ainda estou disperso. livros espalhados na mesa, garrafa de água para amenizar a tosse seca, caneta, celular, discos, apostilas que não conseguem progredir porque eu (tenho de repetir) ainda estou disperso.
cheguei com fôlego, esbanjando saúde apesar de não ter saúde para esbanjar, decidido a me dedicar mais a algumas coisas e me desprender de outras. mas o dia-a-dia vai se encarregando de colocar os pingos nos is e daqui a pouco estarei na mesma. conformado e disperso.
procurando uma outra casa pra morar. mais próximo de tudo que hoje me parece distante. só não parei pra pensar ainda que o contrário também é verdadeiro: ficarei mais longe de tudo que me parece próximo atualmente. seria tudo mais simples se eu me conformasse nessa de ficar mais um tempo por aqui, mas não dá. já pensei demais para agora recuar.
pensei muito em iniciar a leitura de cem anos de solidão. hoje recebi o livro de uma colega com um atraso de três anos. ainda teve quem tentasse me atravessar, mas eu logo disse que estava interessado em ler e pronto. o livro agora está sobre a mesa, em meio à garrafa de água para amenizar a tosse seca, a caneta, o celular, os discos, as apostilas que não conseguem progredir porque eu (tenho de repetir, de novo...) ainda estou disperso.
e minha dispersão só vai passar (eu sinto) quando eu fizer alguma coisa com ela: quem sabe se eu resolvesse abrir o livro e iniciar a leitura desta obra-prima da literatura mundial, três anos depois...
quarta-feira, 30 de julho de 2008
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