sábado, 5 de julho de 2008

eu e as muriçocas

ontem não dormir em casa. verdade seja dita: esta noite praticamente não dormir. fui alvejado por muriçocas sedentas de sangue. não adiantava se cobrir, se remexer, levantar... elas estavam impávidas em todas as partes. estas muriçocas que agora me circulam nem me mobilizam, dada a agressão que eu sofri nesta madrugada.

de manhã, ainda fui acordado cedo por uma pessoa que dormiu de mosqueteiro. eu não merecia isto. seria o caso até de dispensar o café para ficar um pouco mais na cama, aproveitando o sono da manhã, quando as muriçocas já estão acomodadas e satisfeitas de vararem a madrugada sugando o sangue alheio. muriçocas são como morcegos.

até hoje não entendi direito por que morcegos e muriçocas não atuam durante o dia. especulo que, como são seres vivos que se acham reis e rainhas da cocada preta, não gostam de receber a luz da estrela suprema. preferem aproveitar a escuridão do satélite. eu quero mais é que eles se danem...

desde que me reconheço como sou, tenho de lidar com muriçocas. aprendi a ter paciência, a ser compreensivo, a matar, a coçar, a balançar as pernas freneticamente e tantas outras coisas por conta de meua anos de convivência com tais mosquitos. por sinal, tem gente que confunde muriçoca com mosquito. os dicionários adoram inverter, como se fosse a mesma coisa. para mim há uma diferença bem básica: muriçoca quer sangue, mosquito simplesmente incomodar.

mosquito é pirracento. muriçoca só pirraça porque é inevitável. mas na verdade elas querem mesmo é o sangue. é sugar o sangue até estourarem na palma de uma mão assassina. aprendi técnicas de tortura matando muriçocas. primeiro puxa as patas, de uma em uma, e aí vai deixando sem possibilidade de voar. depois larga no chão mesmo, para morrer na sola do pé ou de algum calçado.

já vi que veneno é sempre paliativo. no outro dia, outras virão. cada vez mais decididas, fortalecidas, sedentas. entram sem permissão, encostam sem carinho, invadem e depois abandonam, desprendidas de tudo. como se, no final, tudo realmente se resolvesse.

aprendi a pensar pro-fun-da-men-te depois que conheci as muriçocas.

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