quarta-feira, 13 de agosto de 2008

pela janela...

ter de relacionar dados, fabricar análises, compor colchas de retalhos interpretativos... dei agora para desenhar como nunca, exercitando minha paciência inflaível. figuras que nunca irei denominar, posto que me dizem muito pouco sobre as coisas existentes. vez por outra, rabisco versos no canto da folha. só para me curar um pouco do tédio. só para não ter de ficar interpretando o mundo pela janela. por falar em janela...

aprendi a desenhar nuvens
quando no meio de uma aula de fenomenologia
o professsor erguia a voz às paredes e dizia coisas que eu nunca vou entender
angústia, ente, o nada, dasein, heidegger, o ser...
e o branco das nuvens sempre desafiava o azul celeste pela janela fumê
e eu desafiava o mundo rabiscando na contra-capa de sobre a morte e o morrer...

e eu não escrevi isto no meio de uma aula não... foi no meio de uma reunião.

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