sábado, 14 de junho de 2008

quando a leveza pesa...

este foi um daqueles dias em que não se sente a passagem das horas, posto que o pensamento voa em círculos e volta à origem de todas as coisas. fiquei ruminando o tempo, tentando encarar as obrigações com serenidade. confiando sempre que no fim dá certo...

por isso, me contentei em concluir um texto pela manhã, em não telefonar para quem devia, em deitar na cama e levantar sem pressa e, sobretudo, em não fazer nada. hoje foi um daqueles dias em que o melhor que eu poderia fazer era ficar em casa comigo mesmo. e fiz. mas esta próxima semana será corrida...

dead line, trabalho para entregar até sexta, programas para gravar até sexta, reunião de projeto de pesquisa, notas, entrevistas, apuração... sou um incansável aspirante ao jornalismo. todo mundo que almeja adentrar este mundo deve logo se habituar a não se contentar com migalhas, principalmente em se tratando de informações.

também não deve querer apalpar tudo com apenas duas mãos e um coração. para rimar, só dá frustração... tem uma frase que eu nunca me esqueço: "a totalidade é inapreensível". foi uma professora que disse certa vez, e eu me lembro que anotei na folha de caderno. mas nunca reli. ficou na memória mesmo, presa a outras frases e imagens de tempos passados.

somos seres intrinsecamente parciais. olhamos para o mundo sempre com uma visão parcial. não podemos, por exemplo, enxergar o que vem de trás. nossos lados são desfocados. nossa frente, muitas vezes, é ilusória. são máscaras sociais, muros intransponíveis, mentiras sinceras... tudo isto nos constitui.

e quando a leveza pesa sobre nossos ombros ficamos um pouco mais corcundas.

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