terça-feira, 16 de setembro de 2008

ficou cada vez mais difícil escrever por aqui...

e em outros lugares também. resolvi parar um pouco de verborragiar e passei a contemplar muito mais. agora estou lendo com uma freqüência irreconhecível. voltei a ler poesia, veja só... a tanto tempo que não pegava drummond antes de dormir, a tanto tempo que não cochilava com o livro aberto sobre o peito e acordava de manhã cedo com a luz do quarto acesa, o olho pesado, o pesadelo...

passei a me preocupar mais também. com a entrega dos trabalhos, a prova de genética, de análise experimental, o relatório do projeto de pesquisa, os slides, o pôster. não o de che. este eu deixei guardado. verdade seja dita: ainda não tive nem tempo de abri a bandeira de minha cidade na perede de meu quarto. agora querem que eu discurse no último comício de meu pai. e eu não sou (nem nunca fui) o homem dos discursos, das palavras jogadas ao vento, da elevação de voz, do peso frio do microfone. mais um desafio.

mais uma preocupação. como faço para escrever o que deve ser escrito? uma frase é uma sucessão de palavras ou de sentimentos? como sangrar em cada frase e, mesmo assim, não se ferir? como explicar o que penso sem me tornar explicativo? lá no fundo, tudo está dito, posto que tudo é silêncio. dentro de cada ser humano mora um poema, mas nem todo mundo é poeta. poesia é a contemplação da ressonância interior...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

um ponto fixo...

eu tenho tanta coisa pra fazer que consigo me dar ao luxo de não fazer nada. ficar paralisado, olhando para um ponto fixamente até voltar a fazer o que eu, eita!, ainda nem tinha começado a fazer. um me pede um favorzinho de um lado, outra pede para eu quebrar o galho (não com estas palavras) de outro. tem apresentação de projeto de pesquisa, atividade de aula, relatório, resumo... se eu me lembrar de tudo termino ficando pirado, quer dizer, parado num ponto fixo, completamente paralisado. como este ponto aqui.

aí vem os fios, o cheiro na mão, as lembranças dispersas, a falta de concentração. já vi que não consigo me fixar na leitura antes de dormir. o sono logo desce e me leva à lona, com um nocaute técnico. não dá tempo nem de jogar a toalha no chão. ando me escondendo de tudo isto e de mais um pouco. sou ana o. saindo de cena ante uma situação traumática.

todas as coisas agora parecem carecer de uma continuidade. deixo para corrigir depois, meus erros imperdoáveis. ficam aí sangrando como um peito aberto por unhas afiadas. amanhã é dia de ultrassonografia, de leitura na penumbra da clínica, olhos disputando a atenção com a tv globinho, atendente sem pressa, médica atrasada, paciente querendo fular a fila, torcendo para eu desistir. não vou. sou brasileiro, e isto não significa lá muita coisa, ainda mais sem grana e sem gana.

quem desiste não pára, já dizia um zé ninguém...