... já estava cansado de ir e vir pela mesma rua, procurando inutilmente um número que nunca encontraria inscrito na parede de uma das casas/comércio dali: 1007. toda pessoa que eu encotrava na rua com ares de entregador ou morador antigo era uma esperança...
... eu aéreo no encontro. entrei num lugar escrito XEROX que eu até agora não sei se era um armarinho, uma loja ou uma copiadora. o que eu sei é que um computador sempre estava disponível para quem quisesesse acessar com intenção de gastar 50 centavos por cada folha impressa. eu entrava no lugar, sentava no banco que ficava em frente ao computador, observava a mulher de olhar cansado atrás do balcão e pedia um pen drive prometendo imprimir algumas folhas. depois de percorrer as mensagens que mais me interessavam, eu então selecionava a página e entregava à mulher que abriu um sorriso tímido quando descobriu que eu sou baiano. queria ter conversado mais com ela, mas...
... marquei para quinta-feira. felizmente não fechei horário. da mensagem que recebi em poucos minutos duas combinações de números eram fortes: 12 e 1007. 12h ou meio-dia se referia ao horário em que ela chegava à sede do site. 1007 era o número do lugar, que eu nunca iria encontrar. até o momento em que resolvi ir em busca de uma casa de informática, de preferência tipo aquela em que eu tinha me servido para entrar em contato com a pessoa que agora eu não conseguia encontrar. já numa outra rua entrei numa lan house decidido a resolver logo a pendenga. a tarde já estava caindo e eu teria de voltar logo para a universidade. quanto você vai utilizar?, perguntou-me a recepcionista. uns 20 minutos, respondi. cada dez minutos é um real. como assim? será que eu ouvi bem? quer dizer que estou na lan house mais cara do meu pobre país? o desespero é sempre muito desesperador. sentei em frente ao computador decidido a resolver logo tudo e finalmente encontrar o tal endereço. tive a ligeira impressão que só eu e a recepcionista éramos brasileiros ali. ainda ouvi um som longínquo de conversa alemã. mas logo me detive na mensagem. o computador era lento, pelo menos pelo preço, e meu dinheiro era (é) pouco. tudo isto me fez ir direto ao ponto. vi que ela estava online e parti logo para o bombardeio de mensagens intantâneas. não tive resposta. então abri a mensagem para ler novamente e finalmente vi que o número correto era 45. o 1007 era o número da sala. já!, disse a recepcionista. não tinha nem dado 10 minutos. quanto foi?, perguntei. 1 real, respondeu. entreguei e saí quase correndo. rapidamente encontrei o endereço e subi dez andares para finalmente conhecer a sede do site...
... é, você é sempre muito reticente, me disse a pessoa que eu tanto procurava. adorei a frase, sobretudo pelo caráter instantâneo e espontâneo. eu tinha acabado de conhecer aquela que eu só sabia existir por meio de textos e mensagens espalhados pelo ciberespaço. sim, mas pergunte aí, eu adoro este feedback, me disse ela. e eu alí sem saber o que perguntar. além de reticente, tímido. a conversa foi se arrastando, como a noite, com algumas frases do tipo: esta vista é inspiradora. o thiago saiu agorinha. conta aí alguma novidade...
... e eu preocupado em chegar cedo para uma atividade que nem aconteceu...
voltei. mais reticente do que nunca.
terça-feira, 29 de julho de 2008
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Um comentário:
- : parabéns pelo texto: leve, inteligente e (pouco) reticente.
abraço,
jones.
.
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