quinta-feira, 28 de agosto de 2008

a vida é um jogo...

me olhando no espelho do banheiro descobri que a vida é um jogo... olhando para estes olhos vermelhos de sono, este meu estado deplorável, sem camisa, sem presente, descobri, de repente, que a vida é um jogo... passando as mãos em meus cabelos sebosos, entre a divisão e os fios mais grossos, descobri, sem remorso, que a vida é um jogo... como foi que eu passei 21 anos sem saber?

eu virando a noite aqui, na sala do projeto de pesquisa. rodeado de coisas pra fazer, de textos para por os pingos nos is, de histórias para inventar, de ilusões. levantei para não ficar sentado, e logo em seguida descobri uma vontade de mijar. fui ao banheiro, mas antes da privada tem o espelho, a sedução narcísica, este olhar auto-contemplativo. eu tinha de admirar minha ação corajosa, meus olhos vermelhos, meu peito à mostra, meus cabelos despenteados. eu tinha de descobri que, minha nossa!, a vida é um jogo...

já imbuído desta verdade última, mijei vagarosamente em cima de outro mijo ou de alguma coisa que me fez lembrar que alguém, antes de mim, mijou ali. para não acordar as assombrações, resolvi não puxar a corda da descarga. saí do banheiro decidido a compartilhar com todo mundo esta minha descoberta individual, que a vida, pode crer cara!, é um jogo... é um jogo reticente, mas não deixa de ser. a vida se diverte demais com a gente. a vida ri da nossa insuficiência, insistência, inoperância e tantas outras palavras que compartilhem significados afins. a vida ri, principalmente, de si. a vida se ri.

a gente deveria aprender alguma coisa da vida. dá tempo? hum... deixe-me ver: amanhã de manhã tenho reunião. sim, nesta sala em que estou varando a madrugada. à tarde tenho aula. à noite tem um festival. estou aguardando uma resposta para saber se posso ou não participar de um encontro de uma galera que quer fazer um grupo de teatro. à tarde, imprevisível. depende desta resposta anterior, mas também seria bom eu ir à tarde acompanhar as atrações de um festival que, oficialmente, começa à noite. sim, à noite tem o festival. e no outro dia tem sarau.

cadê o tempo mesmo? o tempo de aprender alguma coisa na vida meu velho... parece que a gente só aprende a lidar, a encarar e a superar a vida. ou seja, a gente só aprende a morrer. todo dia temos a oportunidade de escolher entre mais um ou menos um dia. todo dia temos a oportunidade de dormir na mesma cama ou de virar a noite rindo, da vida que aprendemos a viver (ou a jogar?). vou repetir pela última vez: pensando bem, não vou repetir mais não. vou terminar de fazer as coisas que ainda estão me aguardando.

uma professora me disse que eu ando escrevendo muito gerúndio. que absurdo!

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