melhor a pró-matre. lá fui eu para a pró-matre. já cheguei pedindo um raio x. o médico imediatamente atendeu meu pedido e me encaminhou. passei por umas cinco mãos (até injeção tomei) antes de retornar à cadeira onde o médico atende todos os pacientes com suas letras de médico. você não teve nenhuma fratura. só um trauma mesmo.
realmente, estou traumatizado com motos e luzes verdes.
quarta-feira, 2 de julho de 2008
olhos inquietos
já estou cansado de iniciar minha escrita neste blog justificando a ausência de texto no dia anterior. mas ontem realmente cheguei em casa com uma dor funda na testa, que eu não sabia se era fome ou óculos. fiz um cuscuz às pressas e comi. coloquei os óculos e liguei o computador. nada resolvido. para me consolar, o sinal da internet caiu. fui dormir.
acordei com a queda do despertador/celular. ele vibra e toca ao mesmo tempo na hora do alarme. levantei espantando sonhos que agora só saberia relatar vagamente apesar de ter sido tão real... quando tento recordar sonhos me dou conta do embaraço que a vida é. melhor deixá-lo preso ao lençol desalinhado sobre a cama.
acordei pensando que dormir é uma arte. por pouco não voltei pra cama, afinal de contas, até onde sei não tenho nenhum compromisso hoje. mas deixa pra lá. estou aqui, em frente a esta tela quadrada, sem óculos, os olhos inquietos que mais lembram o despertador/celular vibrando. parece que de vez em quando uma coisa puxa meu olho esquerdo para o lado.
não me adaptei aos óculos. desde que os adquiri me dei conta que enxergo melhor sem eles. portanto, não vejo a mínima necessidade de usá-los. aliás, quando os olhos lacrimejam eu repenso e coloco. fico ainda mais aéreo, desatento, lento, tento em vão escrever alguma coisa. com os óculos as palavras não fluem. parece que definitivamente perdi o hábito de escrever no caderno, com lápis ou caneta. agora tudo é digitado, digitalizado, formatado...
vou retomar meus apontamentos o mais rápido possível. estes dias escrevendo este diário virtual já me deram a exata noção da coisa: para apaziguar meus olhos inquietos só a fluência de uma página escrita numa folha de papel.
acordei com a queda do despertador/celular. ele vibra e toca ao mesmo tempo na hora do alarme. levantei espantando sonhos que agora só saberia relatar vagamente apesar de ter sido tão real... quando tento recordar sonhos me dou conta do embaraço que a vida é. melhor deixá-lo preso ao lençol desalinhado sobre a cama.
acordei pensando que dormir é uma arte. por pouco não voltei pra cama, afinal de contas, até onde sei não tenho nenhum compromisso hoje. mas deixa pra lá. estou aqui, em frente a esta tela quadrada, sem óculos, os olhos inquietos que mais lembram o despertador/celular vibrando. parece que de vez em quando uma coisa puxa meu olho esquerdo para o lado.
não me adaptei aos óculos. desde que os adquiri me dei conta que enxergo melhor sem eles. portanto, não vejo a mínima necessidade de usá-los. aliás, quando os olhos lacrimejam eu repenso e coloco. fico ainda mais aéreo, desatento, lento, tento em vão escrever alguma coisa. com os óculos as palavras não fluem. parece que definitivamente perdi o hábito de escrever no caderno, com lápis ou caneta. agora tudo é digitado, digitalizado, formatado...
vou retomar meus apontamentos o mais rápido possível. estes dias escrevendo este diário virtual já me deram a exata noção da coisa: para apaziguar meus olhos inquietos só a fluência de uma página escrita numa folha de papel.
segunda-feira, 30 de junho de 2008
toda ausência é atrevida...
as pessoas que acompanham os textos postados neste blog devem ter percebido que já faz mais de uma semana que eu não escrevo nada por aqui. verdade seja dita: desde o dia 18 de junho eu não abro este endereço eletrônico. ele não é nem de longe meu lugar preferido nesta rede infinita e assustadora chamada internet. só abro quando me sinto na obrigação de escrever, sobretudo por respeito ao leitor.
nesta minha longamente curta ausência me ocupei de outras coisas. principalmente de pré-ocupações. andei abrindo outros links, encarando outras palavras, escutando outros discursos, peregrinando por outros pastos. a ponta de meus dedos acompanharam sempre meus fios de cabelo nesta lida diária. por diversas vezes tive de me recolher ao silêncio mais perturbador possível para reconhecer que quase sempre não tenho nada a dizer deveras e qualquer pergunta a este respeito não passa de uma aporrinhação.
por isso, prefiro muito mais observar a ser observado, ler a escrever, pensar a fazer, sentar a correr, contemplar a refletir... não sou oswald para fazer telhados, mas às vezes sinto certa necessidade de jogar um cobertor sobre os pensamentos. e deixá-los em suspensão perpétua.
hoje estive na fila do restaurante popular, tentando conciliar a espera com a leitura da piauí do mês que se avizinha. por sinal, que prontidão! eu abri a revista e logo percebi a presença de um rapaz mais exaltado, quebrando o silêncio intransponível da fila absorta das barrigas vazias. foi ele se aproximar e um cheiro forte de cachaça se espalhar. tentou me oferecer um caderninho, do qual nem quis tomar conhecimento. o rapaz que estava em minha frente terminou aceitando. e firmou o compromisso tácito de alimentar a fome de diálogo do estado alterado de consciência.
fiquei folheando a revista, à procura de um texto que coubesse nos poucos minutos de espera. o rapaz embriagado sussurrou algo que me identificava com um jornalista e emendou: "você nem sabe o que está lendo...". confirmei balançando a cabeça e com um sorriso dividido entre a ironia e a ausência de graça. fazer o quê? vai ver ele tem razão...
a literatura da oralidade cuspida no meio da rua (ou no meio de uma fila) é muito mais rica do que boa parte dos romances distribuídos em pratos rasos nos espaços de assimilação das informações. acredito muito mais numa frase assim, dita ao acaso, do que em muitas leituras imbuídas de verdades a priori inquebrantáveis. mesmo que, para tanto, muitas consciências tenham de se ausentar por um tempo indeterminado.
até o retorno, tudo pode estar diferente. folhas espalhadas no chão, deslocamentos, gavetas reviradas, transformações, lacunas e, principalmente, ausências. voltei para ficar!
nesta minha longamente curta ausência me ocupei de outras coisas. principalmente de pré-ocupações. andei abrindo outros links, encarando outras palavras, escutando outros discursos, peregrinando por outros pastos. a ponta de meus dedos acompanharam sempre meus fios de cabelo nesta lida diária. por diversas vezes tive de me recolher ao silêncio mais perturbador possível para reconhecer que quase sempre não tenho nada a dizer deveras e qualquer pergunta a este respeito não passa de uma aporrinhação.
por isso, prefiro muito mais observar a ser observado, ler a escrever, pensar a fazer, sentar a correr, contemplar a refletir... não sou oswald para fazer telhados, mas às vezes sinto certa necessidade de jogar um cobertor sobre os pensamentos. e deixá-los em suspensão perpétua.
hoje estive na fila do restaurante popular, tentando conciliar a espera com a leitura da piauí do mês que se avizinha. por sinal, que prontidão! eu abri a revista e logo percebi a presença de um rapaz mais exaltado, quebrando o silêncio intransponível da fila absorta das barrigas vazias. foi ele se aproximar e um cheiro forte de cachaça se espalhar. tentou me oferecer um caderninho, do qual nem quis tomar conhecimento. o rapaz que estava em minha frente terminou aceitando. e firmou o compromisso tácito de alimentar a fome de diálogo do estado alterado de consciência.
fiquei folheando a revista, à procura de um texto que coubesse nos poucos minutos de espera. o rapaz embriagado sussurrou algo que me identificava com um jornalista e emendou: "você nem sabe o que está lendo...". confirmei balançando a cabeça e com um sorriso dividido entre a ironia e a ausência de graça. fazer o quê? vai ver ele tem razão...
a literatura da oralidade cuspida no meio da rua (ou no meio de uma fila) é muito mais rica do que boa parte dos romances distribuídos em pratos rasos nos espaços de assimilação das informações. acredito muito mais numa frase assim, dita ao acaso, do que em muitas leituras imbuídas de verdades a priori inquebrantáveis. mesmo que, para tanto, muitas consciências tenham de se ausentar por um tempo indeterminado.
até o retorno, tudo pode estar diferente. folhas espalhadas no chão, deslocamentos, gavetas reviradas, transformações, lacunas e, principalmente, ausências. voltei para ficar!
quarta-feira, 18 de junho de 2008
sobre o sufocamento da existência
atolado de coisas pra fazer, vou caminhando solto pela rua estreita. quanto mais há o que se fazer, mais o que se fazer aparece. sorrateiramente, como as paredes noturnas me espreitam nestas andanças loucas pelas esquinas.
até para enfiar o dedo no nariz tenho que me ater ao tempo. não posso demorar mais de 5 segundos com o dedo em cada narina, senão corro o risco de me atrasar para algum compromisso. estes compromissos que eu mesmo invento, e depois me escravizo.
mas sempre há o amanhã. ou não? pensar no amanhã é algo inútil, que só faz atrasar as coisas. a perspectiva de um amanhã é ao mesmo tempo acolhedora e cruel. significa dizer que eu não preciso matar e morrer hoje, mas amanhã sim. amanhã eu mato e morro.
as manhãs se apresentam sempre muito mais produtivas do que os outros turnos do dia. seja pela proximidade do sonho, seja pela energia de estar iniciando mais um dia, seja pelo clima ameno, seja por ser manhã e rimar com amanhã.
tarde rima com arde e noite com açoite. nada como um dia após o outro.
até para enfiar o dedo no nariz tenho que me ater ao tempo. não posso demorar mais de 5 segundos com o dedo em cada narina, senão corro o risco de me atrasar para algum compromisso. estes compromissos que eu mesmo invento, e depois me escravizo.
mas sempre há o amanhã. ou não? pensar no amanhã é algo inútil, que só faz atrasar as coisas. a perspectiva de um amanhã é ao mesmo tempo acolhedora e cruel. significa dizer que eu não preciso matar e morrer hoje, mas amanhã sim. amanhã eu mato e morro.
as manhãs se apresentam sempre muito mais produtivas do que os outros turnos do dia. seja pela proximidade do sonho, seja pela energia de estar iniciando mais um dia, seja pelo clima ameno, seja por ser manhã e rimar com amanhã.
tarde rima com arde e noite com açoite. nada como um dia após o outro.
terça-feira, 17 de junho de 2008
à espera de uma mensagem...
ontem não escrevi. digamos que foi um dia tão cansativo que só tive coragem de ligar o computador para ver se tinha alguma mensagem não lida na caixa de entrada do gmail. ultimamente, vivo refém destas mensagens. só tenho ânimo de ligar o computador para ver se tem alguma mensagem fresquinha esperando por meu clique.
não é interessante viver assim. estou aqui ralando a cabeça num texto teórico-metodológico, cheio de conceitos chatos e rebuscados, e, vez por outra, coloco o computador para carregar meu e-mail. abro, vejo que recebi mais uma mensagem de uma lista de discussão. e eu não estou a fim de discutir nada hoje. então, fecho, antes que alguém entre nos contatos rápidos e puxe uma conversa brochante.
aí volto para o desgaste de sair procurando agulha no palheiro de teóricos construcionistas. faço uma grande colcha de retalhos, tendo o cuidado de transformar as palavras sem mudar o discurso, coloco observações pessoais sobre a cobertura de um jornal de veiculação nacional ao episódio da prisão do sargento do exército e entrego ao professor.
o ideal é que tenha umas seis páginas: aí vou engomando, enrolando, confundindo cada vez mais a ponto de eu nem saber para onde ir. então deságuo aqui, com a lembrança de que não postei nada hoje e já está próximo de eu me retirar do front de batalha mental e dedal.
pior ainda será se eu for para a final. aí é que será dose. ter de vir pra cá na próxima semana não está em meus planos mais pessimistas, mas é algo que pode acontecer. basta o professor não gostar de meu texto ou sei lá o quê. estas coisas são tão subjetivas...
antes de dormir ainda darei uma olhada na caixa de entrada de meu e-mail. isto eu sei.
não é interessante viver assim. estou aqui ralando a cabeça num texto teórico-metodológico, cheio de conceitos chatos e rebuscados, e, vez por outra, coloco o computador para carregar meu e-mail. abro, vejo que recebi mais uma mensagem de uma lista de discussão. e eu não estou a fim de discutir nada hoje. então, fecho, antes que alguém entre nos contatos rápidos e puxe uma conversa brochante.
aí volto para o desgaste de sair procurando agulha no palheiro de teóricos construcionistas. faço uma grande colcha de retalhos, tendo o cuidado de transformar as palavras sem mudar o discurso, coloco observações pessoais sobre a cobertura de um jornal de veiculação nacional ao episódio da prisão do sargento do exército e entrego ao professor.
o ideal é que tenha umas seis páginas: aí vou engomando, enrolando, confundindo cada vez mais a ponto de eu nem saber para onde ir. então deságuo aqui, com a lembrança de que não postei nada hoje e já está próximo de eu me retirar do front de batalha mental e dedal.
pior ainda será se eu for para a final. aí é que será dose. ter de vir pra cá na próxima semana não está em meus planos mais pessimistas, mas é algo que pode acontecer. basta o professor não gostar de meu texto ou sei lá o quê. estas coisas são tão subjetivas...
antes de dormir ainda darei uma olhada na caixa de entrada de meu e-mail. isto eu sei.
domingo, 15 de junho de 2008
debalde...
hoje foi um domingo pleno. eu vi o dia passar em frente ao computador, com algumas poucas pausas para reflexão. sim, em frente a esta máquina o que menos eu faço é refletir. não dá tempo...
são tantas informações sendo despejadas de uma só vez, que eu me sinto uma piaba tentando submergir ante a abertura das compotas de sobradinho, nos raros períodos de cheia. ontem assisti à greve de fome do velho chico, de um cineasta chato chamado carlos pronzato. é meio sem graça assistir a um filme que você já sabe como termina.
mas não era sobre isto que eu queria falar. como eu estava dizendo (ou melhor, escrevendo), hoje eu vi o domingo passar. passei este dia que dizem ser de descanso queimando neurônios em frente a esta tela quadrada (um dia eu fico quadrado). e, agora, me dou conta de que tem tanta coisa ainda para eu fazer que um domingo só por semana não chega nem perto.
amanhã já tenho dois compromissos marcados. estou à espera de resposta sobre um terceiro. todos a partir da segunda metade do dia. ou seja, a manhã é livre. nem tanto assim. vou ter de ir ali entregar uma cópia de um jornal, devo pegar um livro na biblioteca, talvez eu ainda encontre por lá um cara que me prenda numa masturbação mental sem perspectivas de gozo...
não, não vou pensar nisto. sou novo demais para sofrer por antecipação. tenho de viver o momento, escrever carpie diem no pulso direito, baixar o msn, criar uma comunidade só minha no orkut, ir ao parque fazer ginástica e trocar olhares com meninos e meninas, ir à orla ver o pôr-do-sol e escrever uma poesia sobre a banalidade, o vazio, o vácuo, o nada...
quer saber do quê mais: eu escrevi para dizer que debalde não tem nada a ver com em vão. são falso cognatas, em minha pobre opinião de lingüísta (que saco ficar colocando trema nas palavras...). trema sim se parece demais com ¨. por causa da insignificância. trema, que palavra mais sem graça.
ou o domingo é que não tem graça nenhuma? (é sempre assim: eu tenho de terminar com uma pergunta!)
são tantas informações sendo despejadas de uma só vez, que eu me sinto uma piaba tentando submergir ante a abertura das compotas de sobradinho, nos raros períodos de cheia. ontem assisti à greve de fome do velho chico, de um cineasta chato chamado carlos pronzato. é meio sem graça assistir a um filme que você já sabe como termina.
mas não era sobre isto que eu queria falar. como eu estava dizendo (ou melhor, escrevendo), hoje eu vi o domingo passar. passei este dia que dizem ser de descanso queimando neurônios em frente a esta tela quadrada (um dia eu fico quadrado). e, agora, me dou conta de que tem tanta coisa ainda para eu fazer que um domingo só por semana não chega nem perto.
amanhã já tenho dois compromissos marcados. estou à espera de resposta sobre um terceiro. todos a partir da segunda metade do dia. ou seja, a manhã é livre. nem tanto assim. vou ter de ir ali entregar uma cópia de um jornal, devo pegar um livro na biblioteca, talvez eu ainda encontre por lá um cara que me prenda numa masturbação mental sem perspectivas de gozo...
não, não vou pensar nisto. sou novo demais para sofrer por antecipação. tenho de viver o momento, escrever carpie diem no pulso direito, baixar o msn, criar uma comunidade só minha no orkut, ir ao parque fazer ginástica e trocar olhares com meninos e meninas, ir à orla ver o pôr-do-sol e escrever uma poesia sobre a banalidade, o vazio, o vácuo, o nada...
quer saber do quê mais: eu escrevi para dizer que debalde não tem nada a ver com em vão. são falso cognatas, em minha pobre opinião de lingüísta (que saco ficar colocando trema nas palavras...). trema sim se parece demais com ¨. por causa da insignificância. trema, que palavra mais sem graça.
ou o domingo é que não tem graça nenhuma? (é sempre assim: eu tenho de terminar com uma pergunta!)
sábado, 14 de junho de 2008
quando a leveza pesa...
este foi um daqueles dias em que não se sente a passagem das horas, posto que o pensamento voa em círculos e volta à origem de todas as coisas. fiquei ruminando o tempo, tentando encarar as obrigações com serenidade. confiando sempre que no fim dá certo...
por isso, me contentei em concluir um texto pela manhã, em não telefonar para quem devia, em deitar na cama e levantar sem pressa e, sobretudo, em não fazer nada. hoje foi um daqueles dias em que o melhor que eu poderia fazer era ficar em casa comigo mesmo. e fiz. mas esta próxima semana será corrida...
dead line, trabalho para entregar até sexta, programas para gravar até sexta, reunião de projeto de pesquisa, notas, entrevistas, apuração... sou um incansável aspirante ao jornalismo. todo mundo que almeja adentrar este mundo deve logo se habituar a não se contentar com migalhas, principalmente em se tratando de informações.
também não deve querer apalpar tudo com apenas duas mãos e um coração. para rimar, só dá frustração... tem uma frase que eu nunca me esqueço: "a totalidade é inapreensível". foi uma professora que disse certa vez, e eu me lembro que anotei na folha de caderno. mas nunca reli. ficou na memória mesmo, presa a outras frases e imagens de tempos passados.
somos seres intrinsecamente parciais. olhamos para o mundo sempre com uma visão parcial. não podemos, por exemplo, enxergar o que vem de trás. nossos lados são desfocados. nossa frente, muitas vezes, é ilusória. são máscaras sociais, muros intransponíveis, mentiras sinceras... tudo isto nos constitui.
e quando a leveza pesa sobre nossos ombros ficamos um pouco mais corcundas.
por isso, me contentei em concluir um texto pela manhã, em não telefonar para quem devia, em deitar na cama e levantar sem pressa e, sobretudo, em não fazer nada. hoje foi um daqueles dias em que o melhor que eu poderia fazer era ficar em casa comigo mesmo. e fiz. mas esta próxima semana será corrida...
dead line, trabalho para entregar até sexta, programas para gravar até sexta, reunião de projeto de pesquisa, notas, entrevistas, apuração... sou um incansável aspirante ao jornalismo. todo mundo que almeja adentrar este mundo deve logo se habituar a não se contentar com migalhas, principalmente em se tratando de informações.
também não deve querer apalpar tudo com apenas duas mãos e um coração. para rimar, só dá frustração... tem uma frase que eu nunca me esqueço: "a totalidade é inapreensível". foi uma professora que disse certa vez, e eu me lembro que anotei na folha de caderno. mas nunca reli. ficou na memória mesmo, presa a outras frases e imagens de tempos passados.
somos seres intrinsecamente parciais. olhamos para o mundo sempre com uma visão parcial. não podemos, por exemplo, enxergar o que vem de trás. nossos lados são desfocados. nossa frente, muitas vezes, é ilusória. são máscaras sociais, muros intransponíveis, mentiras sinceras... tudo isto nos constitui.
e quando a leveza pesa sobre nossos ombros ficamos um pouco mais corcundas.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
quando o cansaço chegar...
já estou entre bêbado e sonâmbulo. é impossível distinguir, neste momento, o que é sono e o que é cansaço. tudo que meus olhos pedem é um encontro caloroso com o lençol. queria terminar um texto ainda hoje, mas talvez seja prejudicial para ambos. a manhã sempre é mais receptiva, cabeça fresca, sem muriçoca...
tenho percebido que quanto mais eu leio antes de escrever sobre um determinado assunto, menos minha produção fica autoral. o mais indicado seria eu iniciar minha escrita e depois procurar subsídios, personagens, outras vozes...
mas eu sempre parto do contrário, e depois tudo fica mais difícil. nossa, não sei mesmo como estou conseguindo digitar. minha consciência está em outra órbita. vou dormir!
tenho percebido que quanto mais eu leio antes de escrever sobre um determinado assunto, menos minha produção fica autoral. o mais indicado seria eu iniciar minha escrita e depois procurar subsídios, personagens, outras vozes...
mas eu sempre parto do contrário, e depois tudo fica mais difícil. nossa, não sei mesmo como estou conseguindo digitar. minha consciência está em outra órbita. vou dormir!
quinta-feira, 12 de junho de 2008
no estado de espera...
eu tinha realmente muita coisa pra fazer, cheguei mais cedo do que minha vontade queria porque, deveras, eu tinha algumas coisas para adiantar antes de dormir. agora vou dormir com tudo adiado. só não quero adiar o compromisso que já havia firmado antes. amanhã tenho uma entrevista marcada às 9. vou pedalando. daqui pra lá deve ser quase uma hora de bicicleta. então tenho de sair por volta das 8, acordar no máximo 7 e meia para espiar minha caixa de entrada e comer alguma coisa, ligar confirmando no primeiro orelhão e, se tudo der certo, seguir em frente.
é assim que se faz. o dead line tá chegando... hoje era para eu ter adiantado uma outra colaboração, mas não deu. eu tinha de ouvir os discos que comprei, por impulso puramente. eu já havia saído atrasado para assitir a uma apresentação, mas quando vi luiz gonzaga ao lado de gonzaguinha dando sopa entre tantos outros discos tive de parar a bicicleta. nestas horas, o tempo passa tão rápido...
guardei sete discos em minha bolsa e prossegui com 10 reais a menos. só ando gastando dinheiro com isto ultimamente. não compro roupa, minha sandália dura sete meses, comida pego no cartão, cd's e dvd's só se for emprestado, baterias recarregáveis, lanche nem pensar e vou a qualquer lugar de bicicleta. por sinal, preciso colocá-la numa borracharia. mas, por enquanto, não dá.
hoje minha mãe ligou pedindo que eu depositasse um dinheiro na conta de um irmão. até eu conquistar minha independência financeira este fato será recorrente. aí eu tenho de deixar o que estou fazendo para ir a um caixa mais próximo tentar transferir. quando dou o azar de não encontrar caixa próximo, faço como hoje: vou pedalando até o centro e daí adianto pra casa mais cedo do que minha vontade pedia.
mas, como diria o mestre guima (guimarães rosa): "quem ama é sempre escravo, mas não obedece nunca de verdade". chego em casa e, ao invés de fazer o que me propus, ligo a radiola e me dano a ouvir os discos recém-adquiridos. para não dizer que não fiz nada, abro o livro do entrevistado de amanhã e passo os olhos em algumas páginas. o disco vai chegando ao fim, o sono vai se aproveitando do cansaço, a leitura do livro gira em círculo, já que o mesmo é redundante, lembro de que não escrevi nada em meu blog hoje e sento em frente ao computador, que repousa no estado de espera.
abro esta janela imaginando que toda espera é sempre recompensada, mas que recompensa terar o paciente leitor que leu estas linhas?
é assim que se faz. o dead line tá chegando... hoje era para eu ter adiantado uma outra colaboração, mas não deu. eu tinha de ouvir os discos que comprei, por impulso puramente. eu já havia saído atrasado para assitir a uma apresentação, mas quando vi luiz gonzaga ao lado de gonzaguinha dando sopa entre tantos outros discos tive de parar a bicicleta. nestas horas, o tempo passa tão rápido...
guardei sete discos em minha bolsa e prossegui com 10 reais a menos. só ando gastando dinheiro com isto ultimamente. não compro roupa, minha sandália dura sete meses, comida pego no cartão, cd's e dvd's só se for emprestado, baterias recarregáveis, lanche nem pensar e vou a qualquer lugar de bicicleta. por sinal, preciso colocá-la numa borracharia. mas, por enquanto, não dá.
hoje minha mãe ligou pedindo que eu depositasse um dinheiro na conta de um irmão. até eu conquistar minha independência financeira este fato será recorrente. aí eu tenho de deixar o que estou fazendo para ir a um caixa mais próximo tentar transferir. quando dou o azar de não encontrar caixa próximo, faço como hoje: vou pedalando até o centro e daí adianto pra casa mais cedo do que minha vontade pedia.
mas, como diria o mestre guima (guimarães rosa): "quem ama é sempre escravo, mas não obedece nunca de verdade". chego em casa e, ao invés de fazer o que me propus, ligo a radiola e me dano a ouvir os discos recém-adquiridos. para não dizer que não fiz nada, abro o livro do entrevistado de amanhã e passo os olhos em algumas páginas. o disco vai chegando ao fim, o sono vai se aproveitando do cansaço, a leitura do livro gira em círculo, já que o mesmo é redundante, lembro de que não escrevi nada em meu blog hoje e sento em frente ao computador, que repousa no estado de espera.
abro esta janela imaginando que toda espera é sempre recompensada, mas que recompensa terar o paciente leitor que leu estas linhas?
quarta-feira, 11 de junho de 2008
especulações acerca do tempo
por que meu tempo sempre está estreito? por que só chego atrasado e só saio cedo? por que ando apressado e sem paciência alguma de esperar o que quer que seja? por que ouço som enquanto me debruço sobre o primeiro prato de comida do dia (por volta das 10h da noite)? por que desistir de carregar a bicicleta até este segundo andar em que durmo e deixei ela presa ao vão das escadas que me trazem aqui? por que não tenho previsão de iniciar a leitura da revista piauí (neste momento, sobre meu joelho esquerdo)? por que detesto relógios mas vivo em função das horas? por que acordo assustado quando esqueço de colocar o alarme do celular? por que aprendi a comer cuscuz quase todos os dias (quando não como sinto uma falta...)? por que só leio nos livros os capítulos que me interessam? por que continuo indo a sebos, mesmo não tendo lido nenhum romance no mês passado? por que ficar comigo mesmo se tornou algo tão raro? por que só ouço vinil fazendo outra coisa? por que não leio poesia e deixo que me chamem (erroneamente) de poeta? por que adoro parêntesis? por que não tenho explicação para tantos por quês (é assim mesmo que se escreve?)? por que não continuo me perguntando, já que não falta assunto para uma pergunta como esta?
por que criei um blog?
por que criei um blog?
terça-feira, 10 de junho de 2008
para não perder o momento...
vou aproveitar que estou com um computador em minha frente para falar um pouco sobre esta falta do que dizer. ainda estou em meu local de trabalho, apesar de não me considerar daqui nem supor que, neste momento, estou trabalhando. é, esta coisa de fazer o que gosta (mesmo não gostando) é uma viagem mesmo...
escolhi esta área de comunicação almejando isto. comunicar é um ato básico na vida. não consigo imaginar uma pessoa que não se comunica. mas, em algum lugar, deve existir. um lugar encantado, diga-se de passagem. em que tudo já está dito. e pronto. não havendo necessidade desta interação que rege as relações humanas.
sinto uma falta imensa quando não consigo tempo para ficar comigo mesmo. ultimamente, tenho perdido esta prática básica. tenho sido mundano excessivamente. olha onde estou. num lugar impensável fazendo coisas que, sinceramente, nunca povoaram meus sonhos. e nada (nem ninguém) está me prendendo aqui.
mas fico. não sei ainda ao certo o que estou procurando, por isso não me afasto de nada. tenho receio de sentir falta depois e aí não ter mais jeito de recuperar. nesta caminhada de minha (ainda curta) vida perdi algumas coisas que fazem uma falta danada. mas, talvez eu nem tenha perdido, já que duvido muito que tenha realmente conquistado. fica a dúvida e o suspense no ar...
fui interrompido na escrita destas linhas... então acho melhor ficar por aqui mesmo. agora vou não sei para onde. quando estiver na rua decidirei. amanhã, quem sabe, eu tenha um relato fresquinho para falar sobre esta noite que pesa em meus ombros...
escolhi esta área de comunicação almejando isto. comunicar é um ato básico na vida. não consigo imaginar uma pessoa que não se comunica. mas, em algum lugar, deve existir. um lugar encantado, diga-se de passagem. em que tudo já está dito. e pronto. não havendo necessidade desta interação que rege as relações humanas.
sinto uma falta imensa quando não consigo tempo para ficar comigo mesmo. ultimamente, tenho perdido esta prática básica. tenho sido mundano excessivamente. olha onde estou. num lugar impensável fazendo coisas que, sinceramente, nunca povoaram meus sonhos. e nada (nem ninguém) está me prendendo aqui.
mas fico. não sei ainda ao certo o que estou procurando, por isso não me afasto de nada. tenho receio de sentir falta depois e aí não ter mais jeito de recuperar. nesta caminhada de minha (ainda curta) vida perdi algumas coisas que fazem uma falta danada. mas, talvez eu nem tenha perdido, já que duvido muito que tenha realmente conquistado. fica a dúvida e o suspense no ar...
fui interrompido na escrita destas linhas... então acho melhor ficar por aqui mesmo. agora vou não sei para onde. quando estiver na rua decidirei. amanhã, quem sabe, eu tenha um relato fresquinho para falar sobre esta noite que pesa em meus ombros...
segunda-feira, 9 de junho de 2008
por que eu só escrevo antes de dormir?
depois de um dia inteiro correndo pra lá e pra cá feito uma barata tonta (a mesma que serviu de inspiração a clarice lispector no livro a paixão segundo gh) eis que paro em frente à tela quadrada com meus ósculos semi-quadrados e meus pensamentos dispersos. saio definhando coisas (em forma de palavras) sobre esta vida assim, assim...
é aí que resolvo escrever. me deleitar sobre a palavra estampada no espaço quadrado que o blogspot devotou aos usuários deste provedor. deitar sobre as significações que produzo no instante mesmo em que os dedos descem nas teclas do computador. os olhos oscilam entre a tela e as teclas, e os pensamentos suspiram ante a falta (cheia de presenças) do que escrever. tudo se insinua pra mim neste momento.
a muriçoca nos pés, a luz acesa acima de minha cabeça, um espirro, o celular alheio, a voz silenciosa da noite, o barulho dos grilos (basta parar por um instante e procurar, eles sempre estão cantando apesar de fernando sabino ter escrito o livro "os grilos não cantam mais"). tudo isto vive à espera de uma sensibilidade. não, nesta noite não derramarei minha triste sensibilidade nesta tela fria e insensível.
ademais (adoro esta palavra, ela lembra uma espanha que eu não conheço), não posso fugir do tema que me propus a escrever. o título é bem sugestivo, mas falta argumentos que sustente sua escolha. então, vamos lá...
a que se propõe um diário? basta uma olhada nos diário oficiais e oficiosos que circulam entre nós, os tais meios de comunicação impressos, para percebermos que os mesmos noticiam em sua grande maioria acontecimentos ocorridos no dia anterior. ou seja, são um relato-resumo do que foi um determinado dia.
tais jornais são escritos no calor da hora, mas editados aos 45 minutos do segundo tempo. se eu começasse a escrever meu diário pela manhã perderia o pôr-do-sol. e sem noite não há dia que se sustente. meu tempo sempre reduzidíssimo não me permite pensar dois textos em 24 horas.
mas será que no anoitecer eu não perco o sol do meio-dia?
é aí que resolvo escrever. me deleitar sobre a palavra estampada no espaço quadrado que o blogspot devotou aos usuários deste provedor. deitar sobre as significações que produzo no instante mesmo em que os dedos descem nas teclas do computador. os olhos oscilam entre a tela e as teclas, e os pensamentos suspiram ante a falta (cheia de presenças) do que escrever. tudo se insinua pra mim neste momento.
a muriçoca nos pés, a luz acesa acima de minha cabeça, um espirro, o celular alheio, a voz silenciosa da noite, o barulho dos grilos (basta parar por um instante e procurar, eles sempre estão cantando apesar de fernando sabino ter escrito o livro "os grilos não cantam mais"). tudo isto vive à espera de uma sensibilidade. não, nesta noite não derramarei minha triste sensibilidade nesta tela fria e insensível.
ademais (adoro esta palavra, ela lembra uma espanha que eu não conheço), não posso fugir do tema que me propus a escrever. o título é bem sugestivo, mas falta argumentos que sustente sua escolha. então, vamos lá...
a que se propõe um diário? basta uma olhada nos diário oficiais e oficiosos que circulam entre nós, os tais meios de comunicação impressos, para percebermos que os mesmos noticiam em sua grande maioria acontecimentos ocorridos no dia anterior. ou seja, são um relato-resumo do que foi um determinado dia.
tais jornais são escritos no calor da hora, mas editados aos 45 minutos do segundo tempo. se eu começasse a escrever meu diário pela manhã perderia o pôr-do-sol. e sem noite não há dia que se sustente. meu tempo sempre reduzidíssimo não me permite pensar dois textos em 24 horas.
mas será que no anoitecer eu não perco o sol do meio-dia?
domingo, 8 de junho de 2008
eu já tinha desligado o computador...
eu já tinha desligado o computador, depois de passar o dia inteiro ligado nesta tela quadrada. às vezes colocava os óculos como uma proteção meramente psicológica, já que enxergo muito bem (obrigado). só que a última vez em que fui ao oftamologista, um senhor que ainda usa os métodos de fazer o olho ficar aberto utilizados na década de 50 (pelo que consta no diploma pendurado na parede da recepção por um quadro) me receitou - suspeito que para compensar os 40 contos que eu investi na consulta - lentes de meio grau nos dois olhos.
o interessante é que quando eu tiro os óculos tenho uma sensação visual melhor, mais limpa. de qualquer maneira, vou continuar usando, quando eu tiver mais tempo (dinheiro, no caso) volto ao consultório dele para fazer uma revisão. mas não foi para falar do oftamologista que eu resolvi iniciar este diálogo comigo mesmo. foi para dizer que eu já estava até tomando o primeiro e único banho do dia quando lembrei que não havia feito o login do blog hoje. ou seja, não havia feito minha lingüiça (diria um tal "professor") no dia 8 de junho do ano da graça de 2008.
minha preocupação maior mesmo era ter de inventar uma desculpa amanhã para justificar minha displicência no dia de hoje. eu não sou muito bom destas coisas. meu lado criativo já saiu de férias. só retorna depois do são pedro, e olhe lá...
hoje me debati para finalizar uma espécie de conto. juntei um texto que já havia escrito antes (um diálogo interior, como este) com um texto versificado (não acho que escrevo poemas, poesias ou algo parecido). fui costurando uma coisa na outra e não cheguei a um formato que me agradasse. detestei o final do conto, mas não tive serenidade para apagar, nesta tela quadrada e insensível, o que eu havia escrito. então resolvi deixar este último embate para amanhã de manhã, quando pretendo imprimir o texto e enviar para um concurso literário.
o que me matou mesmo foi a exigência de escrever no máximo 3500 caracteres (com espaço). pouco mais de uma lauda de texto. ao facilitar o trabalho de quem lerá, exigem de quem se aventura a escrever um exercício de cerceamento da criatividade. limitar a escrita é incentivar uma literatura de castração. e assim não é possível ser pleno. parece que todos os rios literários têm corrido para este mar de limitações...
sim, mas não foi pra falar do conto que eu resolvi ligar o computador depois que sair do banho. foi para dizer que ainda no banheiro eu refletia sobre a importância de escrever todos os dias, hábito há muito distante do dia-a-dia agitado de bilhões de pessoas (pensar em bilhões de pessoas é quase impensável). quando se dispõe a escrever um blog, penso eu, deve vir junto a necessidade premente de escrever sempre, mesmo não tendo coisas que, a princípio, merecessem algumas linhas.
por que a princípio? porque ninguém sabe como eu lerei este texto amanhã. a importância de uma frase não se mede no exato mometo em que se escreve. é uma leitura que atravessa o tempo (e nos atravessa também). escrever hoje é se ler amanhã. é se descobrir cada vez mais superficialmente profundo e vice versa. mergulhar, sumbergir, depois sair boiando como um golfinho balançando a calda na superfície.
mas, como eu ía dizendo, pouco importa que uma ou outra pessoa comente. afinal de contas, a gente tem de entender que nem todo mundo compreende as palavras esparramadas num texto entre um parágrafo e outro. além disto, para comentar tem de ter algo a dizer. e nem todo mndo tem facilidade de criar um texto (por mínimo que seja) para dedicar ao texto de outrem, para o bem ou para o mal.
é que muitas vezes a gente termina atribuindo ao nosso trabalho um valor insopitável. sim, tem grande valor sim... para nós mesmos.
será por isto que ninguém ler o que eu ecrevo?
o interessante é que quando eu tiro os óculos tenho uma sensação visual melhor, mais limpa. de qualquer maneira, vou continuar usando, quando eu tiver mais tempo (dinheiro, no caso) volto ao consultório dele para fazer uma revisão. mas não foi para falar do oftamologista que eu resolvi iniciar este diálogo comigo mesmo. foi para dizer que eu já estava até tomando o primeiro e único banho do dia quando lembrei que não havia feito o login do blog hoje. ou seja, não havia feito minha lingüiça (diria um tal "professor") no dia 8 de junho do ano da graça de 2008.
minha preocupação maior mesmo era ter de inventar uma desculpa amanhã para justificar minha displicência no dia de hoje. eu não sou muito bom destas coisas. meu lado criativo já saiu de férias. só retorna depois do são pedro, e olhe lá...
hoje me debati para finalizar uma espécie de conto. juntei um texto que já havia escrito antes (um diálogo interior, como este) com um texto versificado (não acho que escrevo poemas, poesias ou algo parecido). fui costurando uma coisa na outra e não cheguei a um formato que me agradasse. detestei o final do conto, mas não tive serenidade para apagar, nesta tela quadrada e insensível, o que eu havia escrito. então resolvi deixar este último embate para amanhã de manhã, quando pretendo imprimir o texto e enviar para um concurso literário.
o que me matou mesmo foi a exigência de escrever no máximo 3500 caracteres (com espaço). pouco mais de uma lauda de texto. ao facilitar o trabalho de quem lerá, exigem de quem se aventura a escrever um exercício de cerceamento da criatividade. limitar a escrita é incentivar uma literatura de castração. e assim não é possível ser pleno. parece que todos os rios literários têm corrido para este mar de limitações...
sim, mas não foi pra falar do conto que eu resolvi ligar o computador depois que sair do banho. foi para dizer que ainda no banheiro eu refletia sobre a importância de escrever todos os dias, hábito há muito distante do dia-a-dia agitado de bilhões de pessoas (pensar em bilhões de pessoas é quase impensável). quando se dispõe a escrever um blog, penso eu, deve vir junto a necessidade premente de escrever sempre, mesmo não tendo coisas que, a princípio, merecessem algumas linhas.
por que a princípio? porque ninguém sabe como eu lerei este texto amanhã. a importância de uma frase não se mede no exato mometo em que se escreve. é uma leitura que atravessa o tempo (e nos atravessa também). escrever hoje é se ler amanhã. é se descobrir cada vez mais superficialmente profundo e vice versa. mergulhar, sumbergir, depois sair boiando como um golfinho balançando a calda na superfície.
mas, como eu ía dizendo, pouco importa que uma ou outra pessoa comente. afinal de contas, a gente tem de entender que nem todo mundo compreende as palavras esparramadas num texto entre um parágrafo e outro. além disto, para comentar tem de ter algo a dizer. e nem todo mndo tem facilidade de criar um texto (por mínimo que seja) para dedicar ao texto de outrem, para o bem ou para o mal.
é que muitas vezes a gente termina atribuindo ao nosso trabalho um valor insopitável. sim, tem grande valor sim... para nós mesmos.
será por isto que ninguém ler o que eu ecrevo?
sábado, 7 de junho de 2008
o mundo é um moinho...
ontem não escrevi. quem acompanha este blog (ou seja, ninguém) deve ter percebido. fiquei embalado em pensamentos pela música de cartola, acompanhada de uma vivência amarga. parece que toda despedida tem um pouco desta música: "ainda é cedo amor/mal começaste a conhecer a vida/já anuncias a hora da partida/sem saber mesmo o rumo que irás tomar...".
ontem tive de me despedir, assim como muitas outras pessoas tiveram de se despedir de outras tantas. a doses de conhaque, a goles de vinho, a cada cerveja... tudo regado pela lágrima contida ou escandalosa. não importa, o certo é que toda despedida tem lágrima. mesmo que fique pingando por dentro, inundando o coração indefinidamente...
ontem fiquei preso a isto, como um cachorro fica preso a uma coleira. me resguardei o direito de lamber o farelo sobre a mesa, e depois limpar todas as marcas da despedida. com o guardanapo guardei o que sobrou do refrigerante derramado. a faca trazia inscrita a última fatia de bolo que eu não sei nem quem foi que comeu. recolhi aquilo tudo e entreguei a quem nem teve a chance de comer.
ontem foi um dia atípico, principalmente porque não se costuma atribuir aos dias as notas de uma despedida. aí se perde a chance de dizer a outrem o quanto a saudade está presente entre nós. as despedidas são sempre marcadas por um aprendizado fundamental das relações humanas. é momento de reflexão profunda sobre o tempo e toda a sua dimensão, onde passado, presente e futuro sentam numa mesa redonda para jogar cartas.
ontem ainda deu tempo de ter uma festa, e eu de tanto dançar nem me lembrei que momentos antes estive cabisbaixo, chorando por dentro...
mas será por isto que o mundo é um moinho?
ontem tive de me despedir, assim como muitas outras pessoas tiveram de se despedir de outras tantas. a doses de conhaque, a goles de vinho, a cada cerveja... tudo regado pela lágrima contida ou escandalosa. não importa, o certo é que toda despedida tem lágrima. mesmo que fique pingando por dentro, inundando o coração indefinidamente...
ontem fiquei preso a isto, como um cachorro fica preso a uma coleira. me resguardei o direito de lamber o farelo sobre a mesa, e depois limpar todas as marcas da despedida. com o guardanapo guardei o que sobrou do refrigerante derramado. a faca trazia inscrita a última fatia de bolo que eu não sei nem quem foi que comeu. recolhi aquilo tudo e entreguei a quem nem teve a chance de comer.
ontem foi um dia atípico, principalmente porque não se costuma atribuir aos dias as notas de uma despedida. aí se perde a chance de dizer a outrem o quanto a saudade está presente entre nós. as despedidas são sempre marcadas por um aprendizado fundamental das relações humanas. é momento de reflexão profunda sobre o tempo e toda a sua dimensão, onde passado, presente e futuro sentam numa mesa redonda para jogar cartas.
ontem ainda deu tempo de ter uma festa, e eu de tanto dançar nem me lembrei que momentos antes estive cabisbaixo, chorando por dentro...
mas será por isto que o mundo é um moinho?
quinta-feira, 5 de junho de 2008
eu não sou poeta...
eu não sou poeta. nunca fui. não nasci para poetizar a banalidade. não nasci para tornar concreto o que nunca deixará de ser abstrato, nem para abstrair do concreto a essência mesma do abstrato. não sou poeta de alma, palavra, gesto, olhar, gentileza...
só guardo este silêncio impostor, evasivo, infecto-contagioso. aí, todos pensam, é poeta. como se para ser poeta fosse preciso, em algum momento, se resguardar da palavra verbalizada à esmo, mastigada na coloquialidade das relações sociais. triste engano dos ledos da vida.
para ser poeta é preciso mais, bem mais... como as "flores do mais", de ana cristina césar. e, devagar, ir, escrevendo, a, primeira, letra, nas, imediações, construídas, pelos, furacões... não, não foi dado a todo ser humano esta súbita herança de ser poeta, de pedir mais, sempre mais.
mas andam me apontando pelas esquinas, como se eu tivesse, em algum lugar, um baú repleto de poesias. um arcabouço, calabouço, calo a boca e meto a mão no bolso. saio escondido pelos reflexos das paredes cálidas e fico jogado numa timidez crônica, balbuciando entredentes um monte de besteiras.
joão, manoel, cassiano, carlos, adélia, vinícius, patativa, esta poesia nossa de cada dia é repleta destas referências. de anjos tortos e garotas de ipanema. e eu sempre sigo afastado disto tudo, me limitando a ouvir pelos cantos recitais, interpretações, gritos escandalosos, como se poesia realmente fosse catarse. como se as palavras de walt whiltman fossem parte de um processo terapêutico.
tudo isto me parece sempre muito exagerado. a poesia, para mim, não deveria nunca ser mais elevada do que o canto de um passarinho nas primeiras horas da manhã. sem alardes, ir anunciando a chegada dos primeiros raios do sol entre as frestas do concreto, na vagareza mesma de ser um furacão.
continuo não sendo poeta.
só guardo este silêncio impostor, evasivo, infecto-contagioso. aí, todos pensam, é poeta. como se para ser poeta fosse preciso, em algum momento, se resguardar da palavra verbalizada à esmo, mastigada na coloquialidade das relações sociais. triste engano dos ledos da vida.
para ser poeta é preciso mais, bem mais... como as "flores do mais", de ana cristina césar. e, devagar, ir, escrevendo, a, primeira, letra, nas, imediações, construídas, pelos, furacões... não, não foi dado a todo ser humano esta súbita herança de ser poeta, de pedir mais, sempre mais.
mas andam me apontando pelas esquinas, como se eu tivesse, em algum lugar, um baú repleto de poesias. um arcabouço, calabouço, calo a boca e meto a mão no bolso. saio escondido pelos reflexos das paredes cálidas e fico jogado numa timidez crônica, balbuciando entredentes um monte de besteiras.
joão, manoel, cassiano, carlos, adélia, vinícius, patativa, esta poesia nossa de cada dia é repleta destas referências. de anjos tortos e garotas de ipanema. e eu sempre sigo afastado disto tudo, me limitando a ouvir pelos cantos recitais, interpretações, gritos escandalosos, como se poesia realmente fosse catarse. como se as palavras de walt whiltman fossem parte de um processo terapêutico.
tudo isto me parece sempre muito exagerado. a poesia, para mim, não deveria nunca ser mais elevada do que o canto de um passarinho nas primeiras horas da manhã. sem alardes, ir anunciando a chegada dos primeiros raios do sol entre as frestas do concreto, na vagareza mesma de ser um furacão.
continuo não sendo poeta.
quarta-feira, 4 de junho de 2008
carta de apresentação
fui à lixeira e não encontrei nenhuma foto que pudesse ilustrar o que eu pensei em escrever como carta de apresentação. na verdade, eu queria que alguma foto servisse de ensejo para expressar esta coisa que me levou a iniciar a escrita deste blog. sempre me disseram que uma imagem vale mais do que mil palavras, e eu sou dado a economizar palavras. adoro colocá-las embaixo do colchão ou enterrá-las no fundo do quintal, num lugar que só eu tenha acesso.
guardo palavras e, por isso, guardo silêncios, gestos, expressões, arroubos. roubo todo dia de mim a espontaneirade que nunca tive, nunca terei. sou avesso a mudanças e permanências, e me dou bem com isto. quando, numa madrugada insone, ouço a porta do banheiro simplesmente abri pela ação da gravidade logo retomo uma série de medos que povoaram minha infância. desta maneira, nunca estou afastado daquele ser autêntico pela própria natureza, que ouvia sem se dar conta: "aproveite enquanto você não tem com o que se preocupar".
hoje imerso em pré-ocupações tento dar conta de realidades paralelas. de compromissos firmados sob a égide da cruz e da espada, em busca da (sobre)vivência diária, que não deixa de ser uma morte cotidiana também. hoje cheguei duas horas atrasado para um compromisso. o cansaço mais uma vez venceu a necessidade. mesmo assim, levantei sem graça, escovei os dentes, lavei o rosto e saí correndo. ao chegar, ouvi uma tremenda bronca acompanhada de um aviso: "já tinha ido à procura da pessoa responsável por te tirar do projeto de pesquisa. mas não encontrei ele".
esqueci de dizer: "obrigado pela compreensão. por ter procurado entender meus motivos de não ter cumprido a responsabilidade de chegar no horário combinado, de não ter acordado com o despertador, não ter ido dormir cedo, não ter descansado no final de semana, não ter um mês tão cansativo, um ano repleto de afazeres... obrigado mesmo por, pelo menos, ter tido tempo de escutar tudo isto". agora é tarde. agora já é quase uma e meia da manhã. mais uma vez estou indo dormir tarde, por sorte não tenho compromisso extra-casa amanhã de manhã. só comigo mesmo. redigir um texto, ler algumas coisas, preparar almoço.
à tarde, não posso esquecer: tenho encontro marcado com o compreensivo orientador daí de cima. ele me fez repetir o horário: quatro e meia. levarei minha paciência renovada por mais uma noite de sono, depois de um dia cansativo. anseio encontrar uma imagem que expresse esta coisa que atravessa a garganta e chega à alma com uma facilidade invejável.
mas o próprio texto não quis se apresentar, dizer de onde vem e para onde vai. termina preso a uma angústia pontual, que já se tornou uma pré-ocupação. como o medo de ver assombração em qualquer fresta. o jeito é fazer festa sem alarde: o blog se inicia!
guardo palavras e, por isso, guardo silêncios, gestos, expressões, arroubos. roubo todo dia de mim a espontaneirade que nunca tive, nunca terei. sou avesso a mudanças e permanências, e me dou bem com isto. quando, numa madrugada insone, ouço a porta do banheiro simplesmente abri pela ação da gravidade logo retomo uma série de medos que povoaram minha infância. desta maneira, nunca estou afastado daquele ser autêntico pela própria natureza, que ouvia sem se dar conta: "aproveite enquanto você não tem com o que se preocupar".
hoje imerso em pré-ocupações tento dar conta de realidades paralelas. de compromissos firmados sob a égide da cruz e da espada, em busca da (sobre)vivência diária, que não deixa de ser uma morte cotidiana também. hoje cheguei duas horas atrasado para um compromisso. o cansaço mais uma vez venceu a necessidade. mesmo assim, levantei sem graça, escovei os dentes, lavei o rosto e saí correndo. ao chegar, ouvi uma tremenda bronca acompanhada de um aviso: "já tinha ido à procura da pessoa responsável por te tirar do projeto de pesquisa. mas não encontrei ele".
esqueci de dizer: "obrigado pela compreensão. por ter procurado entender meus motivos de não ter cumprido a responsabilidade de chegar no horário combinado, de não ter acordado com o despertador, não ter ido dormir cedo, não ter descansado no final de semana, não ter um mês tão cansativo, um ano repleto de afazeres... obrigado mesmo por, pelo menos, ter tido tempo de escutar tudo isto". agora é tarde. agora já é quase uma e meia da manhã. mais uma vez estou indo dormir tarde, por sorte não tenho compromisso extra-casa amanhã de manhã. só comigo mesmo. redigir um texto, ler algumas coisas, preparar almoço.
à tarde, não posso esquecer: tenho encontro marcado com o compreensivo orientador daí de cima. ele me fez repetir o horário: quatro e meia. levarei minha paciência renovada por mais uma noite de sono, depois de um dia cansativo. anseio encontrar uma imagem que expresse esta coisa que atravessa a garganta e chega à alma com uma facilidade invejável.
mas o próprio texto não quis se apresentar, dizer de onde vem e para onde vai. termina preso a uma angústia pontual, que já se tornou uma pré-ocupação. como o medo de ver assombração em qualquer fresta. o jeito é fazer festa sem alarde: o blog se inicia!
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