domingo, 6 de julho de 2008

uma tentativa frustrada de dormir sonhando...

fui correr ou telefonar? os dois. ou melhor, fui correr para telefonar. mas não desci correndo. só apressei o passo na hora de atravessar a rua. rua escura esta que passa na frente deste condomínio de um prédio só. joguei o lixo no vaso vazio e segui.

momentos antes, fiz alguns exercícios básicos no quarto, só para aquecer os músculos. já estava cansado de ficar sentado e deitado. a vontade de correr veio junto com a vontade de tomar um banho, o primeiro do dia, e de telefonar para uma velha amiga.

adentrei o parque quase vazio, aqueci o corpo num ventinho frio e raro e saí correndo com o celular/cronômetro na mão. dei a primeira volta no parque colocando o coração pela boca, apesar do ritmo lento de corrida, e cheguei ao ponto exato em que saí aos 6 minutos e 20 e poucos segundo. continuei correndo. com o tempo, fui me adaptando ao ritmo e já conseguia respirar com mais tranquilidade. na segunda volta, o cronômetro marcou 13 minutos. percebi que o suor secava ao sabor do vento frio e me dava um ar gélido. mas decidi fechar os 20 minutos de corrida. tempo marcado pelo cronômetro no momento em que cheguei ao ponto de onde sair três voltas depois.

na última volta, fui caminhando. só assim para recuperar totalmente o fôlego e finalmente telefonar para a velha amiga. quando cheguei ao orelhão já estava decido a telefonar antes para uma entrevistada, no intuito de confirmar a entrevista de amanhã. terminei telefonando para o filho dela, um cara que faria um show dia 11 (ele me disse que mudou para o dia 15), a fim de que ele enviasse o release do show para mim. fiz os telefonemas numa rapidez muito próxima de uma ansiedade. tanto tempo que eu não falo com essa amiga...

boa noite, disse eu, com um sotaque bem característico. boa noite, respondeu de lá minha amiga. é juliana?, perguntei. peraí, respondeu. ou ela foi falar com alguém ou foi fechar a porta da casa, pensei. oi luís!, voltou. sorri. oi juliana, estava aqui correndo e resolvi parar, disse meio sem jeito, já pensando num gancho para iniciar a conversa. mas ela foi logo ao ponto. dá pra você ligar outro horário, é que estou de saída. e eu murchei, como uma bola de soprar murcha quando escapa de nossos dedos no momento exato em que estamos terminando de enchê-la. que horas eu ligo?, perguntei. hum, hoje eu não vou voltar pra casa..., disse ela. então eu ligo outro dia, disse todo desanimado. tá certo, beleza então, tchau..., ela disse, com a mesma entonação de uma porta fechando, aos poucos, ao sopro, de um vento, frio...

e eu nem perguntei se estava tudo bem com ela e ela nem perguntou se podia mesmo desligar o telefone e adiar uma conversa de meses. nem me lembro a última vez que conversei com ela. e duvido muito que ela se lembre. antes conversávamos todos os dias na flor da manhã. eu dormia pra sonhar com ela e acordava para admirá-la, no passo, no riso, nos óculos, na língua molhando os lábios, no cheiro, na luz, no silêncio e no vai-e-vem dos recadinhos no meio da aula.

agora não sei quando tudo convergirá para um telefonema. e duvido muito que ela saiba. entre nós, fica o silêncio matutino de sempre soprando ventos frios.

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