atolado de coisas pra fazer, vou caminhando solto pela rua estreita. quanto mais há o que se fazer, mais o que se fazer aparece. sorrateiramente, como as paredes noturnas me espreitam nestas andanças loucas pelas esquinas.
até para enfiar o dedo no nariz tenho que me ater ao tempo. não posso demorar mais de 5 segundos com o dedo em cada narina, senão corro o risco de me atrasar para algum compromisso. estes compromissos que eu mesmo invento, e depois me escravizo.
mas sempre há o amanhã. ou não? pensar no amanhã é algo inútil, que só faz atrasar as coisas. a perspectiva de um amanhã é ao mesmo tempo acolhedora e cruel. significa dizer que eu não preciso matar e morrer hoje, mas amanhã sim. amanhã eu mato e morro.
as manhãs se apresentam sempre muito mais produtivas do que os outros turnos do dia. seja pela proximidade do sonho, seja pela energia de estar iniciando mais um dia, seja pelo clima ameno, seja por ser manhã e rimar com amanhã.
tarde rima com arde e noite com açoite. nada como um dia após o outro.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
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