segunda-feira, 11 de agosto de 2008

na noite...

comendo farelo de biscoito. paralisado nas coisas mais óbvias do mundo. entre a dispersão e o recolhimento, percorro alguns metros de bicicleta na noite. até sentar confortavelmente num banco acolchoado e apreciar uma comédia. divido sorrisos. eu sou parte disto que chamam platéia. desta coisa inexata que responde aos estímulos de um texto, figurino, iluminação, maquiagem... (o gás escapa e mata aos poucos um poeta).

na platéia também estou travestido de um personagem. sou o cara que ri, olha pros lados, cruza as pernas, guarda coisas na mochila, olha pro relógio no meio de uma fala e, ao final, se levanta para aplaudir a peça. algumas pessoas me seguem (ou eu sigo elas?).

sempre me deparo com rostos mais do que conhecidos. faces que dia-a-dia se repetem no mesmo espaço. já não as encaro mais, posto que tudo está dito previamente. somos cúmplices de viver assim.

liberto a bicicleta de uma árvore e caio na noite óbvia de ruas sem maquiagem.

Nenhum comentário: