as pessoas que acompanham os textos postados neste blog devem ter percebido que já faz mais de uma semana que eu não escrevo nada por aqui. verdade seja dita: desde o dia 18 de junho eu não abro este endereço eletrônico. ele não é nem de longe meu lugar preferido nesta rede infinita e assustadora chamada internet. só abro quando me sinto na obrigação de escrever, sobretudo por respeito ao leitor.
nesta minha longamente curta ausência me ocupei de outras coisas. principalmente de pré-ocupações. andei abrindo outros links, encarando outras palavras, escutando outros discursos, peregrinando por outros pastos. a ponta de meus dedos acompanharam sempre meus fios de cabelo nesta lida diária. por diversas vezes tive de me recolher ao silêncio mais perturbador possível para reconhecer que quase sempre não tenho nada a dizer deveras e qualquer pergunta a este respeito não passa de uma aporrinhação.
por isso, prefiro muito mais observar a ser observado, ler a escrever, pensar a fazer, sentar a correr, contemplar a refletir... não sou oswald para fazer telhados, mas às vezes sinto certa necessidade de jogar um cobertor sobre os pensamentos. e deixá-los em suspensão perpétua.
hoje estive na fila do restaurante popular, tentando conciliar a espera com a leitura da piauí do mês que se avizinha. por sinal, que prontidão! eu abri a revista e logo percebi a presença de um rapaz mais exaltado, quebrando o silêncio intransponível da fila absorta das barrigas vazias. foi ele se aproximar e um cheiro forte de cachaça se espalhar. tentou me oferecer um caderninho, do qual nem quis tomar conhecimento. o rapaz que estava em minha frente terminou aceitando. e firmou o compromisso tácito de alimentar a fome de diálogo do estado alterado de consciência.
fiquei folheando a revista, à procura de um texto que coubesse nos poucos minutos de espera. o rapaz embriagado sussurrou algo que me identificava com um jornalista e emendou: "você nem sabe o que está lendo...". confirmei balançando a cabeça e com um sorriso dividido entre a ironia e a ausência de graça. fazer o quê? vai ver ele tem razão...
a literatura da oralidade cuspida no meio da rua (ou no meio de uma fila) é muito mais rica do que boa parte dos romances distribuídos em pratos rasos nos espaços de assimilação das informações. acredito muito mais numa frase assim, dita ao acaso, do que em muitas leituras imbuídas de verdades a priori inquebrantáveis. mesmo que, para tanto, muitas consciências tenham de se ausentar por um tempo indeterminado.
até o retorno, tudo pode estar diferente. folhas espalhadas no chão, deslocamentos, gavetas reviradas, transformações, lacunas e, principalmente, ausências. voltei para ficar!
segunda-feira, 30 de junho de 2008
quarta-feira, 18 de junho de 2008
sobre o sufocamento da existência
atolado de coisas pra fazer, vou caminhando solto pela rua estreita. quanto mais há o que se fazer, mais o que se fazer aparece. sorrateiramente, como as paredes noturnas me espreitam nestas andanças loucas pelas esquinas.
até para enfiar o dedo no nariz tenho que me ater ao tempo. não posso demorar mais de 5 segundos com o dedo em cada narina, senão corro o risco de me atrasar para algum compromisso. estes compromissos que eu mesmo invento, e depois me escravizo.
mas sempre há o amanhã. ou não? pensar no amanhã é algo inútil, que só faz atrasar as coisas. a perspectiva de um amanhã é ao mesmo tempo acolhedora e cruel. significa dizer que eu não preciso matar e morrer hoje, mas amanhã sim. amanhã eu mato e morro.
as manhãs se apresentam sempre muito mais produtivas do que os outros turnos do dia. seja pela proximidade do sonho, seja pela energia de estar iniciando mais um dia, seja pelo clima ameno, seja por ser manhã e rimar com amanhã.
tarde rima com arde e noite com açoite. nada como um dia após o outro.
até para enfiar o dedo no nariz tenho que me ater ao tempo. não posso demorar mais de 5 segundos com o dedo em cada narina, senão corro o risco de me atrasar para algum compromisso. estes compromissos que eu mesmo invento, e depois me escravizo.
mas sempre há o amanhã. ou não? pensar no amanhã é algo inútil, que só faz atrasar as coisas. a perspectiva de um amanhã é ao mesmo tempo acolhedora e cruel. significa dizer que eu não preciso matar e morrer hoje, mas amanhã sim. amanhã eu mato e morro.
as manhãs se apresentam sempre muito mais produtivas do que os outros turnos do dia. seja pela proximidade do sonho, seja pela energia de estar iniciando mais um dia, seja pelo clima ameno, seja por ser manhã e rimar com amanhã.
tarde rima com arde e noite com açoite. nada como um dia após o outro.
terça-feira, 17 de junho de 2008
à espera de uma mensagem...
ontem não escrevi. digamos que foi um dia tão cansativo que só tive coragem de ligar o computador para ver se tinha alguma mensagem não lida na caixa de entrada do gmail. ultimamente, vivo refém destas mensagens. só tenho ânimo de ligar o computador para ver se tem alguma mensagem fresquinha esperando por meu clique.
não é interessante viver assim. estou aqui ralando a cabeça num texto teórico-metodológico, cheio de conceitos chatos e rebuscados, e, vez por outra, coloco o computador para carregar meu e-mail. abro, vejo que recebi mais uma mensagem de uma lista de discussão. e eu não estou a fim de discutir nada hoje. então, fecho, antes que alguém entre nos contatos rápidos e puxe uma conversa brochante.
aí volto para o desgaste de sair procurando agulha no palheiro de teóricos construcionistas. faço uma grande colcha de retalhos, tendo o cuidado de transformar as palavras sem mudar o discurso, coloco observações pessoais sobre a cobertura de um jornal de veiculação nacional ao episódio da prisão do sargento do exército e entrego ao professor.
o ideal é que tenha umas seis páginas: aí vou engomando, enrolando, confundindo cada vez mais a ponto de eu nem saber para onde ir. então deságuo aqui, com a lembrança de que não postei nada hoje e já está próximo de eu me retirar do front de batalha mental e dedal.
pior ainda será se eu for para a final. aí é que será dose. ter de vir pra cá na próxima semana não está em meus planos mais pessimistas, mas é algo que pode acontecer. basta o professor não gostar de meu texto ou sei lá o quê. estas coisas são tão subjetivas...
antes de dormir ainda darei uma olhada na caixa de entrada de meu e-mail. isto eu sei.
não é interessante viver assim. estou aqui ralando a cabeça num texto teórico-metodológico, cheio de conceitos chatos e rebuscados, e, vez por outra, coloco o computador para carregar meu e-mail. abro, vejo que recebi mais uma mensagem de uma lista de discussão. e eu não estou a fim de discutir nada hoje. então, fecho, antes que alguém entre nos contatos rápidos e puxe uma conversa brochante.
aí volto para o desgaste de sair procurando agulha no palheiro de teóricos construcionistas. faço uma grande colcha de retalhos, tendo o cuidado de transformar as palavras sem mudar o discurso, coloco observações pessoais sobre a cobertura de um jornal de veiculação nacional ao episódio da prisão do sargento do exército e entrego ao professor.
o ideal é que tenha umas seis páginas: aí vou engomando, enrolando, confundindo cada vez mais a ponto de eu nem saber para onde ir. então deságuo aqui, com a lembrança de que não postei nada hoje e já está próximo de eu me retirar do front de batalha mental e dedal.
pior ainda será se eu for para a final. aí é que será dose. ter de vir pra cá na próxima semana não está em meus planos mais pessimistas, mas é algo que pode acontecer. basta o professor não gostar de meu texto ou sei lá o quê. estas coisas são tão subjetivas...
antes de dormir ainda darei uma olhada na caixa de entrada de meu e-mail. isto eu sei.
domingo, 15 de junho de 2008
debalde...
hoje foi um domingo pleno. eu vi o dia passar em frente ao computador, com algumas poucas pausas para reflexão. sim, em frente a esta máquina o que menos eu faço é refletir. não dá tempo...
são tantas informações sendo despejadas de uma só vez, que eu me sinto uma piaba tentando submergir ante a abertura das compotas de sobradinho, nos raros períodos de cheia. ontem assisti à greve de fome do velho chico, de um cineasta chato chamado carlos pronzato. é meio sem graça assistir a um filme que você já sabe como termina.
mas não era sobre isto que eu queria falar. como eu estava dizendo (ou melhor, escrevendo), hoje eu vi o domingo passar. passei este dia que dizem ser de descanso queimando neurônios em frente a esta tela quadrada (um dia eu fico quadrado). e, agora, me dou conta de que tem tanta coisa ainda para eu fazer que um domingo só por semana não chega nem perto.
amanhã já tenho dois compromissos marcados. estou à espera de resposta sobre um terceiro. todos a partir da segunda metade do dia. ou seja, a manhã é livre. nem tanto assim. vou ter de ir ali entregar uma cópia de um jornal, devo pegar um livro na biblioteca, talvez eu ainda encontre por lá um cara que me prenda numa masturbação mental sem perspectivas de gozo...
não, não vou pensar nisto. sou novo demais para sofrer por antecipação. tenho de viver o momento, escrever carpie diem no pulso direito, baixar o msn, criar uma comunidade só minha no orkut, ir ao parque fazer ginástica e trocar olhares com meninos e meninas, ir à orla ver o pôr-do-sol e escrever uma poesia sobre a banalidade, o vazio, o vácuo, o nada...
quer saber do quê mais: eu escrevi para dizer que debalde não tem nada a ver com em vão. são falso cognatas, em minha pobre opinião de lingüísta (que saco ficar colocando trema nas palavras...). trema sim se parece demais com ¨. por causa da insignificância. trema, que palavra mais sem graça.
ou o domingo é que não tem graça nenhuma? (é sempre assim: eu tenho de terminar com uma pergunta!)
são tantas informações sendo despejadas de uma só vez, que eu me sinto uma piaba tentando submergir ante a abertura das compotas de sobradinho, nos raros períodos de cheia. ontem assisti à greve de fome do velho chico, de um cineasta chato chamado carlos pronzato. é meio sem graça assistir a um filme que você já sabe como termina.
mas não era sobre isto que eu queria falar. como eu estava dizendo (ou melhor, escrevendo), hoje eu vi o domingo passar. passei este dia que dizem ser de descanso queimando neurônios em frente a esta tela quadrada (um dia eu fico quadrado). e, agora, me dou conta de que tem tanta coisa ainda para eu fazer que um domingo só por semana não chega nem perto.
amanhã já tenho dois compromissos marcados. estou à espera de resposta sobre um terceiro. todos a partir da segunda metade do dia. ou seja, a manhã é livre. nem tanto assim. vou ter de ir ali entregar uma cópia de um jornal, devo pegar um livro na biblioteca, talvez eu ainda encontre por lá um cara que me prenda numa masturbação mental sem perspectivas de gozo...
não, não vou pensar nisto. sou novo demais para sofrer por antecipação. tenho de viver o momento, escrever carpie diem no pulso direito, baixar o msn, criar uma comunidade só minha no orkut, ir ao parque fazer ginástica e trocar olhares com meninos e meninas, ir à orla ver o pôr-do-sol e escrever uma poesia sobre a banalidade, o vazio, o vácuo, o nada...
quer saber do quê mais: eu escrevi para dizer que debalde não tem nada a ver com em vão. são falso cognatas, em minha pobre opinião de lingüísta (que saco ficar colocando trema nas palavras...). trema sim se parece demais com ¨. por causa da insignificância. trema, que palavra mais sem graça.
ou o domingo é que não tem graça nenhuma? (é sempre assim: eu tenho de terminar com uma pergunta!)
sábado, 14 de junho de 2008
quando a leveza pesa...
este foi um daqueles dias em que não se sente a passagem das horas, posto que o pensamento voa em círculos e volta à origem de todas as coisas. fiquei ruminando o tempo, tentando encarar as obrigações com serenidade. confiando sempre que no fim dá certo...
por isso, me contentei em concluir um texto pela manhã, em não telefonar para quem devia, em deitar na cama e levantar sem pressa e, sobretudo, em não fazer nada. hoje foi um daqueles dias em que o melhor que eu poderia fazer era ficar em casa comigo mesmo. e fiz. mas esta próxima semana será corrida...
dead line, trabalho para entregar até sexta, programas para gravar até sexta, reunião de projeto de pesquisa, notas, entrevistas, apuração... sou um incansável aspirante ao jornalismo. todo mundo que almeja adentrar este mundo deve logo se habituar a não se contentar com migalhas, principalmente em se tratando de informações.
também não deve querer apalpar tudo com apenas duas mãos e um coração. para rimar, só dá frustração... tem uma frase que eu nunca me esqueço: "a totalidade é inapreensível". foi uma professora que disse certa vez, e eu me lembro que anotei na folha de caderno. mas nunca reli. ficou na memória mesmo, presa a outras frases e imagens de tempos passados.
somos seres intrinsecamente parciais. olhamos para o mundo sempre com uma visão parcial. não podemos, por exemplo, enxergar o que vem de trás. nossos lados são desfocados. nossa frente, muitas vezes, é ilusória. são máscaras sociais, muros intransponíveis, mentiras sinceras... tudo isto nos constitui.
e quando a leveza pesa sobre nossos ombros ficamos um pouco mais corcundas.
por isso, me contentei em concluir um texto pela manhã, em não telefonar para quem devia, em deitar na cama e levantar sem pressa e, sobretudo, em não fazer nada. hoje foi um daqueles dias em que o melhor que eu poderia fazer era ficar em casa comigo mesmo. e fiz. mas esta próxima semana será corrida...
dead line, trabalho para entregar até sexta, programas para gravar até sexta, reunião de projeto de pesquisa, notas, entrevistas, apuração... sou um incansável aspirante ao jornalismo. todo mundo que almeja adentrar este mundo deve logo se habituar a não se contentar com migalhas, principalmente em se tratando de informações.
também não deve querer apalpar tudo com apenas duas mãos e um coração. para rimar, só dá frustração... tem uma frase que eu nunca me esqueço: "a totalidade é inapreensível". foi uma professora que disse certa vez, e eu me lembro que anotei na folha de caderno. mas nunca reli. ficou na memória mesmo, presa a outras frases e imagens de tempos passados.
somos seres intrinsecamente parciais. olhamos para o mundo sempre com uma visão parcial. não podemos, por exemplo, enxergar o que vem de trás. nossos lados são desfocados. nossa frente, muitas vezes, é ilusória. são máscaras sociais, muros intransponíveis, mentiras sinceras... tudo isto nos constitui.
e quando a leveza pesa sobre nossos ombros ficamos um pouco mais corcundas.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
quando o cansaço chegar...
já estou entre bêbado e sonâmbulo. é impossível distinguir, neste momento, o que é sono e o que é cansaço. tudo que meus olhos pedem é um encontro caloroso com o lençol. queria terminar um texto ainda hoje, mas talvez seja prejudicial para ambos. a manhã sempre é mais receptiva, cabeça fresca, sem muriçoca...
tenho percebido que quanto mais eu leio antes de escrever sobre um determinado assunto, menos minha produção fica autoral. o mais indicado seria eu iniciar minha escrita e depois procurar subsídios, personagens, outras vozes...
mas eu sempre parto do contrário, e depois tudo fica mais difícil. nossa, não sei mesmo como estou conseguindo digitar. minha consciência está em outra órbita. vou dormir!
tenho percebido que quanto mais eu leio antes de escrever sobre um determinado assunto, menos minha produção fica autoral. o mais indicado seria eu iniciar minha escrita e depois procurar subsídios, personagens, outras vozes...
mas eu sempre parto do contrário, e depois tudo fica mais difícil. nossa, não sei mesmo como estou conseguindo digitar. minha consciência está em outra órbita. vou dormir!
quinta-feira, 12 de junho de 2008
no estado de espera...
eu tinha realmente muita coisa pra fazer, cheguei mais cedo do que minha vontade queria porque, deveras, eu tinha algumas coisas para adiantar antes de dormir. agora vou dormir com tudo adiado. só não quero adiar o compromisso que já havia firmado antes. amanhã tenho uma entrevista marcada às 9. vou pedalando. daqui pra lá deve ser quase uma hora de bicicleta. então tenho de sair por volta das 8, acordar no máximo 7 e meia para espiar minha caixa de entrada e comer alguma coisa, ligar confirmando no primeiro orelhão e, se tudo der certo, seguir em frente.
é assim que se faz. o dead line tá chegando... hoje era para eu ter adiantado uma outra colaboração, mas não deu. eu tinha de ouvir os discos que comprei, por impulso puramente. eu já havia saído atrasado para assitir a uma apresentação, mas quando vi luiz gonzaga ao lado de gonzaguinha dando sopa entre tantos outros discos tive de parar a bicicleta. nestas horas, o tempo passa tão rápido...
guardei sete discos em minha bolsa e prossegui com 10 reais a menos. só ando gastando dinheiro com isto ultimamente. não compro roupa, minha sandália dura sete meses, comida pego no cartão, cd's e dvd's só se for emprestado, baterias recarregáveis, lanche nem pensar e vou a qualquer lugar de bicicleta. por sinal, preciso colocá-la numa borracharia. mas, por enquanto, não dá.
hoje minha mãe ligou pedindo que eu depositasse um dinheiro na conta de um irmão. até eu conquistar minha independência financeira este fato será recorrente. aí eu tenho de deixar o que estou fazendo para ir a um caixa mais próximo tentar transferir. quando dou o azar de não encontrar caixa próximo, faço como hoje: vou pedalando até o centro e daí adianto pra casa mais cedo do que minha vontade pedia.
mas, como diria o mestre guima (guimarães rosa): "quem ama é sempre escravo, mas não obedece nunca de verdade". chego em casa e, ao invés de fazer o que me propus, ligo a radiola e me dano a ouvir os discos recém-adquiridos. para não dizer que não fiz nada, abro o livro do entrevistado de amanhã e passo os olhos em algumas páginas. o disco vai chegando ao fim, o sono vai se aproveitando do cansaço, a leitura do livro gira em círculo, já que o mesmo é redundante, lembro de que não escrevi nada em meu blog hoje e sento em frente ao computador, que repousa no estado de espera.
abro esta janela imaginando que toda espera é sempre recompensada, mas que recompensa terar o paciente leitor que leu estas linhas?
é assim que se faz. o dead line tá chegando... hoje era para eu ter adiantado uma outra colaboração, mas não deu. eu tinha de ouvir os discos que comprei, por impulso puramente. eu já havia saído atrasado para assitir a uma apresentação, mas quando vi luiz gonzaga ao lado de gonzaguinha dando sopa entre tantos outros discos tive de parar a bicicleta. nestas horas, o tempo passa tão rápido...
guardei sete discos em minha bolsa e prossegui com 10 reais a menos. só ando gastando dinheiro com isto ultimamente. não compro roupa, minha sandália dura sete meses, comida pego no cartão, cd's e dvd's só se for emprestado, baterias recarregáveis, lanche nem pensar e vou a qualquer lugar de bicicleta. por sinal, preciso colocá-la numa borracharia. mas, por enquanto, não dá.
hoje minha mãe ligou pedindo que eu depositasse um dinheiro na conta de um irmão. até eu conquistar minha independência financeira este fato será recorrente. aí eu tenho de deixar o que estou fazendo para ir a um caixa mais próximo tentar transferir. quando dou o azar de não encontrar caixa próximo, faço como hoje: vou pedalando até o centro e daí adianto pra casa mais cedo do que minha vontade pedia.
mas, como diria o mestre guima (guimarães rosa): "quem ama é sempre escravo, mas não obedece nunca de verdade". chego em casa e, ao invés de fazer o que me propus, ligo a radiola e me dano a ouvir os discos recém-adquiridos. para não dizer que não fiz nada, abro o livro do entrevistado de amanhã e passo os olhos em algumas páginas. o disco vai chegando ao fim, o sono vai se aproveitando do cansaço, a leitura do livro gira em círculo, já que o mesmo é redundante, lembro de que não escrevi nada em meu blog hoje e sento em frente ao computador, que repousa no estado de espera.
abro esta janela imaginando que toda espera é sempre recompensada, mas que recompensa terar o paciente leitor que leu estas linhas?
quarta-feira, 11 de junho de 2008
especulações acerca do tempo
por que meu tempo sempre está estreito? por que só chego atrasado e só saio cedo? por que ando apressado e sem paciência alguma de esperar o que quer que seja? por que ouço som enquanto me debruço sobre o primeiro prato de comida do dia (por volta das 10h da noite)? por que desistir de carregar a bicicleta até este segundo andar em que durmo e deixei ela presa ao vão das escadas que me trazem aqui? por que não tenho previsão de iniciar a leitura da revista piauí (neste momento, sobre meu joelho esquerdo)? por que detesto relógios mas vivo em função das horas? por que acordo assustado quando esqueço de colocar o alarme do celular? por que aprendi a comer cuscuz quase todos os dias (quando não como sinto uma falta...)? por que só leio nos livros os capítulos que me interessam? por que continuo indo a sebos, mesmo não tendo lido nenhum romance no mês passado? por que ficar comigo mesmo se tornou algo tão raro? por que só ouço vinil fazendo outra coisa? por que não leio poesia e deixo que me chamem (erroneamente) de poeta? por que adoro parêntesis? por que não tenho explicação para tantos por quês (é assim mesmo que se escreve?)? por que não continuo me perguntando, já que não falta assunto para uma pergunta como esta?
por que criei um blog?
por que criei um blog?
terça-feira, 10 de junho de 2008
para não perder o momento...
vou aproveitar que estou com um computador em minha frente para falar um pouco sobre esta falta do que dizer. ainda estou em meu local de trabalho, apesar de não me considerar daqui nem supor que, neste momento, estou trabalhando. é, esta coisa de fazer o que gosta (mesmo não gostando) é uma viagem mesmo...
escolhi esta área de comunicação almejando isto. comunicar é um ato básico na vida. não consigo imaginar uma pessoa que não se comunica. mas, em algum lugar, deve existir. um lugar encantado, diga-se de passagem. em que tudo já está dito. e pronto. não havendo necessidade desta interação que rege as relações humanas.
sinto uma falta imensa quando não consigo tempo para ficar comigo mesmo. ultimamente, tenho perdido esta prática básica. tenho sido mundano excessivamente. olha onde estou. num lugar impensável fazendo coisas que, sinceramente, nunca povoaram meus sonhos. e nada (nem ninguém) está me prendendo aqui.
mas fico. não sei ainda ao certo o que estou procurando, por isso não me afasto de nada. tenho receio de sentir falta depois e aí não ter mais jeito de recuperar. nesta caminhada de minha (ainda curta) vida perdi algumas coisas que fazem uma falta danada. mas, talvez eu nem tenha perdido, já que duvido muito que tenha realmente conquistado. fica a dúvida e o suspense no ar...
fui interrompido na escrita destas linhas... então acho melhor ficar por aqui mesmo. agora vou não sei para onde. quando estiver na rua decidirei. amanhã, quem sabe, eu tenha um relato fresquinho para falar sobre esta noite que pesa em meus ombros...
escolhi esta área de comunicação almejando isto. comunicar é um ato básico na vida. não consigo imaginar uma pessoa que não se comunica. mas, em algum lugar, deve existir. um lugar encantado, diga-se de passagem. em que tudo já está dito. e pronto. não havendo necessidade desta interação que rege as relações humanas.
sinto uma falta imensa quando não consigo tempo para ficar comigo mesmo. ultimamente, tenho perdido esta prática básica. tenho sido mundano excessivamente. olha onde estou. num lugar impensável fazendo coisas que, sinceramente, nunca povoaram meus sonhos. e nada (nem ninguém) está me prendendo aqui.
mas fico. não sei ainda ao certo o que estou procurando, por isso não me afasto de nada. tenho receio de sentir falta depois e aí não ter mais jeito de recuperar. nesta caminhada de minha (ainda curta) vida perdi algumas coisas que fazem uma falta danada. mas, talvez eu nem tenha perdido, já que duvido muito que tenha realmente conquistado. fica a dúvida e o suspense no ar...
fui interrompido na escrita destas linhas... então acho melhor ficar por aqui mesmo. agora vou não sei para onde. quando estiver na rua decidirei. amanhã, quem sabe, eu tenha um relato fresquinho para falar sobre esta noite que pesa em meus ombros...
segunda-feira, 9 de junho de 2008
por que eu só escrevo antes de dormir?
depois de um dia inteiro correndo pra lá e pra cá feito uma barata tonta (a mesma que serviu de inspiração a clarice lispector no livro a paixão segundo gh) eis que paro em frente à tela quadrada com meus ósculos semi-quadrados e meus pensamentos dispersos. saio definhando coisas (em forma de palavras) sobre esta vida assim, assim...
é aí que resolvo escrever. me deleitar sobre a palavra estampada no espaço quadrado que o blogspot devotou aos usuários deste provedor. deitar sobre as significações que produzo no instante mesmo em que os dedos descem nas teclas do computador. os olhos oscilam entre a tela e as teclas, e os pensamentos suspiram ante a falta (cheia de presenças) do que escrever. tudo se insinua pra mim neste momento.
a muriçoca nos pés, a luz acesa acima de minha cabeça, um espirro, o celular alheio, a voz silenciosa da noite, o barulho dos grilos (basta parar por um instante e procurar, eles sempre estão cantando apesar de fernando sabino ter escrito o livro "os grilos não cantam mais"). tudo isto vive à espera de uma sensibilidade. não, nesta noite não derramarei minha triste sensibilidade nesta tela fria e insensível.
ademais (adoro esta palavra, ela lembra uma espanha que eu não conheço), não posso fugir do tema que me propus a escrever. o título é bem sugestivo, mas falta argumentos que sustente sua escolha. então, vamos lá...
a que se propõe um diário? basta uma olhada nos diário oficiais e oficiosos que circulam entre nós, os tais meios de comunicação impressos, para percebermos que os mesmos noticiam em sua grande maioria acontecimentos ocorridos no dia anterior. ou seja, são um relato-resumo do que foi um determinado dia.
tais jornais são escritos no calor da hora, mas editados aos 45 minutos do segundo tempo. se eu começasse a escrever meu diário pela manhã perderia o pôr-do-sol. e sem noite não há dia que se sustente. meu tempo sempre reduzidíssimo não me permite pensar dois textos em 24 horas.
mas será que no anoitecer eu não perco o sol do meio-dia?
é aí que resolvo escrever. me deleitar sobre a palavra estampada no espaço quadrado que o blogspot devotou aos usuários deste provedor. deitar sobre as significações que produzo no instante mesmo em que os dedos descem nas teclas do computador. os olhos oscilam entre a tela e as teclas, e os pensamentos suspiram ante a falta (cheia de presenças) do que escrever. tudo se insinua pra mim neste momento.
a muriçoca nos pés, a luz acesa acima de minha cabeça, um espirro, o celular alheio, a voz silenciosa da noite, o barulho dos grilos (basta parar por um instante e procurar, eles sempre estão cantando apesar de fernando sabino ter escrito o livro "os grilos não cantam mais"). tudo isto vive à espera de uma sensibilidade. não, nesta noite não derramarei minha triste sensibilidade nesta tela fria e insensível.
ademais (adoro esta palavra, ela lembra uma espanha que eu não conheço), não posso fugir do tema que me propus a escrever. o título é bem sugestivo, mas falta argumentos que sustente sua escolha. então, vamos lá...
a que se propõe um diário? basta uma olhada nos diário oficiais e oficiosos que circulam entre nós, os tais meios de comunicação impressos, para percebermos que os mesmos noticiam em sua grande maioria acontecimentos ocorridos no dia anterior. ou seja, são um relato-resumo do que foi um determinado dia.
tais jornais são escritos no calor da hora, mas editados aos 45 minutos do segundo tempo. se eu começasse a escrever meu diário pela manhã perderia o pôr-do-sol. e sem noite não há dia que se sustente. meu tempo sempre reduzidíssimo não me permite pensar dois textos em 24 horas.
mas será que no anoitecer eu não perco o sol do meio-dia?
domingo, 8 de junho de 2008
eu já tinha desligado o computador...
eu já tinha desligado o computador, depois de passar o dia inteiro ligado nesta tela quadrada. às vezes colocava os óculos como uma proteção meramente psicológica, já que enxergo muito bem (obrigado). só que a última vez em que fui ao oftamologista, um senhor que ainda usa os métodos de fazer o olho ficar aberto utilizados na década de 50 (pelo que consta no diploma pendurado na parede da recepção por um quadro) me receitou - suspeito que para compensar os 40 contos que eu investi na consulta - lentes de meio grau nos dois olhos.
o interessante é que quando eu tiro os óculos tenho uma sensação visual melhor, mais limpa. de qualquer maneira, vou continuar usando, quando eu tiver mais tempo (dinheiro, no caso) volto ao consultório dele para fazer uma revisão. mas não foi para falar do oftamologista que eu resolvi iniciar este diálogo comigo mesmo. foi para dizer que eu já estava até tomando o primeiro e único banho do dia quando lembrei que não havia feito o login do blog hoje. ou seja, não havia feito minha lingüiça (diria um tal "professor") no dia 8 de junho do ano da graça de 2008.
minha preocupação maior mesmo era ter de inventar uma desculpa amanhã para justificar minha displicência no dia de hoje. eu não sou muito bom destas coisas. meu lado criativo já saiu de férias. só retorna depois do são pedro, e olhe lá...
hoje me debati para finalizar uma espécie de conto. juntei um texto que já havia escrito antes (um diálogo interior, como este) com um texto versificado (não acho que escrevo poemas, poesias ou algo parecido). fui costurando uma coisa na outra e não cheguei a um formato que me agradasse. detestei o final do conto, mas não tive serenidade para apagar, nesta tela quadrada e insensível, o que eu havia escrito. então resolvi deixar este último embate para amanhã de manhã, quando pretendo imprimir o texto e enviar para um concurso literário.
o que me matou mesmo foi a exigência de escrever no máximo 3500 caracteres (com espaço). pouco mais de uma lauda de texto. ao facilitar o trabalho de quem lerá, exigem de quem se aventura a escrever um exercício de cerceamento da criatividade. limitar a escrita é incentivar uma literatura de castração. e assim não é possível ser pleno. parece que todos os rios literários têm corrido para este mar de limitações...
sim, mas não foi pra falar do conto que eu resolvi ligar o computador depois que sair do banho. foi para dizer que ainda no banheiro eu refletia sobre a importância de escrever todos os dias, hábito há muito distante do dia-a-dia agitado de bilhões de pessoas (pensar em bilhões de pessoas é quase impensável). quando se dispõe a escrever um blog, penso eu, deve vir junto a necessidade premente de escrever sempre, mesmo não tendo coisas que, a princípio, merecessem algumas linhas.
por que a princípio? porque ninguém sabe como eu lerei este texto amanhã. a importância de uma frase não se mede no exato mometo em que se escreve. é uma leitura que atravessa o tempo (e nos atravessa também). escrever hoje é se ler amanhã. é se descobrir cada vez mais superficialmente profundo e vice versa. mergulhar, sumbergir, depois sair boiando como um golfinho balançando a calda na superfície.
mas, como eu ía dizendo, pouco importa que uma ou outra pessoa comente. afinal de contas, a gente tem de entender que nem todo mundo compreende as palavras esparramadas num texto entre um parágrafo e outro. além disto, para comentar tem de ter algo a dizer. e nem todo mndo tem facilidade de criar um texto (por mínimo que seja) para dedicar ao texto de outrem, para o bem ou para o mal.
é que muitas vezes a gente termina atribuindo ao nosso trabalho um valor insopitável. sim, tem grande valor sim... para nós mesmos.
será por isto que ninguém ler o que eu ecrevo?
o interessante é que quando eu tiro os óculos tenho uma sensação visual melhor, mais limpa. de qualquer maneira, vou continuar usando, quando eu tiver mais tempo (dinheiro, no caso) volto ao consultório dele para fazer uma revisão. mas não foi para falar do oftamologista que eu resolvi iniciar este diálogo comigo mesmo. foi para dizer que eu já estava até tomando o primeiro e único banho do dia quando lembrei que não havia feito o login do blog hoje. ou seja, não havia feito minha lingüiça (diria um tal "professor") no dia 8 de junho do ano da graça de 2008.
minha preocupação maior mesmo era ter de inventar uma desculpa amanhã para justificar minha displicência no dia de hoje. eu não sou muito bom destas coisas. meu lado criativo já saiu de férias. só retorna depois do são pedro, e olhe lá...
hoje me debati para finalizar uma espécie de conto. juntei um texto que já havia escrito antes (um diálogo interior, como este) com um texto versificado (não acho que escrevo poemas, poesias ou algo parecido). fui costurando uma coisa na outra e não cheguei a um formato que me agradasse. detestei o final do conto, mas não tive serenidade para apagar, nesta tela quadrada e insensível, o que eu havia escrito. então resolvi deixar este último embate para amanhã de manhã, quando pretendo imprimir o texto e enviar para um concurso literário.
o que me matou mesmo foi a exigência de escrever no máximo 3500 caracteres (com espaço). pouco mais de uma lauda de texto. ao facilitar o trabalho de quem lerá, exigem de quem se aventura a escrever um exercício de cerceamento da criatividade. limitar a escrita é incentivar uma literatura de castração. e assim não é possível ser pleno. parece que todos os rios literários têm corrido para este mar de limitações...
sim, mas não foi pra falar do conto que eu resolvi ligar o computador depois que sair do banho. foi para dizer que ainda no banheiro eu refletia sobre a importância de escrever todos os dias, hábito há muito distante do dia-a-dia agitado de bilhões de pessoas (pensar em bilhões de pessoas é quase impensável). quando se dispõe a escrever um blog, penso eu, deve vir junto a necessidade premente de escrever sempre, mesmo não tendo coisas que, a princípio, merecessem algumas linhas.
por que a princípio? porque ninguém sabe como eu lerei este texto amanhã. a importância de uma frase não se mede no exato mometo em que se escreve. é uma leitura que atravessa o tempo (e nos atravessa também). escrever hoje é se ler amanhã. é se descobrir cada vez mais superficialmente profundo e vice versa. mergulhar, sumbergir, depois sair boiando como um golfinho balançando a calda na superfície.
mas, como eu ía dizendo, pouco importa que uma ou outra pessoa comente. afinal de contas, a gente tem de entender que nem todo mundo compreende as palavras esparramadas num texto entre um parágrafo e outro. além disto, para comentar tem de ter algo a dizer. e nem todo mndo tem facilidade de criar um texto (por mínimo que seja) para dedicar ao texto de outrem, para o bem ou para o mal.
é que muitas vezes a gente termina atribuindo ao nosso trabalho um valor insopitável. sim, tem grande valor sim... para nós mesmos.
será por isto que ninguém ler o que eu ecrevo?
sábado, 7 de junho de 2008
o mundo é um moinho...
ontem não escrevi. quem acompanha este blog (ou seja, ninguém) deve ter percebido. fiquei embalado em pensamentos pela música de cartola, acompanhada de uma vivência amarga. parece que toda despedida tem um pouco desta música: "ainda é cedo amor/mal começaste a conhecer a vida/já anuncias a hora da partida/sem saber mesmo o rumo que irás tomar...".
ontem tive de me despedir, assim como muitas outras pessoas tiveram de se despedir de outras tantas. a doses de conhaque, a goles de vinho, a cada cerveja... tudo regado pela lágrima contida ou escandalosa. não importa, o certo é que toda despedida tem lágrima. mesmo que fique pingando por dentro, inundando o coração indefinidamente...
ontem fiquei preso a isto, como um cachorro fica preso a uma coleira. me resguardei o direito de lamber o farelo sobre a mesa, e depois limpar todas as marcas da despedida. com o guardanapo guardei o que sobrou do refrigerante derramado. a faca trazia inscrita a última fatia de bolo que eu não sei nem quem foi que comeu. recolhi aquilo tudo e entreguei a quem nem teve a chance de comer.
ontem foi um dia atípico, principalmente porque não se costuma atribuir aos dias as notas de uma despedida. aí se perde a chance de dizer a outrem o quanto a saudade está presente entre nós. as despedidas são sempre marcadas por um aprendizado fundamental das relações humanas. é momento de reflexão profunda sobre o tempo e toda a sua dimensão, onde passado, presente e futuro sentam numa mesa redonda para jogar cartas.
ontem ainda deu tempo de ter uma festa, e eu de tanto dançar nem me lembrei que momentos antes estive cabisbaixo, chorando por dentro...
mas será por isto que o mundo é um moinho?
ontem tive de me despedir, assim como muitas outras pessoas tiveram de se despedir de outras tantas. a doses de conhaque, a goles de vinho, a cada cerveja... tudo regado pela lágrima contida ou escandalosa. não importa, o certo é que toda despedida tem lágrima. mesmo que fique pingando por dentro, inundando o coração indefinidamente...
ontem fiquei preso a isto, como um cachorro fica preso a uma coleira. me resguardei o direito de lamber o farelo sobre a mesa, e depois limpar todas as marcas da despedida. com o guardanapo guardei o que sobrou do refrigerante derramado. a faca trazia inscrita a última fatia de bolo que eu não sei nem quem foi que comeu. recolhi aquilo tudo e entreguei a quem nem teve a chance de comer.
ontem foi um dia atípico, principalmente porque não se costuma atribuir aos dias as notas de uma despedida. aí se perde a chance de dizer a outrem o quanto a saudade está presente entre nós. as despedidas são sempre marcadas por um aprendizado fundamental das relações humanas. é momento de reflexão profunda sobre o tempo e toda a sua dimensão, onde passado, presente e futuro sentam numa mesa redonda para jogar cartas.
ontem ainda deu tempo de ter uma festa, e eu de tanto dançar nem me lembrei que momentos antes estive cabisbaixo, chorando por dentro...
mas será por isto que o mundo é um moinho?
quinta-feira, 5 de junho de 2008
eu não sou poeta...
eu não sou poeta. nunca fui. não nasci para poetizar a banalidade. não nasci para tornar concreto o que nunca deixará de ser abstrato, nem para abstrair do concreto a essência mesma do abstrato. não sou poeta de alma, palavra, gesto, olhar, gentileza...
só guardo este silêncio impostor, evasivo, infecto-contagioso. aí, todos pensam, é poeta. como se para ser poeta fosse preciso, em algum momento, se resguardar da palavra verbalizada à esmo, mastigada na coloquialidade das relações sociais. triste engano dos ledos da vida.
para ser poeta é preciso mais, bem mais... como as "flores do mais", de ana cristina césar. e, devagar, ir, escrevendo, a, primeira, letra, nas, imediações, construídas, pelos, furacões... não, não foi dado a todo ser humano esta súbita herança de ser poeta, de pedir mais, sempre mais.
mas andam me apontando pelas esquinas, como se eu tivesse, em algum lugar, um baú repleto de poesias. um arcabouço, calabouço, calo a boca e meto a mão no bolso. saio escondido pelos reflexos das paredes cálidas e fico jogado numa timidez crônica, balbuciando entredentes um monte de besteiras.
joão, manoel, cassiano, carlos, adélia, vinícius, patativa, esta poesia nossa de cada dia é repleta destas referências. de anjos tortos e garotas de ipanema. e eu sempre sigo afastado disto tudo, me limitando a ouvir pelos cantos recitais, interpretações, gritos escandalosos, como se poesia realmente fosse catarse. como se as palavras de walt whiltman fossem parte de um processo terapêutico.
tudo isto me parece sempre muito exagerado. a poesia, para mim, não deveria nunca ser mais elevada do que o canto de um passarinho nas primeiras horas da manhã. sem alardes, ir anunciando a chegada dos primeiros raios do sol entre as frestas do concreto, na vagareza mesma de ser um furacão.
continuo não sendo poeta.
só guardo este silêncio impostor, evasivo, infecto-contagioso. aí, todos pensam, é poeta. como se para ser poeta fosse preciso, em algum momento, se resguardar da palavra verbalizada à esmo, mastigada na coloquialidade das relações sociais. triste engano dos ledos da vida.
para ser poeta é preciso mais, bem mais... como as "flores do mais", de ana cristina césar. e, devagar, ir, escrevendo, a, primeira, letra, nas, imediações, construídas, pelos, furacões... não, não foi dado a todo ser humano esta súbita herança de ser poeta, de pedir mais, sempre mais.
mas andam me apontando pelas esquinas, como se eu tivesse, em algum lugar, um baú repleto de poesias. um arcabouço, calabouço, calo a boca e meto a mão no bolso. saio escondido pelos reflexos das paredes cálidas e fico jogado numa timidez crônica, balbuciando entredentes um monte de besteiras.
joão, manoel, cassiano, carlos, adélia, vinícius, patativa, esta poesia nossa de cada dia é repleta destas referências. de anjos tortos e garotas de ipanema. e eu sempre sigo afastado disto tudo, me limitando a ouvir pelos cantos recitais, interpretações, gritos escandalosos, como se poesia realmente fosse catarse. como se as palavras de walt whiltman fossem parte de um processo terapêutico.
tudo isto me parece sempre muito exagerado. a poesia, para mim, não deveria nunca ser mais elevada do que o canto de um passarinho nas primeiras horas da manhã. sem alardes, ir anunciando a chegada dos primeiros raios do sol entre as frestas do concreto, na vagareza mesma de ser um furacão.
continuo não sendo poeta.
quarta-feira, 4 de junho de 2008
carta de apresentação
fui à lixeira e não encontrei nenhuma foto que pudesse ilustrar o que eu pensei em escrever como carta de apresentação. na verdade, eu queria que alguma foto servisse de ensejo para expressar esta coisa que me levou a iniciar a escrita deste blog. sempre me disseram que uma imagem vale mais do que mil palavras, e eu sou dado a economizar palavras. adoro colocá-las embaixo do colchão ou enterrá-las no fundo do quintal, num lugar que só eu tenha acesso.
guardo palavras e, por isso, guardo silêncios, gestos, expressões, arroubos. roubo todo dia de mim a espontaneirade que nunca tive, nunca terei. sou avesso a mudanças e permanências, e me dou bem com isto. quando, numa madrugada insone, ouço a porta do banheiro simplesmente abri pela ação da gravidade logo retomo uma série de medos que povoaram minha infância. desta maneira, nunca estou afastado daquele ser autêntico pela própria natureza, que ouvia sem se dar conta: "aproveite enquanto você não tem com o que se preocupar".
hoje imerso em pré-ocupações tento dar conta de realidades paralelas. de compromissos firmados sob a égide da cruz e da espada, em busca da (sobre)vivência diária, que não deixa de ser uma morte cotidiana também. hoje cheguei duas horas atrasado para um compromisso. o cansaço mais uma vez venceu a necessidade. mesmo assim, levantei sem graça, escovei os dentes, lavei o rosto e saí correndo. ao chegar, ouvi uma tremenda bronca acompanhada de um aviso: "já tinha ido à procura da pessoa responsável por te tirar do projeto de pesquisa. mas não encontrei ele".
esqueci de dizer: "obrigado pela compreensão. por ter procurado entender meus motivos de não ter cumprido a responsabilidade de chegar no horário combinado, de não ter acordado com o despertador, não ter ido dormir cedo, não ter descansado no final de semana, não ter um mês tão cansativo, um ano repleto de afazeres... obrigado mesmo por, pelo menos, ter tido tempo de escutar tudo isto". agora é tarde. agora já é quase uma e meia da manhã. mais uma vez estou indo dormir tarde, por sorte não tenho compromisso extra-casa amanhã de manhã. só comigo mesmo. redigir um texto, ler algumas coisas, preparar almoço.
à tarde, não posso esquecer: tenho encontro marcado com o compreensivo orientador daí de cima. ele me fez repetir o horário: quatro e meia. levarei minha paciência renovada por mais uma noite de sono, depois de um dia cansativo. anseio encontrar uma imagem que expresse esta coisa que atravessa a garganta e chega à alma com uma facilidade invejável.
mas o próprio texto não quis se apresentar, dizer de onde vem e para onde vai. termina preso a uma angústia pontual, que já se tornou uma pré-ocupação. como o medo de ver assombração em qualquer fresta. o jeito é fazer festa sem alarde: o blog se inicia!
guardo palavras e, por isso, guardo silêncios, gestos, expressões, arroubos. roubo todo dia de mim a espontaneirade que nunca tive, nunca terei. sou avesso a mudanças e permanências, e me dou bem com isto. quando, numa madrugada insone, ouço a porta do banheiro simplesmente abri pela ação da gravidade logo retomo uma série de medos que povoaram minha infância. desta maneira, nunca estou afastado daquele ser autêntico pela própria natureza, que ouvia sem se dar conta: "aproveite enquanto você não tem com o que se preocupar".
hoje imerso em pré-ocupações tento dar conta de realidades paralelas. de compromissos firmados sob a égide da cruz e da espada, em busca da (sobre)vivência diária, que não deixa de ser uma morte cotidiana também. hoje cheguei duas horas atrasado para um compromisso. o cansaço mais uma vez venceu a necessidade. mesmo assim, levantei sem graça, escovei os dentes, lavei o rosto e saí correndo. ao chegar, ouvi uma tremenda bronca acompanhada de um aviso: "já tinha ido à procura da pessoa responsável por te tirar do projeto de pesquisa. mas não encontrei ele".
esqueci de dizer: "obrigado pela compreensão. por ter procurado entender meus motivos de não ter cumprido a responsabilidade de chegar no horário combinado, de não ter acordado com o despertador, não ter ido dormir cedo, não ter descansado no final de semana, não ter um mês tão cansativo, um ano repleto de afazeres... obrigado mesmo por, pelo menos, ter tido tempo de escutar tudo isto". agora é tarde. agora já é quase uma e meia da manhã. mais uma vez estou indo dormir tarde, por sorte não tenho compromisso extra-casa amanhã de manhã. só comigo mesmo. redigir um texto, ler algumas coisas, preparar almoço.
à tarde, não posso esquecer: tenho encontro marcado com o compreensivo orientador daí de cima. ele me fez repetir o horário: quatro e meia. levarei minha paciência renovada por mais uma noite de sono, depois de um dia cansativo. anseio encontrar uma imagem que expresse esta coisa que atravessa a garganta e chega à alma com uma facilidade invejável.
mas o próprio texto não quis se apresentar, dizer de onde vem e para onde vai. termina preso a uma angústia pontual, que já se tornou uma pré-ocupação. como o medo de ver assombração em qualquer fresta. o jeito é fazer festa sem alarde: o blog se inicia!
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