volto hoje para informar que partirei sem previsão de voltar, pelo menos para esta página. tantos dias que não escrevo aqui... que só as reticências mesmo para rimarem com existências numa hora desta. está difícil carregar o fardo desta existência maluca. fico pasmo com as loucuras que faço com meu tempo, meu precioso tempo, que corre, sem pressa, de chegar...
não gostaria de encher estas páginas com versos. respeito profundamente a tradição poética. será por isso que não me aventuro tanto pelas veredas da poesia? creio que não... escrever não é tão racional quanto se imagina. às vezes é impulso, simplesmente. você toca e, num instante, um monte de telhados preenchem a página em branco.
mas não foi para fazer telhados que resolvi escrever esta noite. vim aqui transcrever uns versos intimamente relacionados ao nome deste blog: sobre o peso da existência I: o lavrador. dedico este samba de uma nota só a jorge de lima e seu poema do nadador...
meu coração é pesado.
como um fardo de lenha no ombro de um lavrador...
e, nas chegadas, não há como descarregar o peso da viagem sobre o chão da varanda
e, nas auroras, não dá tempo de recolher os galhos mais grossos e levá-los para o terreiro
e, meio-dia, faz-se tudo que é vida em mim um imenso borralho
e, nos alvoreceres, falta vento para acender os ramos com o gás do candeeiro
e, nas noites de frio, impossível se aquecer na fogueira do fardo
e nas madrugadas de medo, cadê minha paz em volta da luz?
me abraço ao travesseiro até arder as pontas dos dedos calejados
e, preso em mim mesmo, me sufoco nas cinzas do fardo...
eu também lavro: a dor
lavra, lavrador.
quinta-feira, 17 de julho de 2008
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