domingo, 3 de agosto de 2008

uns versos que insistem em passar...

deitado na rede no meio da tarde de um domingo. livro aberto entre as mãos à apreciação de olhos sonolentos. do outro lado da sacada do apartamento, muita vida, muitos goles de morte repentina. viro a página do livro e rabisco versos, mais cinzentos do que o cinza do cinza da cinza do cinza da cinza do cinza... mais uma vez, desculpem o atrevimento...

violão, notas, vozes...
buzina de automóvel. passarinho entre folhas da mangueira do vizinho...
pregador, cueca, corda...
elementos de semiologia. um texto aguarda palavras para ter fim...
porta aberta, lâmpada queimada, boca seca...
domingo. o sono vem e vai nos passos arrastados da menina travessa...
que atravessa a rua com uma respiração ofegante
depois grita, sorri e chora
e eu com uma vontade imensa...
de mergulhar nas nuvens.

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