ontem tive de me despedir, assim como muitas outras pessoas tiveram de se despedir de outras tantas. a doses de conhaque, a goles de vinho, a cada cerveja... tudo regado pela lágrima contida ou escandalosa. não importa, o certo é que toda despedida tem lágrima. mesmo que fique pingando por dentro, inundando o coração indefinidamente...
ontem fiquei preso a isto, como um cachorro fica preso a uma coleira. me resguardei o direito de lamber o farelo sobre a mesa, e depois limpar todas as marcas da despedida. com o guardanapo guardei o que sobrou do refrigerante derramado. a faca trazia inscrita a última fatia de bolo que eu não sei nem quem foi que comeu. recolhi aquilo tudo e entreguei a quem nem teve a chance de comer.
ontem foi um dia atípico, principalmente porque não se costuma atribuir aos dias as notas de uma despedida. aí se perde a chance de dizer a outrem o quanto a saudade está presente entre nós. as despedidas são sempre marcadas por um aprendizado fundamental das relações humanas. é momento de reflexão profunda sobre o tempo e toda a sua dimensão, onde passado, presente e futuro sentam numa mesa redonda para jogar cartas.
ontem ainda deu tempo de ter uma festa, e eu de tanto dançar nem me lembrei que momentos antes estive cabisbaixo, chorando por dentro...
mas será por isto que o mundo é um moinho?

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