sábado, 7 de junho de 2008

o mundo é um moinho...

ontem não escrevi. quem acompanha este blog (ou seja, ninguém) deve ter percebido. fiquei embalado em pensamentos pela música de cartola, acompanhada de uma vivência amarga. parece que toda despedida tem um pouco desta música: "ainda é cedo amor/mal começaste a conhecer a vida/já anuncias a hora da partida/sem saber mesmo o rumo que irás tomar...".

ontem tive de me despedir, assim como muitas outras pessoas tiveram de se despedir de outras tantas. a doses de conhaque, a goles de vinho, a cada cerveja... tudo regado pela lágrima contida ou escandalosa. não importa, o certo é que toda despedida tem lágrima. mesmo que fique pingando por dentro, inundando o coração indefinidamente...

ontem fiquei preso a isto, como um cachorro fica preso a uma coleira. me resguardei o direito de lamber o farelo sobre a mesa, e depois limpar todas as marcas da despedida. com o guardanapo guardei o que sobrou do refrigerante derramado. a faca trazia inscrita a última fatia de bolo que eu não sei nem quem foi que comeu. recolhi aquilo tudo e entreguei a quem nem teve a chance de comer.

ontem foi um dia atípico, principalmente porque não se costuma atribuir aos dias as notas de uma despedida. aí se perde a chance de dizer a outrem o quanto a saudade está presente entre nós. as despedidas são sempre marcadas por um aprendizado fundamental das relações humanas. é momento de reflexão profunda sobre o tempo e toda a sua dimensão, onde passado, presente e futuro sentam numa mesa redonda para jogar cartas.

ontem ainda deu tempo de ter uma festa, e eu de tanto dançar nem me lembrei que momentos antes estive cabisbaixo, chorando por dentro...

mas será por isto que o mundo é um moinho?

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