quarta-feira, 2 de julho de 2008

olhos inquietos

já estou cansado de iniciar minha escrita neste blog justificando a ausência de texto no dia anterior. mas ontem realmente cheguei em casa com uma dor funda na testa, que eu não sabia se era fome ou óculos. fiz um cuscuz às pressas e comi. coloquei os óculos e liguei o computador. nada resolvido. para me consolar, o sinal da internet caiu. fui dormir.

acordei com a queda do despertador/celular. ele vibra e toca ao mesmo tempo na hora do alarme. levantei espantando sonhos que agora só saberia relatar vagamente apesar de ter sido tão real... quando tento recordar sonhos me dou conta do embaraço que a vida é. melhor deixá-lo preso ao lençol desalinhado sobre a cama.

acordei pensando que dormir é uma arte. por pouco não voltei pra cama, afinal de contas, até onde sei não tenho nenhum compromisso hoje. mas deixa pra lá. estou aqui, em frente a esta tela quadrada, sem óculos, os olhos inquietos que mais lembram o despertador/celular vibrando. parece que de vez em quando uma coisa puxa meu olho esquerdo para o lado.

não me adaptei aos óculos. desde que os adquiri me dei conta que enxergo melhor sem eles. portanto, não vejo a mínima necessidade de usá-los. aliás, quando os olhos lacrimejam eu repenso e coloco. fico ainda mais aéreo, desatento, lento, tento em vão escrever alguma coisa. com os óculos as palavras não fluem. parece que definitivamente perdi o hábito de escrever no caderno, com lápis ou caneta. agora tudo é digitado, digitalizado, formatado...

vou retomar meus apontamentos o mais rápido possível. estes dias escrevendo este diário virtual já me deram a exata noção da coisa: para apaziguar meus olhos inquietos só a fluência de uma página escrita numa folha de papel.

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