eu já tinha desligado o computador, depois de passar o dia inteiro ligado nesta tela quadrada. às vezes colocava os óculos como uma proteção meramente psicológica, já que enxergo muito bem (obrigado). só que a última vez em que fui ao oftamologista, um senhor que ainda usa os métodos de fazer o olho ficar aberto utilizados na década de 50 (pelo que consta no diploma pendurado na parede da recepção por um quadro) me receitou - suspeito que para compensar os 40 contos que eu investi na consulta - lentes de meio grau nos dois olhos.
o interessante é que quando eu tiro os óculos tenho uma sensação visual melhor, mais limpa. de qualquer maneira, vou continuar usando, quando eu tiver mais tempo (dinheiro, no caso) volto ao consultório dele para fazer uma revisão. mas não foi para falar do oftamologista que eu resolvi iniciar este diálogo comigo mesmo. foi para dizer que eu já estava até tomando o primeiro e único banho do dia quando lembrei que não havia feito o login do blog hoje. ou seja, não havia feito minha lingüiça (diria um tal "professor") no dia 8 de junho do ano da graça de 2008.
minha preocupação maior mesmo era ter de inventar uma desculpa amanhã para justificar minha displicência no dia de hoje. eu não sou muito bom destas coisas. meu lado criativo já saiu de férias. só retorna depois do são pedro, e olhe lá...
hoje me debati para finalizar uma espécie de conto. juntei um texto que já havia escrito antes (um diálogo interior, como este) com um texto versificado (não acho que escrevo poemas, poesias ou algo parecido). fui costurando uma coisa na outra e não cheguei a um formato que me agradasse. detestei o final do conto, mas não tive serenidade para apagar, nesta tela quadrada e insensível, o que eu havia escrito. então resolvi deixar este último embate para amanhã de manhã, quando pretendo imprimir o texto e enviar para um concurso literário.
o que me matou mesmo foi a exigência de escrever no máximo 3500 caracteres (com espaço). pouco mais de uma lauda de texto. ao facilitar o trabalho de quem lerá, exigem de quem se aventura a escrever um exercício de cerceamento da criatividade. limitar a escrita é incentivar uma literatura de castração. e assim não é possível ser pleno. parece que todos os rios literários têm corrido para este mar de limitações...
sim, mas não foi pra falar do conto que eu resolvi ligar o computador depois que sair do banho. foi para dizer que ainda no banheiro eu refletia sobre a importância de escrever todos os dias, hábito há muito distante do dia-a-dia agitado de bilhões de pessoas (pensar em bilhões de pessoas é quase impensável). quando se dispõe a escrever um blog, penso eu, deve vir junto a necessidade premente de escrever sempre, mesmo não tendo coisas que, a princípio, merecessem algumas linhas.
por que a princípio? porque ninguém sabe como eu lerei este texto amanhã. a importância de uma frase não se mede no exato mometo em que se escreve. é uma leitura que atravessa o tempo (e nos atravessa também). escrever hoje é se ler amanhã. é se descobrir cada vez mais superficialmente profundo e vice versa. mergulhar, sumbergir, depois sair boiando como um golfinho balançando a calda na superfície.
mas, como eu ía dizendo, pouco importa que uma ou outra pessoa comente. afinal de contas, a gente tem de entender que nem todo mundo compreende as palavras esparramadas num texto entre um parágrafo e outro. além disto, para comentar tem de ter algo a dizer. e nem todo mndo tem facilidade de criar um texto (por mínimo que seja) para dedicar ao texto de outrem, para o bem ou para o mal.
é que muitas vezes a gente termina atribuindo ao nosso trabalho um valor insopitável. sim, tem grande valor sim... para nós mesmos.
será por isto que ninguém ler o que eu ecrevo?
domingo, 8 de junho de 2008
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